Crítica | Maldição da Múmia
- Ávila Oliveira

- há 3 horas
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Terror surpreende por não medir esforço para chocar, mesmo com obstáculos na narrativa.

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Katie, a jovem filha de um jornalista estadunidense, desaparece no Cairo sem deixar rastros. Oito anos depois, a dilacerada família já de volta aos EUA fica chocada quando recebem a notícia de que sua filha está viva e fora encontrada. Após resgatarem a menina e voltarem para casa, o que deveria ser um reencontro feliz se transforma em um pesadelo vivo.
Maldição da Múmia é o tipo de filme onde o espectador que chega desinformado não faz ideia do que esperar e ainda assim não é nada do que se espera. Sob o comando de Lee Cronin, a produção mergulha de cabeça no grotesco e não economiza nos visuais, apostando em imagens e situações feitas justamente para incomodar. É um trabalho assumidamente gore, que aproveita toda oportunidade que encontra para empurrar suas ideias até o limite do absurdo, quase desafiando o espectador a continuar encarando. O terror físico aqui não é sugestão, é exposição direta, detalhada, sem pudor algum em mostrar cada camada do que está acontecendo.
Nesse cenário, o que mais chama atenção é como a estrutura física de Katie, já transformada em múmia, se torna peça central da narrativa. Mais do que símbolos antigos ou referências fáceis ao misticismo, o longa encontra força no corpo em decomposição e em movimento. A atuação de Natalie Grace é um espetáculo à parte, com um trabalho corporal impressionante que sustenta boa parte da tensão. Cada movimento estranho, cada contorção desconfortável, ajuda a construir um clima agonizante que entranha na pele de quem assiste.

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Curiosamente, a produção cresce justamente quando decide largar qualquer amarra com lógica ou plausibilidade. Quanto mais exagera, melhor funciona. O desfecho vai se tornando cada vez mais incômodo de olhar, quase insuportável em alguns momentos, mas também impossível de ignorar. Ainda assim, fica aquela sensação de que o excesso de elementos, monstros, frases soltas, orações, encantamentos e rituais acaba se resolvendo de maneira simplória demais, como se tantas ideias interessantes fossem encaixadas às pressas.
Além disso, o texto também tenta construir uma camada emocional que vai além do impacto visual imediato. Em alguns momentos, isso funciona melhor do que se poderia esperar, adicionando textura e um certo peso dramático que ajuda a sustentar a narrativa. Essa abordagem evita que a história se torne apenas um desfile de horrores desconectados, diminuindo o distanciamento que o teor sobrenatural poderia causar. Quando acerta esse tom, o longa encontra um equilíbrio interessante entre o choque e o envolvimento.
Mesmo com essas escolhas questionáveis, o trabalho entrega bons momentos de susto e até um suspense investigativo que sustenta o ritmo. É uma nova perspectiva sobre uma assombração mitológica conhecida no mundo inteiro, tentando encontrar seu próprio caminho dentro de um terreno já explorado. Pode até deixar pontas soltas entre causas e consequências e apresentar soluções que não fecham completamente os buracos, mas é uma produção que se leva a sério e não desperdiça nenhuma chance de chocar, e isso merece respeito.
Nota: 3/5



















