Crítica | Morra, Amor (2025)
- Isadora Granato

- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
O 'Padecer no Paraíso' da maternidade em uma adaptação que não entrega a justiça prometida.

A nova adaptação do livro Morra, Amor de Ariana Harwicz chega aos cinemas pelas mãos de Lynne Ramsay, uma diretora veterana em temas polêmicos, com Você Nunca Esteve Realmente Aqui e Precisamos Falar Sobre o Kevin no currículo. Ramsay parece confortável em explorar dinâmicas sociais tabus e parece querer romper com a visão de maternidade perfeita, trazendo sua protagonista Grace (Jennifer Lawrence) para “padecer no paraíso”.
A premissa da adaptação de Lynne Ramsay é instigante, propondo uma imersão na mente de Grace, uma mãe que se sente aprisionada em um casamento falido e na maternidade idealizada. A escolha de Jennifer Lawrence para o papel principal é um dos grandes acertos do filme, trazendo uma atuação intensa digna dos dilemas morais explorados por Ramsay em trabalhos anteriores.
Contudo, a execução dessa jornada mental é o grande tropeço de Morra, Amor. O filme erra em concentrar todo o seu ímpeto dramático e narrativo nos primeiros 20 minutos. É nesse breve período que o espectador é bombardeado com as tensões, os questionamentos e o prenúncio da espiral psicótica de Grace. A montagem inicial é frenética e desconfortável, cumprindo a função de nos inserir no estado de espírito caótico da protagonista.
O problema é que, após essa explosão inicial, o filme mergulha em um marasmo que se estende pela maior parte da sua duração. A promessa de uma desintegração mental constante se transforma em uma repetição tediosa de cenas que não avançam a narrativa nem aprofundam a crise da personagem de forma eficaz. O ritmo arrastado da 1h30min subsequente esgota a paciência, perdendo qualquer interesse gerado no começo.

Ramsay tenta traduzir a psicose de Grace através de uma fragmentação, utilizando cortes abruptos e flashbacks desconexos para simular a sensação de que o espectador está enlouquecendo junto com ela. No entanto, o resultado é apenas confusão. Em vez de criar empatia ou imersão na mente perturbada, essa estratégia de montagem falha em estabelecer um fio condutor claro, transformando a experiência em algo negativo. O filme tenta ser visceral, com cenas violentas e chocantes, mas acaba sendo apenas opaco.
Apesar disso, outro grande acerto do filme são as atuações de Sissy Spacek e Robert Pattinson. Spacek interpreta Pam, sogra de Grace (Jennifer Lawrence), que se esforça para auxiliar a nora com a deterioração mental na maternidade enquanto enfrenta o próprio luto pela perda do cunhado e do marido no mesmo ano. Já Pattinson, inicialmente, apresenta-se como um marido amoroso e dedicado, mas, ao longo da trama, revela-se detestável devido ao constante gaslighting e às traições.
No mais, a promoção do filme demonstrava que ele se propunha a ser uma representação justa para um momento tão delicado da vida de uma mulher, mas beira o apático em como o filme foi conduzido.
Nota: 2/5



















