Entrevista | “Entendi que quem faz esse lugar ser especial é quem trabalha lá”: Carine Wallauer fala sobre “Copan”
- Giulia Meneses

- há 3 horas
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Vencedor do festival É Tudo Verdade 2025, o documentário apresenta questões políticas e sociais do edifício projetado por Oscar Niemeyer.

Desde sua inauguração em 1966, o Copan consolidou-se como um dos maiores símbolos arquitetônicos de integração e grandiosidade na cidade de São Paulo. Localizado no Centro Histórico da capital paulista, o edifício projetado pelo arquiteto carioca Oscar Niemeyer reúne, em seus corredores, apartamentos e áreas comuns, histórias que refletem um Brasil desigual e polarizado.
Partindo de sua experiência como moradora do edifício durante sete anos, a diretora gaúcha, Carine Wallauer, acompanha o cotidiano de moradores e trabalhadores do Copan para revelar diferentes visões de mundo em meio ao cenário político marcado pelas eleições presidenciais de 2022 e por uma disputada eleição sindical.
O Oxente Pipoca conversou com a cineasta sobre o processo de retratar o Copan a partir das experiências de quem vive e trabalha no edifício, além dos desafios de registrar as disputas sociais, políticas e ideológicas que atravessam um dos símbolos mais emblemáticos da arquitetura e da vida urbana brasileira. Confira a entrevista completa abaixo:
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Carine, gostaria de dizer que eu como uma sergipana, e que fui a São Paulo apenas uma vez, não conhecia o Copan. Foi maravilhoso poder conhecer aquele prédio gigante. E primeiro eu pergunto a você, o Copan já foi retratado algumas vezes como um símbolo arquitetônico. Em qual momento você percebeu que queria filmar as pessoas e não só o edifício?
Carine Wallauer: Bom, assim como você, eu não sou de São Paulo, eu sou do Rio Grande do Sul, e a primeira vez que eu vi o Copan, eu não sabia que ele era o Copan. Eu venho de uma família que não tem uma educação formal, não tem esse lugar de estudo das artes, de arquitetura, então eu conheci o Copan numa visita a São Paulo, e esse prédio mexeu muito comigo. E aí, alguns meses depois, eu consegui um trabalho em São Paulo e acabei indo morar lá. Eu morei sete anos no Copan e já morava lá há dois anos quando decidi fazer o filme. E nesses dois anos que eu já morava lá, tinha entendido muita coisa sobre o prédio pela minha própria experiência pessoal. Então, como eu não venho com esse olhar de quem vê o prédio como um marco arquitetônico, mas como minha casa, me interessava muito mais entender, registrar e compartilhar esse dia a dia do prédio mesmo, o seu funcionamento. E pelo ponto de vista dos funcionários, por um desejo pessoal de trazer essa classe social mais baixa, que também é da qual eu venho, da qual a minha família vem, e dar esse espaço de protagonismo para essas pessoas. E trazer eles para debates que interessam não só nesse micro, mas no macro. Então, eles discutem política, eles se expressam através das artes, e contribuem para que a gente entenda o prédio de fato de dentro para fora.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Como você disse, você viveu sete anos no Copan, né? Como foi essa experiência de mudar o seu olhar de moradora para diretora?
Carine Wallauer: Olha, acho que eu nunca virei essa chave. Eu acho que, no fim, as coisas foram se misturando. De certa forma, esse filme foi sendo construído ao longo desse tempo todo que eu morei lá, né? Eu vi essas pessoas, muitas delas, todos os dias. Os porteiros do meu bloco, por exemplo, são as pessoas que eu mais convivi em São Paulo. Eles sabiam tudo da minha vida, me davam conselhos. Quando eles viam que eu não estava bem por algum motivo, eles vinham e perguntavam. Então, essa barreira, essa fronteira entre o profissional e o pessoal ficou muito tênue. E eu acho que isso também contribuiu para a sensação de intimidade que o filme passa, porque eu não me colocava num lugar hierárquico acima deles. Todos os processos eram compartilhados, a gente tinha muitas conversas sobre o processo de fazer o filme. Eles sempre foram convidados a sugerir coisas, algumas cenas foram co-criadas. Para que a gente pudesse dar vazão a essa subjetividade deles. Então... Acho que não houve uma separação concreta, sabe? Eu acho que as coisas foram acontecendo naturalmente.

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): É uma pergunta que eu coloquei um pouco depois, mas como você falou disso, vou trazê-la para agora. Um dos aspectos mais fortes do filme é o nesses trabalhadores que mantêm o prédio funcionando. Trabalhadores de diversas formas. Uma coisa que me impressionou bastante, principalmente pelo fato de eu ser nordestina, são muitas pessoas que, assim como você, mesmo não sendo nordestina, que vieram de outro lugar, estão ali presentes e fazem o prédio ser o que é. O Copan serve como um espelho da cidade de São Paulo, como um local onde as pessoas fazem aquilo funcionar. Eu queria saber de você, por que é importante deslocar esse protagonismo para essas pessoas?
Carine Wallauer: Tudo que foi feito do Copan, acredito, até esse filme, dava um protagonismo para os moradores. E sempre os mesmos. Se você pegar as reportagens, majoritariamente são as mesmas pessoas que são retratadas. E como moradora do Copan, eu entendi que quem faz esse lugar ser especial é quem trabalha lá. De fato, são pessoas que vêm de outras partes do país, especialmente nordestinos. Muitos funcionários fazem parte de uma família Copan, porque primeiro veio o vô, aí trouxe o pai, agora é o neto que trabalha. São três gerações de pessoas que estão trabalhando dentro do Copan. Então, é um lugar que ele acolhe essas pessoas que vêm de fora, dá oportunidade. O seu Afonso, que foi síndico por mais de 30 anos, essa figura complexa, mas que foi uma pessoa que ajudou muito essas famílias, incentivando não só a terem boas relações dentro do prédio, mas incentivava a estudar e a buscarem novos conhecimentos. Então, a gente tem, por exemplo, um funcionário que está no filme, o Alberi, que era um pintor predial e ele se descobriu artista através das coisas que os moradores colocavam fora. Ele despertou a curiosidade dele pelas artes. O seu Afonso pagou os primeiros cursos de pintura para ele. A gente tem um outro funcionário que foi porteiro. E trabalhando no Copan, ele percebeu que a engenharia e a arquitetura eram interesses dele. E ele foi estudar engenharia. Ele se formou engenheiro e hoje não é mais porteiro, ele é engenheiro do Copan. Então, é um ambiente também de ascensão para essas pessoas que vêm de outras regiões buscando oportunidade.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Então, você falou do seu Afonso, o síndico, que é uma figura bem emblemática no documentário, e o filme acompanha não só a eleição para síndico, como a eleição para presidente. Foi uma eleição também muito emblemática para o síndico. Então, como você percebeu que essa eleição do síndico poderia revelar algo maior sobre o país?
Carine Wallauer: Bom, como moradora eu tinha essa possibilidade de assistir às reuniões de condomínio, né? Então, o fato de ser moradora do Copan, abriu muitas possibilidades que se fosse alguém de fora não teria. Para entender como esse prédio funciona, essa eleição, ela foi muito emblemática de fato. Ela durou nove horas na vida real, então foi uma coisa assim absurda…polícia foi chamada, foi um grande barraco. Quando eu gravei pela tela do computador, era pandemia, e essa reunião se deu no ambiente virtual. Eu falei com os produtores, e disse: Gente, acho que vale a pena gravar só pra gente ver o que acontece! E o que aconteceu foi simplesmente incrível e, de fato, foi um turning point para o filme. A partir dali, muita coisa mudou para mim. Inclusive, o desejo de filmar a eleição presidencial veio muito em decorrência desse processo, porque me fez questionar muito como a democracia se dá. Nesse ambiente micro ali do prédio, eu queria entender como isso ia refletir no comportamento dessas pessoas numa eleição ampliada, que foi a presidencial de 2022.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): No documentário você mostra pessoas com divergências políticas, pensamentos políticos diferentes. Como foi chegar até essas pessoas, apresentar o projeto do documentário e dizer: Olha só, eu quero falar sobre isso, mas também eu quero mostrar outros pontos de vista além do seu?
Carine Wallauer: Então, essa parte, quando toca na política, é sempre muito delicada, porque as pessoas no Brasil, especialmente, tem esse amor pelo lado que toma. Estamos num momento ainda de polarização muito forte no país, nisso o documentário se mantém atual, porque nesse lugar as coisas não mudaram tanto assim nesses quatro anos. Eu sempre busquei ser muito honesta com as pessoas que eu ia entrevistar, porque assim, mesmo que no filme Copan não tenham entrevistas, eu entrevistei todas as pessoas, eu tenho mais de 100 horas de entrevistas.
Porque era um lugar de conhecer, sabe? Só chegar com a câmera no apartamento das pessoas ou no local de trabalho delas me parecia muito invasivo. Isso é uma visão de diretor de fotografia que trabalhou em muitos documentários que faziam isso, né? Eu sempre me senti invadindo um espaço quando você não conhece essa pessoa e você chega ali com a câmera. Então, eu entrevistei todas elas e eu não expressava abertamente o meu lado nessa história. Eu sempre tratei com muito respeito, independente se a pessoa votava no Bolsonaro ou no Lula, eu votei no Lula a minha vida inteira.
Eu sou uma pessoa de esquerda, mas eu tenho interesse em ouvir o outro lado, eu não parto do pressuposto de que nós somos melhores, de que um lado é melhor do que o outro. Entendo que tem questões a serem discutidas e é preciso entender o outro, acolher o outro na diferença para que a gente possa evoluir como sociedade. Então, acho que por isso as pessoas também confiaram em mim nesse lugar. Eu nunca tratei num lugar de superioridade. Para mim era mais um lugar de debater ideias mesmo e tentar entender o que está acontecendo.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Geralmente, quando a gente vê um documentário que fala sobre questões políticas, sempre vemos aquela entrevista direta, de olho a olho. E no Copan não. Como você falou, você trouxe uma narrativa um pouco diferente. Como foi que surgiu essa ideia de não trazer entrevistas diretas e mostrar mais o ponto de vista do morador e do funcionário?
Carine Wallauer: Eu tenho interesse nas artes como um todo, tenho uma carreira de artista visual também, por esse lugar de observação, de observar o comportamento humano, a condição humana. Acho que a gente aprende muito nesse lugar de olhar para o outro, às vezes numa entrevista, a pessoa não se sente confortável, sabe, para se expor, se sente um pouco intimidada, e quando você cria uma relação onde ela pode se mostrar de outras formas, você acaba conseguindo captar algo mais subjetivo, algo mais íntimo daquela pessoa.
Para mim, tem aquela cena dos porteiros discutindo política, que eles têm visões opostas, aquela cena era muito importante, porque assim, como eu falei, eu venho de uma família que meu pai e minha mãe não estudaram. Meu pai estudou até a quarta série e a minha mãe só pôde estudar já com 40 e poucos anos, quando ela foi fazer um supletivo. Eu trabalhei em shopping muitos anos antes de ser artista. Trabalhei sete anos no shopping, e eu sempre costumo falar que assim, nem para minha família e nem para mim perguntavam o que a gente achava de política, porque supõe-se que a gente não sabe nada e não tem opinião.
Então, eu quis mostrar no filme também esse lugar de que a classe trabalhadora, sim, pensa política, discute política, e eles não estão à lista para servir. Eles estão ali vivendo como todas as outras pessoas, têm opiniões, participam socialmente e é importante que a gente escute a base. Então, nesse lugar, o filme é um convite para que as pessoas que usufruem do serviço dos outros olhem para elas também como parceiros de luta, dentro do campo da política e das mudanças sociais. Porque se fala muito de um lugar de superioridade, sabe? E se você não conversar com o trabalhador, como você pretende entender que mudanças ele quer e ele precisa?
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): O documentário mostra esses conflitos de convivência, mas não só de convivência, como de classe e de pertencimento também. O que mais surpreendeu nessas dinâmicas internas ali dentro do Copan?
Carine Wallauer: Olha, de fato, é um filme que fala muito sobre dinâmicas de poder, né? A gente tem essa figura do seu Afonso, que foi síndico por mais de 35 anos. Ele só deixou o posto porque faleceu no final do ano passado. Então, ele dedicou, de fato, a vida dele a esse prédio. Era um amor gigante. Tinham muitas questões nessa administração… Por exemplo, ele não contratava mulheres. No COPAN só homens trabalhavam sob a administração dele. Porque segundo ele, mulher dá muito problema. Então, ao mesmo tempo em que ele era um incrível líder para esses homens. Proporcionava para eles condições muito adequadas para que eles se expressassem além do trabalho. De fato, o Copan serve como uma base de discussão dessas dinâmicas e quanto elas afetam a vida cotidiana.
O seu Afonso, ele tinha uma postura bastante autoritária. Com os moradores, principalmente, muito mais do que com os próprios funcionários. Ele tinha um ponto de vista e queria que esse ponto de vista fosse aceito. Isso é possível ver na assembleia para a reeleição dele, e em como ele se coloca. Mas, em algum lugar, eu consigo entender ele, porque ele mudou o prédio para melhor nesses anos todos. Então, é muito complexo, sabe? Ele é a síntese dessa coisa da condição humana, que ninguém é completamente bom ou completamente mal. As pessoas estão seguindo o que elas acreditam. Então, nesse lugar, a gente precisa exercitar nossa empatia. Para entender que mesmo a pessoa não fazendo o que a gente quer, ela tem um porquê de estar fazendo do jeito que ela está fazendo.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Sim. O filme tem esse caráter observatório, né? Tanto de nós como público, tanto você como a diretora. Como foi decidir o quanto você deveria interferir ou não em algumas situações ali?
Carine Wallauer: Quando a cena estava acontecendo, eu nunca intervinha. Eu não pedia para repetir coisas. A gente tinha conversas prévias, principalmente com os funcionários. Eu sempre quis compartilhar o processo com eles. Tem cenas que foram sugestões deles. Por exemplo, a cena do sonho, que o Joselito, que é um funcionário da limpeza, que é surdo-mudo, ele se expressa através da dança. E eu só soube que ele dançava porque um outro funcionário me mandou um vídeo e me contou. “Você sabia que ele dança?” Então teve esse processo de colaboração na cena que o Beri toca violino. Eu não sabia que música ele ia tocar.
Sabe assim, as coisas aconteceram. No fim dos contos é um documentário, né? Ele é um documentário com uma preparação, com uma troca, mas ainda assim as coisas que aconteceram ali, elas aconteceram de verdade, sabe? Seja um sonho de alguém que a gente só materializou. Então ainda pra mim faz parte do aspecto do real. Porque eu não acho que a realidade é só aquilo que a gente toca, a realidade é o que a gente sente. E eu acho que isso tá no filme também, assim, nessa construção coletiva.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): E com os moradores do Copan, teve algum momento que você se surpreendeu assim? Porque você mostra diferentes tipos de moradores, né? Tinha o Mágico, se eu não me engano, e tinha outra menina que produzia conteúdo adulto. Como foi essa dinâmica diferente com os moradores?
Carine Wallauer: Foi incrível conhecer os meus vizinhos por esse outro lugar. Mesmo tendo 5 mil pessoas no Copan, ele é um lugar muito silencioso e muito organizado. As pessoas são muito discretas nas suas vidas, dentro dos seus apartamentos, então você não faz ideia do que acontece ali, e quando as pessoas topam o convite e aceitam se mostrar, é muito bonito. A gente filmou muito mais pessoas, nem todo mundo entrou no corte final, porque no fim das contas é uma hora e meia de filme e eu fiquei cinco anos filmando. Então tiveram muitos personagens incríveis. Como você falou, tem a menina que faz conteúdo adulto em casa, tem o mágico, tem uma cena que eu amo, que é uma avó jogando dominó com o netinho.
Ela é uma personagem incrível, infelizmente faleceu um pouco antes da estreia do filme, mas a família inteira dela foi ver, foi muito catártico e muito especial. Ela foi uma senhora que era empregada doméstica dentro do Copan, que foi prestar serviço para outros moradores, e pôde comprar um apartamento lá. Então, esse é muito bonito também. Essa dinâmica das classes, ela realmente está o tempo inteiro em jogo nesse filme. Porque também corresponde a uma expectativa do próprio arquiteto que pensou esse projeto. O Niemeyer, ele era um comunista, ele queria que esse projeto desse conta desse ideal de que as diferentes classes sociais conviveriam em harmonia.
O Copan, por um lado, tem uma certa diversidade, mas é quase uma utopia, assim, não foi completamente concretizado esse sonho. Então, nesse lugar também o filme fala muito desses sentimentos todos, do sonho, da frustração, do desejo, do poder. São palavras-chave que fazem parte do nosso cotidiano enquanto seres humanos.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): E agora, 2026, ano de eleição, estamos ainda num Brasil muito polarizado, você já pretendia lançar esse filme em um ano de eleição? O que você espera que as pessoas do Brasil absorvam com o filme e reflitam nesse período eleitoral?
Carine Wallauer: A gente não tinha planejado o lançamento especificamente para esse ano de eleição, porque, enfim, tem questões econômicas que envolvem o lançamento de um filme, então a gente não consegue prever um filme pequeno, independente como esse. Não dá para a gente prever passo a passo, as coisas vão acontecendo. Achei muito fortuito ter acontecido nesse momento, pré-eleição. Acho que, de fato, as discussões do filme seguem atuais.
Então, eu acho que esse filme pode contribuir para a discussão atual dos rumos que o Brasil vai tomar politicamente, para a gente se entender também dentro desse processo democrático, entendendo o nosso papel de cidadão dentro desse contexto. Pensar também, não só na eleição nacional, mas em como as nossas decisões no cotidiano afetam essa dinâmica. E se colocar de fato como protagonistas da nossa própria história, sabe? Se a gente não pode mudar o Brasil, o mundo, que a gente consiga mudar o nosso entorno. Que a gente consiga fazer um lugar melhor para todos ao redor poderem existir.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Por último, nós do Oxente Pipoca sempre pedimos para nossos entrevistados indicarem três filmes brasileiros.
Carine Wallauer: Pode ser um documentário? Bom, eu vou indicar o mais óbvio de todos quando a gente fala em prédios, que é o Edifício Master. Apesar de a linguagem do meu filme ser bem diferente da linguagem do Coutinho, ele é uma grande referência. Então, se o filme despertar a curiosidade nesse lugar, de como é falar sobre um prédio e quem vive nele, acho que é fundamental assistir o Edifício Master.
Acho que o primeiro filme que me marcou na minha infância foi um curta-metragem, que é a Ilha das Flores, do Jorge Furtado. Também recomendo que as pessoas assistam. É um filme muito especial e que formou a carreira, formou o gosto de uma geração inteira, que eu me incluo, que é a geração que era nas escolas. Então, eu acho legal rever.
E eu sou muito fã do Karim Aïnouz, então eu recomendo todos os filmes do Karim. Eu acho que ele consegue alinhar uma narrativa muito forte com uma linguagem muito única também. Então, é um artista muito completo, sabe? Posso recomendar vários filmes dele. Talvez o primeiro que me tocou foi o Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo. Mas acho que toda a cinematografia dele. Sou muito fã.



















