Crítica | Idiotas
- Vinicius Oliveira

- há 20 horas
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Filme tenta emular a transgressão das comédias adultas dos anos 2000, mas derrapa no seu tom e se revela ineficaz em seu próprio humor.

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Desde seus primeiros minutos, Idiotas parece remontar a uma época já muito distante das comédias hollywoodianas: aqueles buddy movies com personagens de moral questionáveis e um humor transgressor, pesado até, fortemente calcado em piadas que hoje seriam tidas como “ofensivas” (pense nos filmes de Judd Apatow ou as sex comedies). Claro que os tempos são outros e é perceptível também que o diretor e roteirista Macon Blair quer atualizar esse tipo de comédia pros nossos tempos. A questão é: funciona?
No filme, Davis (O’Shea Jackson) e Mark (Dave Franco) são dois homens no ponto mais baixo de suas vidas: o primeiro, um presbiteriano devoto, perdeu a van com a qual fazia seus trabalhos após levar os alunos da instituição pra qual trabalha para ver Anticristo pensando se tratar de um filme cristão; já o segundo, irresponsável no trabalho e viciado em drogas, acaba de ser demitido. Os dois encontram uma nova chance ao terem de trabalhar juntos para levar o adolescente Sheridan (Mason Thames) para um centro de reabilitação, mas quando Sheridan revela suas tendências psicopatas, não tarda para a viagem dos três se tornar cada vez mais caótica.
Talvez onde Blair mais busque fazer uma atualização do gênero para a contemporaneidade seja justamente na figura de Sheridan, que à medida que vai sendo revelado como o principal antagonista da obra incorpora uma persona não muito distante dos redpills/incels que assolam a internet atualmente, mas com um devido grau de exagero propício ao filme. Não que haja um grande comentário político aqui, mas talvez um dos melhores acertos do filme seja contrastar uma figura tão repulsiva (e palmas a Mason Thames por fazê-la ser repulsiva de maneiras bem sutis) com os protagonistas e seus arcos de redenção.
As próprias diferenças entre Davis e Mark já se revelam o fundamento da obra, como de praxe em um buddy movie. A jornada de Davis é perpassada por simbologias cristãs óbvias, a luta dele em ser um homem bom, enquanto Mark se vê forçado a encarar suas semelhanças com Sheridan. Não há nada de genial ou disruptivo nesse aspecto, mas é relativamente funcional – ainda que Dave Franco pareça escalado aqui para representar um tipo de personagem que seu irmão James fazia muito nas comédias do gênero dos anos 2000 (e a semelhança física entre os dois pareça ainda mais gritante).

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Infelizmente, mesmo que saiba resgatar esses códigos e se apropriar deles, Idiotas parece falhar no seu quesito mais fundamental: ser engraçado. E isso não é nenhuma acusação moralista contra o humor mais “adulto” do filme, já que é até gratificante ver uma obra um pouco mais despudorada. Mas salvo uma ou outra piada – como a já citada com Anticristo no começo – há uma dificuldade evidente da obra em extrair humor dessas situações que beiram o ridículo, o transgressor ou até o desconfortável e “problemático”. Além disso, Blair parece ter dificuldades evidentes em manejar as oscilações no tom do filme, como se quisesse chocar com a introdução de momentos mais sérios e violentos (tipo quando Sheridan finalmente revela seu lado mais psicopata ao agredir uma outra personagem), mas tais inserções se revelam fora de lugar, tornando o resultado final desconjuntado.
É evidente que Idiotas não possui grandes aspirações para além de revitalizar um gênero há muito escanteado em Hollywood. Mas, embora ele inegavelmente consiga compreender o que fazia esse gênero ter apelo junto ao público vinte anos atrás e faça seus esforços para torná-lo atrativo para o público atual – muito mais puritano e crítico desse tipo de humor – ele não consegue cumprir com sua missão principal, a de ser uma comédia antes de tudo. Não importa se é um filme ousado ou transgressor: se sou capaz de contar nos dedos a quantidade de vezes que ri com ele, então certamente houve algo de errado.
Nota: 2.5/5



















