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  • Entrevista | “O cinema é o que a gente quiser que seja. Precisamos destruir essa ideia de que o que é popular não é bom”: Gabriela I. Gaia fala sobre Revelação

    O terceiro curta da trilogia da diretora carioca comercializa o ritual do Chá Revelação e aprofunda questões como gênero e pertencimento. Divulgação Entre os destaques do 54º Festival de Cinema de Gramado, o curta-metragem Revelação, da diretora Gabriela I. Gaia, apresenta uma divertida discussão sobre identidade e descobrimento, enquanto satiriza tradicional cerimônia em que os pais e convidados descobrem o sexo do bebê que vai nascer. A trama acompanha uma câmera, e cinco personagens peculiares que se preparam para um chá revelação, transformando o momento em um dilema sobre identidade e pertencimento. É a partir de toda essa mistura que o filme constrói uma comédia afiada sobre performance, raça, gênero e pertencimento no Brasil contemporâneo, transformando a celebração íntima em uma sátira bem-humorada sobre a vida performada nas redes. Revelação é o terceiro curta da chamada Trilogia do Encontro, composta por Afeto (2019), codirigido com Tainá Medina, e Escasso (2022), codirigido com Clara Anastácia e vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival do Rio. Este ano, o filme estreou na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens do 54º Festival de Cinema de Gramado, em 20 de agosto, com a presença especial de toda a equipe e do elenco. O curta também integrou a programação do 37º Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Kinoforum e do Festival do Rio 2026. Em entrevista ao Oxente Pipoca, a diretora falou sobre o processo de criação do filme, nascido do encontro com o ator Lorre Motta, e sobre como o boom dos chás de revelação nas redes sociais serviu de ponto de partida para uma história em que ninguém é exatamente bom ou mau. Gabriela também comentou o uso da câmera como elemento narrativo e a escolha por uma linguagem popular e heteronormativa, próxima da TV aberta. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Como nasceu a ideia de comercializar o Chá Revelação (na verdade, a gente já faz um pouco disso) e transformá-lo em um cenário para discutir raça, gênero e identidade? Gabriela I. Gaia: Eu acho que, como cineasta, toda vez que a gente faz um filme, sobretudo um filme como esse, ou como o Escasso, meu filme anterior, ou mesmo o Afeto, que é o primeiro da trilogia e ficou pronto em 2019, é um tiro no escuro. O Revelação é o terceiro filme de uma trilogia. Então, de alguma forma, ele é a culminação do que eu vinha experimentando desde o Afeto, um filme em que eu tensionava as questões de gênero e de planejamento público. Eu falava sobre arquitetura e ocupação feminina do espaço público a partir de um documentário experimental. Depois, quando a Clara Anastácia me chamou para fazer o Escasso, ela me apresentou o poder do riso e como ele consegue contagiar e construir discursos extremamente politizados, mas não necessariamente políticos. Esse é um filme que fala sobre festa e que nasceu de forma muito despretensiosa. A leveza com que o projeto veio ao mundo também se transmite na tela: a leveza com que a gente consegue abordar temas tão sérios e que, em última instância, ferem e matam pessoas de gênero dissidente, pessoas postas à margem da sociedade. O filme nasce de um encontro meu com o Lorre Motta, que é o protagonista e um ator transmasculino. A gente se encontrou no Festival de Tiradentes, em 2023. Eu estava com o Escasso e ele estava com outro filme de uma galera super legal do Rio; nesse caso específico, o filme do Lorran Dias. A gente acabou voltando junto. Ficamos aquelas cinco horas num espaço de extrema intimidade, que é um carro, com duas pessoas. A gente não se conhecia, embora os dois sejamos cariocas e pessoas que fazem cinema periférico, mas viéssemos de subúrbios e periferias muito distintos e de convivências muito distintas. Começamos a pensar: e se a gente fizesse um filme juntos? O que a gente faria? Talvez algo menos ancorado nas nossas proximidades e mais nas nossas diferenças. E como criar uma história debochada, crítica e que também gozasse tanto da opressão quanto da vida? Tem esse lugar da celebração, da festa, que era muito importante para a gente e para as nossas famílias, onde fomos criados, e que a gente queria trazer para a tela. Então começamos a conversar e entendemos que existia esse interesse em comum: o dele, como ator e pessoa transmasculina sempre chamada para fazer personagens de drama, como se a comédia não pudesse carregar a sua crítica social e o seu poder de mudança. E eu, como diretora, fui provocada por ele: "Então, vamos fazer um filme de comédia?" E aí chegamos a esse lugar em comum. A gente adorava ver vídeos na internet de chás de revelação que deram errado. Tem uma coisa que a gente quis trazer na concepção do filme. E, quando digo "a gente", é porque eu chamo esse filme de o terceiro da trilogia do encontro. Começou com Afeto, depois Escasso. São filmes que nascem justamente dessa fricção, desse desejo, com atores que me instigam a pensar propostas de filmes. Então, não dá para pensar em Revelação sem pensar nessa teia de talentos que eu costurei para fazer essa festa acontecer. Quando começamos a pensar Revelação, começamos a pensar no que esse boom dos chás de revelação revelava sobre a nossa sociedade contemporânea. E a entender como a festa, que é um elemento fundamental para a sociabilidade das periferias do Brasil, estava sendo usada, de alguma forma, para reforçar padrões retrógrados. Comecei a pesquisar e entendi que os chás de revelação são um ritual que surgiu nos anos 2010, nos Estados Unidos e, como a gente adora copiar uma mania dos Estados Unidos e elevá-la à máxima potência, fizemos isso com maestria. É um ritual muito ligado à dinâmica das redes, né? O importante não é celebrar uma vida, é celebrar uma revelação, uma informação que só você tem sobre esse bebê que vai vir ao mundo. E construir um espetáculo que seja televisionado, no caso filmado, gravado, e que gere curtidas. E aí você vai desde as famílias pequenas, como a minha, em que tive o primeiro contato com o evento de chá de revelação, que foi a festa da minha sobrinha, no play do nosso condomínio, um conjunto habitacional na Tijuca, onde eu nasci e cresci. De repente, eu estava chorando aos prantos, vendo a minha prima, que tem a mesma idade que eu, estourar a caixa de um balão de onde saiu fumaça rosa. Então tive essa experiência pessoal, mas recentemente teve também o chá de revelação do Neymar, do Endrick, da Ludmilla, e todo esse balaio foi entrando na construção de um filme que não é sobre a festa, mas sobre a preparação de uma festa. E, mais do que isso, sobre o jogo de interesses entre todas as pessoas envolvidas. Então, eu acho que é um filme sobre o desejo de celebrar, mas também sobre o perigo de celebrar sem se questionar o porquê. Nesse balaio, a gente coloca o lugar da tokenização, uma branquitude muito ávida por captar identidades e se manter no poder. Coloca esse casal de influenciadores que querem dar o melhor para o filho, mas também querem monetizar em cima dessa gravidez. Coloca o próprio Cris, que a gente tentou construir não só como o bonzinho, mas como uma pessoa que escolhe ficar pela grana nesse ritual com o qual não concorda moralmente. Nosso interesse era construir uma história em que ninguém fosse exatamente bom ou mau. Por isso a gente fala de um filme que se passa nos anos de surto, que são os nossos anos, o momento em que vivemos. Acho que é um pouco isso. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Os personagens são bem diferentes, né? Além da celebração em si, o título Revelação carrega vários sentidos. Queria saber como eles se relacionam com o que os personagens estão revelando ao longo do curta. Gabriela I. Gaia: Nossa brincadeira com o título, para além do chá de revelação, é que a revelação do sexo do bebê, no filme, é o que menos importa. O que a gente está mais interessado em revelar são justamente essas dinâmicas de poder. E fomos desdobrando isso para cada um dos personagens. Temos o Cris, essa pessoa não binária que está sendo usada como token pela agência, sem saber. De alguma forma, a presença dele é o grande catalisador que revela as tensões entre todos os personagens. Temos a Adriana, que eu sempre apresento como uma branca sem noção, mas que muitas vezes tem muita noção, né? Ela tem consciência dos absurdos que propaga ou da forma como capitaliza em cima da identidade alheia. As Adrianas estão por aí, nos nossos mundos, muito mais perto do que a gente gostaria de admitir, e, sobretudo, em nós. Então, a Adriana também revela a branquitude, a cisgeneridade e como esses sistemas de captura operam. Temos a Carla, a suposta amiga do Cris, que também está completamente envolvida nessa trama com a tia. Ela revela um pouco esse jogo de interesses. E há uma segunda trama que, por ser um curta, a gente não consegue aprofundar tanto, mas que me interessa muito: a relação pregressa da Fernanda, que é a grávida, com o Cris. Acho que ele fica ali um pouco para tentar conseguir uma grana, mas, quando encontra a cliente, de fato, algo acontece para os dois. Talvez essa seja a revelação que mais me interessa: a revelação de dois ex-colegas. A gente deixa em aberto qual era a relação que eles tinham antes, mas que se vê em cada um, à sua forma: ele transicionando, ela prestes a parir, com o corpo mudando de forma. E tentando entender o que essas transformações corporais revelam sobre eles ou sobre as escolhas que tomaram. E temos ainda o Roger, esse homem negro que está tentando ser o melhor pai e o melhor marido, mas que também está completamente envolvido nessa masculinidade extremamente tóxica. Acho que ele revela um pouco desse binarismo também. Ele joga junto com a Adriana e a Carla nesse lugar do binarismo, de reforçar se o bebê é menino ou menina, de criar essa tensão em cada um dos espectadores. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Uma coisa muito legal também é o jogo de câmera, que tem um papel fundamental em toda a narrativa. O que muda quando os personagens sabem que estão sendo filmados? Há algo que quebra a quarta parede. Como essa escolha contribui para falar sobre identidade e sobre aquela performance? Porque é tudo uma performance. Gabriela I. Gaia: Cara, você sabe que isso me interessa muito. Não tenho uma resposta pronta, porque acho que é uma investigação em curso. Mas revelar a presença da câmera numa cena é algo que eu venho investigando desde o Afeto, cada um à sua forma. No Afeto, a gente tinha uma câmera extremamente performática, que levava o espectador a se sentir dentro de uma rua vazia ou de uma rua cheia, com essa claustrofobia, essa insegurança. No Escasso, a gente tinha esse cameraman, que tinha um jogo muito grande com a protagonista. E tinha essa diretora, que era muito fã dela e que, a todo momento, era dirigida pela personagem. Mas ele era um interlocutor, o que é diferente do Revelação, porque era um interlocutor de intimidade, já que estávamos falando de um cameraman, que era um homem negro, e de uma personagem filmada, que era uma mulher negra. Então, ela estabeleceu uma cumplicidade com a câmera e uma oposição à diretora. Agora, no Revelação, essa câmera é meio dúbia para capturar a imagem do Cris. Ela não é necessariamente amiga do Cris, não é uma câmera amigável com ele. Ela é uma câmera de captura. Mas, ao mesmo tempo, diante dos absurdos, o Cris vai jogando com essa câmera. Por exemplo, no roteiro do filme, sobretudo nos ensaios, sempre tentei estabelecer essa câmera de modo que o personagem Cris, o protagonista, duvidasse dela, porque só tem ela como escape, até que aparece o bebê e eles começam a se conectar. O que está me deixando muito feliz com a recepção desse filme é que eu experimentei, com a câmera em Revelação, uma linguagem extremamente heteronormativa e, portanto, comercial. É uma linguagem que se assemelha muito às séries de TV norte-americanas e às séries infantis que eu e muitas crianças suburbanas víamos na TV aberta. Isso me deixou muito animada. Foi uma grande experimentação para mim e para toda a minha equipe, que é majoritariamente queer, racializada e periférica. Foi muito divertido tentar fazer a norma. Mas a minha maior insegurança era como o público receberia isso. Conforme a gente vai adentrando os espaços de cinema, entende que existe uma linguagem lida como cinematográfica e uma linguagem lida como menor, menos importante. E essa linguagem, em geral, é o que entendemos como linguagem popular. Então, se você está fazendo um filme com uma linguagem que dialoga, flerta com as telenovelas, com a televisão aberta, em geral ele é percebido como menor, como não digno de ser classificado como cinema. Essa era uma insegurança nossa. Cheguei a ouvir isso de alguns amigos quando mostrava o corte em processo: "Ah, legal, mas poderia ser um programa que ia estar na TV." E eu tenho reivindicado muito isso. Falei disso quando ganhamos os prêmios em Gramado: o cinema é o que a gente quiser que seja. E acho que a gente precisa destruir essa ideia de que o que é popular não é bom, de que o erudito é o que é europeu, o que passa no festival internacional, o que está longe da gente, das nossas famílias suburbanas. É lindo ver como as pessoas têm se afeiçoado ao filme, mesmo com uma linguagem que ousa brincar com a cisgeneridade dentro da cinematografia. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Para finalizar, sempre pedimos aos nossos entrevistados que indiquem três produções brasileiras para o nosso público. Gabriela I. Gaia: Acho que a primeira de todas é Adirley Queirós. Eu traria o último filme dele, Mato Seco em Chamas. Eu amo de paixão. Ele parte de uma premissa fantástica para falar sobre a realidade em que vive, a mesma que as pessoas do lugar onde ele mora experienciam. Então, eu começaria pelo Adirley. Tem também um curta. Estou começando agora a entender o que está passando nessa safra, então não vou me comprometer tanto com ela; vou falar mais do que consumi nos últimos tempos. Chama-se Remendo, e a cineasta é a GG Fákọ̀làdé, do Espírito Santo. Acho que é uma galera que está fazendo um cinema queer incrível.

  • Entrevista | Galinha Pintadinha no cinema: criadores revelam detalhes do primeiro longa em 3D da galinha mais conhecida do Brasil

    Em papo exclusivo com o Oxente Pipoca, Juliano Prado e Marcos Luporini contam como transitaram dos vídeos do YouTube para a tela grande em uma animação monumental. Divulgação Galinha Pintadinha, primeiro longa-metragem de animação em 3D baseado no fenômeno infantil criado por Juliano Prado e Marcos Luporini, chega aos cinemas no dia 1º de outubro. Colocando no centro da narrativa temas como maternidade, coragem, empoderamento e a união entre famílias, o filme acompanha os desdobramentos de uma insólita troca de ovos na saída da cegonha. A trama conduz a protagonista em uma jornada de superação e descobertas, trazendo um momento inédito e muito aguardado pelos fãs: a ocasião em que a Galinha finalmente ganha voz e passa a falar. Para falar sobre o longa, o Oxente Pipoca conversou com Juliano Prado e Marcos Luporini durante o junket de lançamento. No papo, os criadores detalham os bastidores da produção realizada ao longo de quase dois anos, o desafio de migrar do 2D para o 3D e o simbolismo por trás do empoderamento da personagem. Isadora Granato (Oxente, Pipoca): A minha primeira pergunta é sobre essa questão do engajamento com o público infantil. A minha irmã é autista não verbal e o que ela mais gosta na Galinha Pintadinha são as músicas. Ela consegue acompanhar com o ritmo, com as letras de cantigas que a gente já conhece e as autorais. Como foi essa transição de uma produção de conteúdos conhecidos no imaginário infantil para o formato de filme, que é mais longo e talvez tenha mais dificuldade de prender a atenção das crianças? Marcos Luporini: O que fez a gente pensar em fazer um filme foi encarar o desafio. Fazer um filme por si só já é bastante difícil por ser uma obra longa, tem suas características peculiares. Tivemos a preocupação de ter cara de filme e não parecer uma mera extensão da obra no cinema para ganhar uns trocos a mais. Pensamos numa história fílmica, com visual fílmico. Então a gente resolveu encarar esse desafio. Levo sempre em consideração os fundamentos da história, da música e os personagens que as crianças já gostam. Acreditamos numa história simples e complexa ao mesmo tempo, para que diferentes gerações possam acompanhar, porque a Galinha é transgeracional. Tinha todas essas camadas. É nisso que a gente tá apostando. Se vai dar certo, vamos saber assim que estrear no cinema, mas aposto que sim (risos). Isadora Granato (Oxente, Pipoca): Eu tô apostando também que sim. Eu tive a oportunidade de assistir ao filme em uma das cabines e foi maravilhoso. É realmente um filme para aproveitar com toda a família. Lá em casa todo mundo já tá avisado para ir assistir." Marcos Luporini: Obrigado. (risos) Isadora Granato (Oxente, Pipoca): E como está sendo transformar o formato em 2D do YouTube para o 3D no cinema, trazendo essa estética visual nova sem perder o que já conhecemos da Galinha Pintadinha? Juliano Prado: Foi um desafio grande porque a Galinha foi desenhada em 2D, plana. Teve um trabalho inteiro de dar uma dimensão a mais para todos os personagens. Em termos de produção e complexidade, foi uma experiência incrível. Estávamos acostumados a formatos menores, como historinhas de 5 ou 6 minutos na série, pois o cinema tem 70 minutos. Já tínhamos tido alguma experiência com o teatro contando umas histórias um pouco mais elaboradas, mas a linguagem do teatro é muito diferente da linguagem do cinema. Ficamos quase dois anos só na história para ficar bem legal, pois na animação você precisa acertar tudo antes. Encontrando as vozes e tudo mais. Foi um trabalho de aprendizado muito legal. Acho que tenha sido a maior animação já produzida aqui no Brasil, com a produtora Hype no 3D e muitos profissionais empolgados de estarem trabalhando em uma animação 3D brasileira e da Galinha. Além dos talentos que todos tem, tem também a empolgação e a boa vontade de fazer um filme legal e eu acredito que deu certo. Marcos Luporini: Agora em relação ao visual da Galinha, uma coisa que eu gosto de apontar sempre assim é que a Galinha tem essa característica icônica dela. entendeu? Então, qualquer criança consegue pegar uma caneta azul, fazer uma crista vermelhinha ali e colocar umas pintinhas. Juliano Prado: Já vira a Galinha. Marcos Luporini: Já é a Galinha Pintadinha, entendeu? Então, é uma coisa que eu acho que conta a favor do personagem. Então, assim, você batendo o olho, não tem muito perigo. Você olhar e falar: "Ah, é a Galinha Pintadinha". Sem dúvida é, ah lá. Tô vendo as pintinhas tá azulzinha lá, com as pintinhas, é a Galinha. Juliano Prado: Mas é engraçado que mesmo assim a gente tem essa essa nova linguagem que a gente vai, claro, trabalhar, explorar, mas assim, a linguagem da 2D, ela ainda tem muito valor, né? É o que conecta muitas vezes com a criança menor. É um formato de música, tal. Então, realmente, são duas coisas que não brigam, acho que convivem bem. Uma tem certa função ali, essa coisa da simplicidade, da tela menor. E o cinema tem a riqueza de detalhes, tudo mais, a riqueza da profundidade da história. Isadora Granato (Oxente, Pipoca): E assistir a Galinha na Tela Grande, né? Juliano Prado: Hoje foi a primeira vez que a gente assistiu assim, com o som, com a Tela Grande. A gente assistiu um pedaço de som, um pedaço agora, mas tudo junto, hoje foi a primeira vez. A gente só não se surpreende com a história porque a gente já viu 100 vezes, né? (risos) Tinha hora que eles estavam lá subindo, é, aquela perseguição, tal. Eu já sabia exatamente onde ia acabar, né? Mas as pessoas ficam “Como? Quando e como ia acabar?” Marcos Luporini: Tem esse problema de assistir o filme, a gente que faz o filme, você vai se distanciando cada vez mais das surpresas do filme, né? Juliano Prado: Por isso que é legal ver assim, né? Com outras pessoas. Marcos Luporini: Com outras pessoas, né? Onde ri, né? Onde ri, onde não ri, se a piada funcionou. Isadora Granato (Oxente, Pipoca): Sobre essa questão do roteiro: A Galinha Pintadinha, como você falou, tem a série, o musical, o teatro. São várias pequenas histórias que contam com essas cantigas, né? De onde surgiu a ideia de trazer esse tema central da coragem pro roteiro e qual foi a inspiração de vocês para decidirem que a gente ia ter primeiro: que a Galinha ia falar, que para mim foi uma das maiores surpresas, porque eu tô acostumada com a Galinha Pintadinha ser muito participativa nas canções, mas não canta, né? E como foi escolher esse tema, que é um tema muito importante para trazer para as crianças, né? Como foi essa decisão de roteiro de vocês? Marcos Luporini: Para criar a história, desde o começo apostamos em ter uma boa história para contar. Fizemos uma mesa de criação com roteirista, comediante e desenhista. E com isso fomos pescando idéias de histórias. Quando apareceu a ideia da troca de ovos, deu um 'clique'. E essa história naturalmente ela tem abertura para diferentes temas, né? Eu costumo sempre falar que eu sempre vi notícia de bebê trocado na maternidade, depois o pessoal vai destrocar o bebê. E sempre me chamou muita atenção: "Nossa senhora, como será que é, né?". As famílias ficam para sempre conectadas quando isso acontece. Não tem como, né? Então, é uma história bonita. É uma história muito interessante, nesse sentido e simples ao mesmo tempo. E em relação à coragem da galinha, uma coisa que a gente bateu muito na tecla muito é que a galinha tinha que protagonizar a história, entendeu? Que ela fosse se empoderando durante a história. É uma história de empoderamento, na verdade, da Galinha, né? Acho que o fio condutor é isso, né? E ela falar num determinado momento, ganhar voz, acho que é uma metáfora muito bacana para isso. Ela é, finalmente ela fala, consegue se expressar o que ela tá pensando, quem é ela, tal. Então, foi meio que por aí que a gente foi chegando. E o tema central da coragem… Juliano Prado: É, porque assim, o público geral da Galinha são essas famílias recém-formadas às vezes, né, com filho pequeno. E eu acho que essa questão é uma jornada da Galinha se tornando mãe. Ela queria se tornar, estava quase ali, mas deu nisso. E as galinhas tem essa coisa de não voar, não ser corajosa, né? Então, ali a gente meio que colocou essa jornada da maternidade. Acho que as mães também se identificam. E a coragem foi a chave, né? Ela tinha até um amuleto. Então, assim, acho que é o que falta nela, né? O que ela vai ter que conseguir atingir no final. Essa jornada e essa necessidade da ação. Isadora Granato (Oxente Pipoca): Eu acho que isso foi uma das coisas que mais me deu vontade de assistir em família o filme. De poder perceber que todo mundo vai poder se identificar um pouco com alguma parte, eu achei interessante. Juliano Prado: Quando a gente fez a história a gente pensou um pouco que tem crianças pequenas que talvez não peguem essas nuances, mas pegam a história da aventura da troca do ovo e tem essas coisas do casal, do pai e da mãe, né? Tem coisas ali que são meio que um pouco da sociedade, né? Que a gente traduz ali para a fábula. Marcos Luporini: Tem um pouquinho de medinho, que a criança vai ter que ter coragem também. Tá tudo lá, mas não pode dar spoiler, hein? Isadora Granato (Oxente Pipoca): A Galinha Pintadinha já foi traduzida para inúmeras línguas e já foi reproduzida em vários países e como tá o planejamento de vocês pro filme nessa questão? Juliano Prado: Tá bem nessa fase do planejamento. A gente, a gente deu a prioridade aqui pro Brasil, né? Que a gente tem os nossos fãs e os parceiros todos. E a gente tá lançando aqui agora e logo na sequência partindo aí para uma missão de internacionalização, né? A Galinha é muito famosa na América Latina, tem bastante audiência nos Estados Unidos. Trafega lá até pela Ásia. Então, a gente acha que o filme que a gente fez, pensando assim, você não precisa conhecer a Galinha Pintadinha, né? Não precisa saber como é que é a história. É uma história que se você pegar do zero é uma história universal, né? Claro que você vai conhecer os personagens pela primeira vez, as músicas pela primeira vez. Então, a gente tá acreditando muito que vai ter esse potencial e a gente mais uma vez quer, assim como a gente fez com as músicas, tentar exportar um pouquinho de cultura brasileira, né? Acho que a gente tá fazendo bonito. Vamos começar essa experiência agora. Isadora Granato (Oxente Pipoca): E mais uma vez. Maravilhoso. Eu espero realmente que a gente consiga exportar isso aí porque eu acho a Galinha Pintadinha uma ótima representação do que a gente tem de melhor do Brasil. Marcos Luporini: É isso aí. Juliano Prado: É, então, a gente no fim tem esse orgulho, né? E espero que as pessoas também quando assistirem e verem que tá legal, também sintam isso. É uma coisa brasileira, é difícil fazer animação, é muita gente, é caro, né? Os artistas são heróis mesmo, porque assim, é um mercado que ainda é difícil de você achar muitas oportunidades. A Hype, que é a produtora de 3D que fez [trabalha] com pessoal muito bacana, ficou muito satisfeita com o trabalho. Isadora Granato (Oxente Pipoca): Eu como espectadora também fiquei muito satisfeita (risos). Marcos Luporini: Ah, que bom, né? A parte mais importante é essa mesmo, o público final gostar. Isadora Granato (Oxente, Pipoca): Digno de produção internacional mesmo. (risos) Juliano Prado: Ó, que legal isso. A gente tentou. (risos) Isadora Granato (Oxente, Pipoca): Muito obrigada pela oportunidade. Marcos Luporini: Obrigada você. Obrigado pelas palavras, viu?

  • Netflix divulga trailer e data de estreia de 'Dom de Iludir', novo melodrama com Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta

    Produção estreia em 28 de outubro com um enredo instigante, em que uma série de segredos e manipulações atravessam duas famílias no Rio de Janeiro. Imagem: Divulgação A Netflix divulgou nesta quarta-feira (30) o trailer de Dom de Iludir, sua nova série de melodrama, que estreia em 28 de outubro. Estrelada por Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta, a produção tem direção de Mauro Mendonça Filho e se passa no Rio de Janeiro. Com 10 episódios, a série acompanha Lúcia Rossetti (Marieta Severo), uma colecionadora de obras de arte que busca desesperadamente uma cura para a doença desconhecida de sua filha, Maíra Rossetti (Alice Wegmann). Na tentativa de encontrar uma solução, Lúcia recorre a uma terapeuta espiritual, interpretada por Nanda Costta. Quando Lúcia percebe que foi vítima de um golpe, a situação acaba revelando uma rede de segredos que conecta duas famílias. A trama aborda relações marcadas por amor, controle, ressentimento e culpa, enquanto os personagens precisam lidar com as consequências das escolhas feitas ao longo da história. Além do trio protagonista, o elenco reúne José de Abreu, Felipe Camargo, Luciana Paes, Laila Garin, Rui Ricardo Diaz, Heloisa Jorge, Allan Souza Lima, Jonas Bloch, Giovanna de Jesus, José Mata, Thiago Justino, Hamilton Dias, Laura Vick, Yanna Lavigne e Rosanna Viegas. ‘Dom de Iludir’ é uma produção da Conspiração para a Netflix, com produção associada da Amaia. A série foi criada por Diane Maia e Mirna Nogueira, que também assina como roteirista-chefe. Os roteiros são divididos entre Mirna Nogueira, Carol Rodrigues, Felipe Sholl, Josefina Trotta e Pedro Riguetti. A produção é de Renata Brandão e Luísa Barbosa, com produção executiva de Diane Maia e Tania Pacheco. A direção episódica fica por conta de Gabriela Amaral Almeida e Daniela Carvalho. Dom de Iludir estreia em 28 de outubro na Netflix.

  • 'Feito Pipa' e outro filmes brasileiros selecionados para o Festival de Berlim 2026

    Dez longas nacionais foram confirmados como parte do maior festival de cinema de início de ano Divulgação O cinema brasileiro chega com força total ao Festival de Berlim 2026. Ao todo, dez longas nacionais foram selecionados para integrar a programação do maior festival de cinema do início do ano, em diversas mostras. Destaque para o filme de Grace Passô, que marca sua estreia na direção de longas-metragens e foi selecionado para a Mostra Perspectives, uma das mais prestigiadas do evento, dedicada a revelar novos realizadores. Confira todos os filmes selecionados para a Berlinale 2026: Divulgação • Nosso Segredo (Grace Passô) Uma família vaga pela própria casa em silêncio, tentando reconstruir a vida após uma perda recente. Cada um lida com o luto sozinho, até que o filho mais novo revela um segredo que os faz perceber que precisam se unir, com amor e coragem, para desafiar a dor do luto. Divulgação • Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha (Janaína Marques) No zumbido silencioso de uma ressonância magnética, Rosa (50) é orientada a evocar uma lembrança feliz. Em uma viagem pelo seu subconsciente, ela revisita o passado e reconstrói um episódio que nunca viveu: uma travessia com sua mãe, Dalva, mulher livre e irreverente que chegou a ser presa por matar um homem prestes a cometer um feminicídio. Crescida na ausência da mãe, Rosa carrega culpa e medo dessa história. Agora, suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela imagina um reencontro que se transforma em tentativa de cura e reconciliação. Divulgação • Feito Pipa (Allan Deberton) Gugu é um menino de quase 12 anos, sonhador e apaixonado por futebol, que vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade. A relação do garoto com o pai Batista é difícil, feita de ausências, expectativas e afetos não ditos. Avó e neto moram sozinhos ao lado da barragem de Araújo Lima que, após anos de seca, começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona lembranças que mudaram a vida da família. Divulgação • Se Eu Fosse Vivo... Vivia (André Novais Oliveira) Gilberto (Norberto Novais Oliveira) e Jacira (Conceição Evaristo) prometeram envelhecer juntos – na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. Até que a morte os separe. Divulgação • Isabel (Gabe Klinger) Isabel, uma sommelière em São Paulo, sonha em se livrar do chefe e abrir o próprio bar. Quando os planos não saem como esperado, ela precisa decidir se para tudo ou se dá passos ousados para desarrolhar o próprio destino, nos seus próprios termos. Divulgação • Quatro Meninas (Karen Suzane) Quatro meninas escravizadas sonham com a liberdade. Quando uma reviravolta coloca suas vidas em risco, elas decidem fugir. Para sua surpresa, suas senhoras descobrem o plano – e insistem em ir junto com elas. Divulgação • A Fabulosa Máquina do Tempo (Eliza Capai) No árido sertão brasileiro, meninas crescem suspensas entre os passados difíceis de suas mães e sonhos fantásticos de futuro. Em um lugar onde os homens ainda são vistos como gigantes em comparação às mulheres, elas atravessam o limiar da infância para a adolescência. Divulgação • Papaya (Priscilla Kellen) Papaya, uma pequena semente na floresta amazônica apaixonada por voar, precisa estar sempre em movimento para não criar raízes. Mas, ao descobrir o poder de suas próprias raízes, ela desencadeia uma revolução que transforma seu mundo e realiza seus sonhos de forma inesperada. Divulgação • Floresta do Fim do Mundo (Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa) No curta, Suely, uma mulher indígena que vive em uma grande cidade brasileira, passa seus dias em um pequeno apartamento. Em seus sonhos, ela se comunica com uma floresta e se conecta a segredos de um mundo que atravessa mudanças radicais. Dirigido por brasileiros, mas não é produção brasileira: Divulgação • Rosebush Pruning (Karim Aïnouz) 🇮🇹🇩🇪🇪🇸 Em uma vila espanhola, os irmãos americanos Jack, Ed, Anna e Robert vivem mergulhados no isolamento e na fortuna que herdaram. Quando Jack decide se mudar para morar com a namorada e Ed descobre a verdade sobre a morte da mãe, a estrutura da família começa a se desfazer. Divulgação • Josephine (Beth de Araújo) 🇺🇸 Depois que Josephine, de oito anos, testemunha acidentalmente um crime no Golden Gate Park, ela passa a agir de forma violenta para se proteger. Esse trauma emocional desencadeia conflitos entre seus pais, enquanto eles buscam justiça e uma maneira de fazê-la se sentir segura novamente. O 76º Festival de Berlim acontece entre os 12 a 22 de fevereiro.

  • Crítica | Verity

    Adaptação do best-seller de Colleen Hoover encontra boas soluções para levar sua narrativa às telas, mas perde força na construção da tensão. Imagem: Divulgação Adaptar um livro tão verborrágico quanto Verity, de Colleen Hoover, nunca seria uma tarefa simples. Grande parte da história está justamente na experiência de acompanhar uma escritora em primeira pessoa enquanto ela lê o manuscrito de outra personagem, mergulhando cada vez mais em uma narrativa em que não sabe exatamente no que acreditar. O filme consegue encontrar soluções interessantes para transportar essa estrutura para as telas, mas tropeça justamente onde a obra literária mais prende: na construção da tensão. Lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 1º de outubro, o filme acompanha Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora contratada para terminar a série de livros da famosa Verity Crawford (Anne Hathaway), que está impossibilitada de continuar escrevendo após um acidente. Hospedada na casa da autora, Lowen encontra um manuscrito que revela acontecimentos perturbadores sobre a família e passa a questionar o quanto daquilo é ficção. O filme se sai bem ao preservar a principal dúvida da história e deixar em aberto a disputa entre manuscrito e carta. Em vez de entregar uma resposta definitiva, a adaptação permite que o público escolha em que acreditar, mantendo uma das características mais interessantes do livro. As mudanças feitas para o cinema também funcionam, especialmente na tentativa de transformar uma narrativa essencialmente interna em algo visual. O problema é que essa mesma história perde parte do impacto quando chega às telas. A tensão que funciona tão bem nas páginas nem sempre encontra o mesmo espaço no filme. A direção até cria momentos de suspense, mas não consegue sustentar a atmosfera de inquietação durante toda a trama. A fotografia ajuda a construir o clima, mas também evidencia alguns dos problemas da condução do suspense. Imagem: Divulgação Ainda assim, existe algo quase camp em Verity que torna difícil simplesmente desviar o olhar. A história é exagerada, cheia de situações absurdas e personagens que parecem sempre estar escondendo alguma coisa, e o filme abraça boa parte desse exagero. É justamente aí que a adaptação funciona melhor: nem tudo precisa ser tão profundo, e Verity sabe muito bem disso. Os atores também ajudam bastante. Dakota Johnson, Josh Hartnett e Anne Hathaway são envolventes e conseguem sustentar personagens que nunca são apresentados como figuras completamente morais. Ninguém ali parece interessado em ocupar o papel de “pessoa boa” da história, e todos carregam falhas, segredos e até um certo toque vilanesco. É justamente essa falta de uma divisão tão simples entre vítimas e culpados que mantém a dinâmica entre eles interessante. Talvez seja difícil imaginar uma adaptação de Verity que agrade completamente aos fãs mais fervorosos do livro. Além das mudanças inevitáveis, existe uma questão estrutural: boa parte da força da obra de Colleen Hoover está na maneira como ela conduz o leitor pela cabeça de Lowen e pelo manuscrito de Verity. O filme encontra caminhos para reproduzir essa experiência, mas não consegue transformar toda aquela verborragia em uma tensão cinematográfica equivalente. Isso não significa, porém, que o filme deixe de funcionar. Verity tem problemas claros, mas também entende exatamente o tipo de entretenimento que quer oferecer. Há reviravoltas, personagens questionáveis, uma história deliberadamente exagerada e uma dúvida que permanece até o final. Não é preciso procurar muito além disso para se divertir. No fim, Verity talvez não consiga reproduzir nas telas toda a tensão que existe nas páginas, mas entrega uma adaptação suficientemente envolvente e, acima de tudo, divertida. Entre seus acertos e tropeços, o filme sabe que nem toda história precisa ser levada tão a sério. Nota: 3/5

  • Guia dos festivais: acompanhe todos os filmes confirmados em Toronto, Veneza, Telluride, NYFF e mais da temporada de premiações 2026

    O Oxente Pipoca reúne os anúncios dos principais festivais da temporada em um só lugar, com atualizações contínuas Divulgação O segundo semestre marca o início da temporada dos grandes festivais internacionais, responsáveis por apresentar boa parte dos filmes que disputarão espaço na corrida pelo Oscar e nas principais premiações da crítica. Nas próximas semanas, eventos como o Festival de Veneza, o Telluride Film Festival, o Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) e o Festival de Nova York (NYFF) anunciarão suas programações. Ao longo desse período, esta matéria será atualizada com todos os títulos confirmados. Filmes de cineastas como Pedro Almodóvar, Ryûsuke Hamaguchi, Hirokazu Kore-eda, Danny Boyle, Mike Leigh, Lee Chang-dong, Rodrigo Sorogoyen, Cristian Mungiu, Takashi Miike, Jesse Eisenberg e Andrey Zvyagintsev, além de documentários e estreias de diretores estreantes. Nomes brasileiros como Allan Deberton e Gabriel Martins também são esperados em algum dos festivais. Atualizações até o momento 16 de julho — Veneza anuncia seu filme de abertura. 20 de julho — TIFF divulga as seções Gala Presentations e Special Presentations. Mostra Paralela do Festival de Veneza, a Semana da Crítica, divulga sua programação. 21 de julho — TIFF divulga a seção Plataforma. NYFF anuncia seu filme de encerramento. 22 de julho — Mostra Paralela do Festival de Veneza, Giornate degli Autori (Venice Days), divulga sua programação. TIFF divulga a seção Discovery. 22 de julho — Festival de Veneza anuncia sua programação oficial Então, vamos lá: Festival de Veneza (2 a 12 de setembro) A programação oficial ainda não foi anunciada, apenas o filme de abertura e a mostra paralela Semana da Crítica. Divulgação Competição Oficial • Ink (Danny Boyle) 🇬🇧 - FILME DE ABERTURA Em 1969, quando um magnata da mídia em ascensão adquire o jornal diário "The Sun", sua parceria com o editor Larry Lamb transforma o periódico no tabloide mais influente da Grã-Bretanha. • Back To Buenos Aires (Marco Bechi) • A Bit of Light (Ali Asgari) • Bucking Fastard (Werner Herzog) • Bunker (Florian Zeller) • Company (Casey Affleck) • Dau (Ilya Khrzhanovsky) • The Echo Chamber (Andrea Pallaoro) • The Fire Within You (Edoardo de Angelis) • A Good Little Soldier (Stéphane Brizé) • It Will Happen Tonight (Nanni Moretti) • Look Back (Hirokazu Koreeda) • Mr. Nelson, Did You Kill People? (Shinya Tsukamoto) • One Minute to Midnight (Nicolas Pariser) • A Place to Heal (Cédric Kahn) • Possible Love (Lee Chang-dong) • Primetime (Lance Oppenheim) • The Spiral (Pa olo Strippoli) • Wild Horse Nine (Martin McDonagh) • Woman Unknown (May el-Toukhy) Orizzonti Divulgação • La Ragazza Con La Leica (Alina Marazzi) • The Burning Giants (Phuttiphone Aroonpheng) • What Belongs to Others (Grzegorz Dębowski) • Una Storia (Anna Foglietta) • La Città dei Vivi (Edoardo Gabbriellini) • Moragheb (Mohsen Gharaei) • Too Much Sugar (Robert Greene) • The Difficult Bride (Rubaiyat Hossain) • La Maison du Vent (Auguste Bernard Kouemo Yanghu) • I Figli della Scimmia (Tommaso Landucci) • A Day in the Life of Jo: Chapter Phaedra (Jacqueline Lentzou) • Oasis (Jannis Lenz) • Until the Day Ends (Jelena Maksimović) • La Moula (Jérôme Pierrat) • Lovers in the Blue Night (Anuparna Roy) • Un Détour par Diane (Ann Sirot & Raphaël Balboni) • The Color of the Sun (Xavier Tera) • Eklipse (Manuel Wetscher) • Big Little Things (Michelle Zhou) Venice Open — Fora de Competição (Filmes sobre Cinema) • Juso Per Ferie (Karen Di Porto) • Nino — Un Film Su Nino Rota (Walter Fasano) • The Pervert's Guide to Utopias (Sophie Fiennes) • Joie de Vivre (Luca Guadagnino) • Twist and Shoot Mister Suzuki (Yves Montmayeur) • Intermission (Yonfan) Venice Open — Fora de Competição (Não Ficção) • Be Brave (Francesco Carrozzini) • What Love Builds (Russell Crowe) • Burgundy (Michael Dweck & Gregory Kershaw) • Musk (Alex Gibney) • The Road to Jericho (Amos Gitai) • Citizen Osama (Ahmed Hassouna) • Union Town (Barbara Kopple) • Holy Wood Dust (Victor Kossakovsky) • Letters From the Silenced Country (Andrei Kutsila) • Biografia de Jorge Luis Borges (Mariano Llinás) • My Undesirable Friends: Part 1 — Exile (Julia Loktev) • Boatbuilders (Luke Lorentzen) • Imperium (Sergei Loznitsa) • Shumei — The Living Legacy of Kabuki (Takashi Miike) • Queer Edward II (Theo Rollason) • Oasis: Don't Look Back in Anger (Dylan Southern & Will Lovelace) • Dust (Tsai Ming-liang) • Everest: The Other Side (Elizabeth Chai Vasarhelyi & Jimmy Chin) • From Inside Out — The Architecture of Peter Zumthor (Wim Wenders) Venice Open — Fora de Competição (Séries) • Peccato (Valerio Vestoso) Venice Open — Fora de Competição (Curtas-Metragens) • Flesh Impact (Maggie Gyllenhaal) • Wild Asparagus (Avi Mograbi) • They're Here (Laura Poitras & Rachel Mueller) Exibição Especial • Dai Nostri Inviati (Giuseppe Giannotti, Enrico Salvatori & Nicoletta Berardi) Venice Spotlight • Sumo: Spirit of Nothing (Erik Shirai) • Conversations With the Sea (Muayad Alayan) • Hombre al Agua (Gael García Bernal) • Serpenti (Roberto De Paolis Maino) • Furies (Rami Kodeih) • Guria (Levan Koguashvili) • Ground Floor (Gábor Reisz) • Eu Contez (Alina Serban) Semana da Crítica (Mostra Paralela) • London (Victor Di Marco, Márcio Picoli) 🇧🇷 • The End of Times (Bibiana Rojas Gómez, Juan David Cárdenas) 🇨🇴 • The H@llow Man (Kamel Laaridhi) 🇹🇳 • Meteorite (Sebastián Múnera) 🇨🇴 • Our Share of Sand (Shalini Adnani) 🇮🇳 🇬🇧 🇬🇷 • Prima Della Guerra (Tommaso Usberti) 🇫🇷 🇮🇹 • Zoom In, Zoom Out (Dong Jie) 🇨🇳 • Il Grande Giaffa (Marco Santi) 🇮🇹 - Filme de abertura (Fora de Competição) • Rider (Roan Johnson, Davide Pavanello) 🇮🇹 - Filme de encerramento (Fora de Competição) Giornate degli Autori (Mostra Paralela) Divulgação Mostra Competitiva: • Sadness Sometimes, Other Times Revolt (María Aparicio) 🇦🇷🇪🇸 • Agata the Writer (Kuba Dorabialski) 🇦🇺 • Balcanica (Nicola Sorcinelli) 🇮🇹🇷🇸🇭🇷 • Camouflage (Mykyta Gibalenko) 🇩🇪 • Dear Ajayi (Damilola Orimogunje) 🇳🇬🇩🇪 • I Plant My Hand in the Garden (Boris Hadžija & Hoda Taheri) 🇩🇪🇷🇸🇺🇸 • The Indies (Pauline Julier & Nicolas Chapoulier) 🇨🇭🇪🇸 • My Notes on Mars (Lili Horvát) 🇭🇺🇦🇹 - Filme de Abertura • Salón de Belleza (Nathalia Acevedo) 🇲🇽🇫🇷 • A Woman Today (Robert Guédiguian) 🇫🇷🇮🇹 Fora de Competição: • Man's Skin (Léa Domenach) 🇫🇷 - Filme de Encerramento Eventos Especiais: • Al Baraneya (Ashgan El-Hamus) 🇳🇱🇪🇬🇧🇪🇸🇦 • Carla Lonzi, A Feminist Story (Francesca Archibugi) 🇮🇹 • The Phantom (Ignacio Masllorens & David Lamelas) 🇦🇷 • The Massacre (Cosimo Messeri) 🇮🇹 • Even If Hell Came (Samuele Rossi) 🇮🇹 Telluride Film Festival (4 a 7 de setembro) A programação ainda não foi anunciada. Festival Internacional de Cinema de Toronto – TIFF (10 a 20 de setembro) O Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) foi o primeiro dos grandes festivais da temporada a divulgar parte de sua programação. Até o momento, foram anunciados os filmes das seções Gala Presentations, Special Presentations, Discovery e Plataforma. Gala Presentations Divulgação • A Talent for Murder (Anton Corbijn) 🇬🇧🇮🇹 | Premiere Mundial Este thriller de tensão contida, dirigido por Anton Corbijn (Control), traz a vencedora do Oscar Helen Mirren e Alden Ehrenreich (Fair Play) como adversários em um confronto peculiar entre um jovem agente literário e Patricia Highsmith, autora de The Talented Mr. Ripley. • All About Corinne (Marc Fitoussi) 🇫🇷 | Premiere Norte-Americana O roteirista e diretor de Paris Follies, Marc Fitoussi, volta a trabalhar com a inimitável Isabelle Huppert, indicada ao Oscar e estrela de Elle, nesta comédia deliciosa sobre uma veterana atriz de figuração que vislumbra uma chance tardia de ingressar no universo volúvel do cinema francês. • Always Lalisa (Sue Kim) 🇺🇸 | Premiere Mundial Lisa, ídolo do K-pop que se tornou uma superestrela global, protagoniza este documentário íntimo e transformador que traça sua trajetória, da ambição na infância e o estrelato no BLACKPINK até a artista que ela é hoje. • Atonement (Reed Van Dyk) 🇺🇸 | Premiere Norte-Americana Boyd Holbrook (The Bikeriders), Hiam Abbass (Palestine '36) e o vencedor do Oscar Kenneth Branagh estrelam a história intensa sobre trauma e perdão — centrada em um evento horripilante ocorrido durante a Guerra do Iraque — do roteirista e diretor Reed Van Dyk, também indicado ao Oscar. • Babies (Lauren Miller Rogen) 🇺🇸 | Premiere Mundial Seth Rogen e a indicada ao Oscar Anna Kendrick estrelam a comédia de Lauren Miller Rogen, uma obra que transborda sensibilidade, sobre o dilema que acaba surgindo em todo relacionamento de longo prazo: ter ou não ter filhos? • Being Heumann (Siân Heder) 🇺🇸 | Premiere Mundial Com uma atuação de destaque de Ruth Madeley e a participação de Mark Ruffalo, indicado ao Oscar, este drama histórico inspirador da cineasta vencedora do Oscar Siân Heder (CODA) celebra a ativista revolucionária Judy Heumann, a "Mãe do Movimento pelos Direitos das Pessoas com Deficiência". • Bunker (Florian Zeller) 🇫🇷🇪🇸 | Premiere Norte-Americana Os vencedores do Oscar Penélope Cruz e Javier Bardem interpretam um casal cujo vínculo é posto à prova quando a proposta de um bilionário misterioso gera um dilema ético, no mais recente trabalho do roteirista e diretor vencedor do Oscar Florian Zeller (The Father). • Diary of a Mad Old Man (Wayne Wang) 🇺🇸 | Premiere Mundial Esta adaptação cativante do romance de Jun’ichirō Tanizaki, dirigida por Wayne Wang, acompanha um viúvo idoso que se vê envolvido em uma relação perturbadoramente íntima com a nora que cuida dele. • Evil Genius (Courteney Cox) 🇺🇸 | Premiere Mundial Estrelando David Harbour (Stranger Things) e a vencedora do Oscar Patricia Arquette (Boyhood), o segundo longa-metragem de Courteney Cox como diretora dramatiza com ousadia a teia de histórias, arrepiante e sombriamente hilária, por trás do infame incidente do "pizza bomber" ocorrido em 2003. • Girl Group (Rebel Wilson) 🇬🇧 | Premiere Mundial Rebel Wilson interpreta uma ex-integrante de um grupo feminino do início dos anos 2000 que é forçada a treinar um grupo heterogêneo de adolescentes, transformando-as em um grupo para uma competição de uma gravadora. • Man in Motion: The Rick Hansen Story (Adrian Buitenhuis) 🇨🇦 | Premiere Mundial Este retrato inspirador celebra Rick Hansen, o grande atleta e ativista canadense. A obra narra sua Man In Motion World Tour, realizada ao longo de 26 meses: uma jornada de 40 mil quilômetros em cadeira de rodas que arrecadou milhões para eliminar barreiras de acessibilidade e transformar a percepção pública sobre as pessoas com deficiência. • Misty Green (Chris Rock) 🇺🇸 | Premiere Mundial Com uma atuação que consagra a carreira de Rosalind Eleazar (Slow Horses) e participações de Daniel Kaluuya, Adam Driver e Anna Kendrick, o mais recente filme de Chris Rock como roteirista e diretor satiriza brilhantemente o preconceito e a correria frenética que estão no coração de Hollywood. • Onwards and Sideways (John Madden) 🇬🇧 | Premiere Mundial O mais recente trabalho do diretor indicado ao Oscar John Madden (Shakespeare Apaixonado) traz a também indicada ao Oscar Laura Linney e Rhys Ifans como estranhos cujas vidas se entrelaçam quando ambos são diagnosticados com a doença de Parkinson. • Pretenders (Joss Crowley) 🇬🇧 | Premiere Mundial Durona, estilosa e naturalmente descolada, Chrissie Hynde, fundadora dos Pretenders, é autêntica. Baseada em entrevistas aprofundadas com Hynde e em material de arquivo, a obra Pretenders narra a trajetória de um dos ícones mais singulares do rock. • Prima Facie (Susanna White) 🇦🇺🇬🇧 | Premiere Mundial A indicada ao Oscar Cynthia Erivo (Wicked) estrela esta adaptação da peça de Suzie Miller, aclamada mundialmente, que examina o que acontece quando uma advogada ambiciosa, que atua principalmente na defesa de acusados de crimes sexuais, se vê, inesperadamente, na posição de acusadora em um caso de agressão sexual. • Run Terry Run (Sean Menard) 🇨🇦 Este retrato íntimo e inspirador do documentarista Sean Menard (The Carter Effect) utiliza imagens inéditas para revelar o processo árduo e o profundo comprometimento por trás da "Maratona da Esperança" de Terry Fox, iniciativa destinada a conscientizar o público e arrecadar fundos para a pesquisa do câncer. • Spirit Guardians: The Last Secret of the First Emperor (Nguyen Phan Quang Binh) 🇻🇳 | Premiere Internacional Ambientado na Dinastia Dinh, no século X, o filme de época acompanha sete guerreiros leais que precisam correr contra o tempo para transportar 99 caixões a diferentes partes do reino, servindo de isca para o inimigo, e manter em segredo o local de descanso final do primeiro imperador. • Tenzing (Jennifer Peedom) 🇺🇸🇦🇺 | Premiere Canadense Estrelando Tom Hiddleston (The Life of Chuck), o indicado ao Oscar Willem Dafoe e Genden Phuntsok (Jinpa), esta cinebiografia extraordinária narra a história do alpinista sherpa nepalês-indiano Tenzing Norgay que, ao lado de Edmund Hillary, tornou-se o primeiro a alcançar o topo do Everest em 1953. • The Assassin(s) (Hur Jin-ho) 🇰🇷 | Premiere Mundial Baseado na tentativa de assassinato do presidente sul-coreano Park Chung-hee, o mais recente trabalho de Hur Jin-ho (A Normal Family) é uma investigação de grande escala que acompanha policiais e jornalistas determinados a desvendar uma conspiração aparentemente impenetrável. • The Life and Deaths of Wilson Shedd (Tim Blake Nelson) 🇺🇸 | Premiere Mundial Estrelado pela indicada ao Oscar Amanda Seyfried (The Testament of Ann Lee) e por Scoot McNairy (Nightbitch), o mais recente trabalho de Tim Blake Nelson é uma história de prisão psicologicamente rica sobre crime, punição e amor. • The Only Living Pickpocket in New York (Noah Segan) 🇺🇸 | Premiere Canadense Sustentado pela atuação carismática de John Turturro, este drama policial de tom contido, dirigido por Noah Segan (Blood Relatives), remete aos filmes focados nos personagens da "Nova Hollywood" dos anos 1970. • Up Against It (Trudie Styler) 🇬🇧 | Premiere Mundial A animosidade pós-casamento e a devoção parental formam uma combinação inusitada nesta comédia ácida de Trudie Styler, estrelada pelo indicado ao Oscar Antonio Banderas (Dor e Glória) e por Eva Birthistle como pais divorciados que precisam lidar com uma proposta indecente. • Villeneuve: The Rise of a Legend (Yan Lanouette Turgeon) 🇨🇦 | Premiere Mundial O filme mostra os primeiros anos de Gilles Villeneuve, piloto de automóvel de Fórmula 1 quebequense. (Filme de Encerramento) Special Presentation Divulgação • A Long Winter (Andrew Haigh) 🇨🇦🇬🇧 | Premiere Canadense Ambientada nas altas montanhas, a história acompanha uma família durante um inverno rigoroso. A trama gira em torno de uma mãe alcoólatra que, após brigar com o marido, caminha em meio a uma tempestade de neve repentina e violenta, desencadeando uma busca exaustiva por parte de sua família e vizinhos. • All of a Sudden (Ryûsuke Hamaguchi) 🇫🇷🇯🇵🇩🇪🇧🇪 | Premiere Norte-Americana Ryûsuke Hamaguchi reúne Virginie Efira e Tao Okamoto em um drama comovente sobre amizade, doença, arte e as responsabilidades do cuidado, criando um filme que faz o mundo parecer mais gentil, mais aberto e mais humano. • All That She Wants (Scarlett Bermingham, Andrew Rhymer) 🇺🇸🇨🇦 | Premiere Mundial Annie Murphy (Schitt’s Creek) estrela esta comédia romântica vibrante, afetuosa e refrescantemente moderna, que narra um encontro casual entre uma millennial e uma integrante da Geração Z, e as consequências transformadoras que disso resultam. • Alpha Gang (David Zellner, Nathan Zellner) 🇺🇸 | Premiere Internacional Os irmãos Zellner retornam com um elenco estelar, que inclui Léa Seydoux, Dave Bautista, Lily-Rose Depp e Cate Blanchett, nesta história sobre uma gangue encontrada que chega à Terra para conquistar o planeta, mas descobre que o mundo humano sofre com uma praga para a qual eles não estavam preparados. • Bad Lieutenant: Tokyo (Takashi Miike) 🇺🇸🇬🇧🇯🇵 | Premiere Mundial A mais recente obra do prolífico mestre Takashi Miike é, assim como Bad Lieutenant (Abel Ferrara) e Bad Lieutenant: Port of Call - New Orleans (Werner Herzog), uma jornada sensacional pelas fendas mais sombrias do submundo do crime. • Bitter Christmas (Pedro Almodóvar) 🇪🇸 | Premiere Norte-Americana Com tons noir e reviravoltas típicas de telenovela, o mais recente trabalho do cineasta vencedor do Oscar Pedro Almodóvar, acompanha dois diretores de cinema egocêntricos enquanto exploram o luto, o amor e os perigos de uma liberdade artística sem limites. • Clarissa (Arie Esiri, Chuko Esiri) 🇳🇬🇺🇸 | Premiere Norte-Americana Liderado por um elenco estelar que inclui Sophie Okonedo e David Oyelowo, Clarissa, o segundo longa-metragem de Arie e Chuko Esiri, é uma adaptação sensorial e hipnótica de Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, ambientada em Lagos. • Club Kid (Jordan Firstman) 🇺🇸 | Premiere Canadense A vida de um promotor de festas underground em decadência sofre uma reviravolta inesperada quando ele é forçado a cuidar de um filho cuja existência desconhecia. • Coward (Lukas Dhont) 🇧🇪 | Premiere Norte-Americana O comovente terceiro longa-metragem do diretor belga Lukas Dhont celebra um amor que floresce em meio às adversidades e aos horrores da Primeira Guerra Mundial. • Elsinore (Simon Stone) 🇬🇧 | Premiere Canadense Elsinore é um futuro filme de drama biográfico sobre o ator escocês Ian Charleson. O filme é dirigido por Simon Stone e escrito por Stephen Beresford. Andrew Scott estrela a produção, ao lado de Olivia Colman, que interpreta a médica de Charleson. • Everest: The Other Side (Jimmy Chin, Elizabeth Chai Vasarhelyi) 🇺🇸 | Premiere Canadense Um longa-metragem documental dirigido pela aclamada dupla vencedora do Oscar, Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi. O filme acompanha o alpinista Ben Clark em sua escalada do Monte Everest e oferece um olhar íntimo e extenuante sobre as condições extremas, a logística e as histórias humanas de uma expedição em grandes altitudes. • Everybody Wants To F*** Me (Jonathan Schey) 🇬🇧🇫🇷🇺🇸 | Premiere Mundial Um thriller de comédia sombria original e afiado, ambientado no mundo dos encontros modernos em Londres. • Faith (Paul Andrew Williams) 🇬🇧 | Premiere Mundial Faith filme de drama sobrenatural dirigido por Paul Andrew Williams e estrelado por Erin Doherty e James McAvoy. A história acompanha uma mãe solteira batalhadora cuja vida muda abruptamente após conhecer um estranho enigmático com uma identidade verdadeira extraordinária. • Fjord (Cristian Mungiu) 🇷🇴🇫🇷🇳🇴🇸🇪🇩🇰 | Premiere Canadense Vencedor da prestigiada Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, o mais recente trabalho do roteirista e diretor Cristian Mungiu é um drama de tribunal envolvente e de alta tensão, impulsionado por um profundo dilema moral. • Gentle Monster (Marie Kreutzer) 🇦🇹 | Premiere Canadense Com atuações emocionantes de Léa Seydoux (Silent Friend) e Jella Haase, o novo trabalho da roteirista e diretora Marie Kreutzer, sucessor de Corsage, é um retrato duplo de mulheres presas em turbilhões morais provocados pela conduta reprovável de homens. • Glaxo (Benjamín Naishtat) 🇦🇷🇧🇷 | Premiere Mundial Glaxo, a adaptação fascinante de Benjamín Naishtat para o romance de Hernán Ronsino, transforma uma única traição em uma história envolvente sobre culpa, lealdade e memória, entrelaçando a tragédia pessoal à turbulenta história argentina do século XX em meio a uma atmosfera de crescente mistério e suspense. • Growth of the Soil (Hans Petter Moland) 🇳🇴 | Premiere Mundial A obra de Knut Hamsun, vencedora do Prêmio Nobel e centrada nas lutas de um agricultor na Noruega do início do século XX, ganha uma adaptação poderosa e de rica textura pelas mãos de Hans Petter Moland. • Happily Ever After (Feng-I Fiona Roan) 🇹🇼 | Premiere Mundial Explora a juventude, os relacionamentos e a busca pela felicidade. • Hombre al agua (Gael García Bernal) 🇲🇽 | Premiere Norte-Americana Um drama introspectivo permeado por elementos de humor e sequências surreais, oníricas, que mergulha em um universo de manipulação e na falsidade das máscaras sociais. A brasileira Débora Nascimento estrela. • I Play Rocky (Peter Farrelly) 🇺🇸 | Premiere Mundial Com uma atuação que consagra a carreira de Anthony Ippolito, o mais recente trabalho do vencedor do Oscar Peter Farrelly (Green Book) recria de forma vívida a história de como um desconhecido chamado Sylvester Stallone conseguiu viabilizar a produção de Rocky, e se tornou uma superestrela. • In Alaska (Jaap van Heusden, Vinnie Karetak) 🇳🇱🇨🇦 | Premiere Mundial Descobrindo pela primeira vez na vida o que realmente significa estar vivo. • Ink (Danny Boyle) 🇬🇧🇫🇷🇺🇸 | Premiere Canadense Em 1969, quando um magnata da mídia em ascensão adquire o jornal diário "The Sun", sua parceria com o editor Larry Lamb transforma o periódico no tabloide mais influente da Grã-Bretanha. • Josephine (Beth de Araújo) 🇺🇸 | Premiere Canadense Após presenciar uma agressão sexual, uma jovem é assombrada pelo trauma do incidente perturbador, o que lhe abre os olhos para a violência que a cerca. • La Bola Negra (Javier Calvo, Javier Ambrossi) 🇪🇸🇫🇷 | Premiere Canadense A homenagem ambiciosa e cativante de Los Javis a Federico García Lorca entrelaça as vidas de três homens pelo amor e pela perda ao longo de diferentes épocas. A obra conta com atuações marcantes de Guitarricadelafuente, Carlos González e Miguel Bernardeau. • Le Faux Soir (Michaël R. Roskam) 🇧🇪🇫🇷 | Premiere Mundial A resistência belga produziu secretamente uma versão satírica do principal jornal do país, o Le Soir, que havia se tornado um instrumento de propaganda das forças nazistas de ocupação em 1943. • Look Back (Hirokazu Kore-eda) 🇯🇵 | Premiere Norte-Americana O cineasta visionário Hirokazu Kore-eda dirige esta adaptação sensível e dinâmica do mangá de Tatsuki Fujimoto (Chainsaw Man), acompanhando dois jovens artistas cuja amizade e vínculo se tornam o motor de sua arte. • Love of Your Life (Rachel Morrison) 🇺🇸 | Premiere Mundial Com uma atuação de sutil beleza de Margaret Qualley (The Substance), este estudo de personagem romântico e arrebatador, da diretora Rachel Morrison (The Fire Inside), é um testemunho inspirador sobre amar plenamente, reparar erros e seguir em frente. • Minotaur (Andrey Zvyagintsev) 🇫🇷🇩🇪🇱🇻 | Premiere Canadense Após um hiato de nove anos, período em que deixou sua Rússia natal para viver no exílio, Andrey Zvyagintsev retorna com uma releitura de La femme infidèle, de Claude Chabrol, adaptada à atual retórica de patriarcado e belicismo de sua terra natal. • Mr. Nelson, Did You Kill People? (Shinya Tsukamoto) 🇯🇵 | Premiere Norte-Americana O cultuado cineasta japonês Shinya Tsukamoto dirige o aclamado ator da Broadway Rodney Hicks e o vencedor do Oscar Geoffrey Rush em um retrato angustiante, visceral e moralmente urgente do veterano da Guerra do Vietnã Allen Nelson. • Paradise Lost (Yeon Sang-ho) 🇰🇷 | Premiere Mundial O filme conta a história de Ryu So-young, uma mãe que perdeu o filho no incidente do desaparecimento do ônibus escolar de um acampamento ocorrido nove anos antes e que, anos mais tarde, depara-se repentinamente com o filho já adulto, dando início a uma trama misteriosa. • Phoolan (Richie Mehta) 🇮🇳 | Premiere Mundial O filme concentra-se em um cerco dramático de 48 horas, no qual Phoolan Devi ficou encurralada e em desvantagem numérica frente a 2.000 homens armados. • Possible Love (Lee Chang-dong) 🇰🇷 | Premiere Norte-Americana O novo e aguardado filme de Lee Chang-dong traz histórias de relacionamentos e de divisões geracionais e de classe, nesta trama envolvente sobre dois casais que travam jogos consigo mesmos e uns com os outros. • Tender Loving Care (Mike Leigh) 🇬🇧 | Premiere Canadense Uma exploração perspicaz e compassiva do mundo contemporâneo. • The Age of Goodbyes (Edmund Yeo) 🇹🇼🇲🇾 | Premiere Mundial É um drama romântico que atravessa décadas, adaptado do aclamado romance de 2012 da autora malaia Li Zi Shu. A narrativa multidimensional e hipnótica mistura romance, mistério e trauma intergeracional tendo como pano de fundo a Malásia caótica das décadas de 1960 e 1970. • The Beloved (Rodrigo Sorogoyen) 🇪🇸 | Premiere Norte-Americana Estrelando o vencedor do Oscar Javier Bardem e Victoria Luengo, o mais recente trabalho de Rodrigo Sorogoyen narra a colaboração inquietante entre um diretor carismático e manipulador e a filha atriz, que ele não via há 13 anos. • The Debut (Jesse Eisenberg) 🇺🇸 | Premiere Internacional Quando uma dona de casa de perfil discreto é inesperadamente escalada para uma produção de teatro comunitário, ela se deixa absorver pelo papel, sob o domínio de um diretor de personalidade forte. • The Housewife (Ben Shirinian) 🇺🇸 | Premiere Mundial Marcado por atuações magistrais de Naomi Watts e Tye Sheridan, este drama histórico de grande relevância retrata as complexidades da busca por justiça sob a longa sombra do nazismo. • The Julia Set (Niki Byrne) 🇺🇸 | Premiere Mundial Julia, uma matemática talentosa que trabalha em um ambiente acadêmico altamente competitivo. Pascal, o assistente de ensino que a recruta para um curso preparatório de elite voltado para a competição de matemática mais desafiadora do mundo: o Exame Putnam. • The Man I Love (Ira Sachs) 🇺🇸 | Premiere Norte-Americana A visão de Ira Sachs sobre os artistas de Nova York que viviam sob o espectro da AIDS nos anos 80 concentra-se na alegria e na salvação proporcionadas pela criatividade. • The Stunt Driver (Michael Dowse) 🇨🇦 | Premiere Mundial Jay Baruchel e o diretor Michael Dowse voltam a trabalhar juntos em uma comédia irreverente, porém emocionante, sobre um dublê canadense que ousou sonhar alto e voar (muito) alto. • The Unknown (Arthur Harari) 🇫🇷 | Premiere Norte-Americana Um dos destaques da competição de Cannes deste ano, o terceiro longa-metragem do aclamado cineasta, ator e roteirista francês Arthur Harari (corroteirista de Anatomia de uma Queda) é um intrigante filme existencial e de atmosfera densa sobre troca de corpos, estrelado por uma Léa Seydoux extraordinária e um Niels Schneider quase irreconhecível. • Whatcha Want (Mina Shum) 🇨🇦 | Premiere Mundial O filme de 2026 Whatcha Want acompanha uma imigrante recente e "esposa-troféu" de Hong Kong que redescobre seu amor pela dança após a traição de seu marido rico. • Your Mother Your Mother Your Mother (Bassam Tariq) 🇺🇸 | Premiere Mundial O vencedor do Oscar Mahershala Ali (Green Book) estrela como um muçulmano devoto, um homem de família amoroso e um assassino de aluguel neste suspense de ação ousado e inventivo, ambientado no Texas, do roteirista e diretor Bassam Tariq (Mogul Mowgli). Plataforma Divulgação • Vicentina Pede Desculpas 🇧🇷 | Premiere Mundial Estrelado por Rejane Faria, o novo filme de Gabriel Martins acompanha uma mãe devastada pelo luto que busca o perdão das famílias envolvidas em um trágico acidente de ônibus. O drama propõe uma reflexão profundamente humana sobre culpa, responsabilidade e a possibilidade do perdão. • Angh (Theja Rio) 🇮🇳 | Premiere Mundial Ambientado nas florestas remotas de Nagaland, na fronteira entre Índia e Mianmar, no início da década de 1960, Angh acompanha Anghba, o último chefe sobrevivente de uma aldeia indígena Naga abandonada. Vivendo isolado ao lado da esposa doente e do filho mudo, ele enfrenta as consequências de ter sido deixado para trás por seu próprio povo. • Brace Your Heart (Amanda Kernell) 🇸🇪🇳🇴🇩🇰🇮🇸🇧🇬 | Premiere Mundial O terceiro longa-metragem de Amanda Kernell é um retrato delicado e emocional sobre amor, resiliência e a força duradoura das mulheres sámi. • Children Untold (Miwa Nishikawa) 🇯🇵 | Premiere Mundial (Filme de Abertura) Adaptado de um romance inédito da própria diretora, Children Untold acompanha uma menina de 12 anos que se disfarça de garoto para sobreviver no caos que tomou conta de Tóquio logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. O elenco conta com Ami Koyae, Fumi Nikaido e Koji Yakusho. • Djinn Wedding (Ferit Karahan) 🇹🇷 | Premiere Mundial Ambientado em uma remota vila da Anatólia, o drama familiar acompanha conflitos e segredos revelados ao longo de três períodos distintos da vida de uma família. Estrelado por Demet Özdemir, Kaan Yildirim, İlhan Şen e Sarp Bozkurt, o filme transita entre crença, esperança e desilusão. • Idda (Irene Dionisio) 🇮🇹 | Premiere Mundial Segundo longa de ficção de Irene Dionisio, Idda acompanha a reunião das amigas de infância Adele e Sofia, que decidem cumprir a promessa de escalar o Monte Etna. Durante a jornada, percebem que, assim como o vulcão, antigas feridas continuam prestes a entrar em erupção. • In the Heart of the South (Nyla Innuksuk) 🇨🇦 | Premiere Mundial Misturando suspense psicológico e elementos sobrenaturais, o filme acompanha Yura Ivalu, a nova sensação do mundo das artes em Toronto. Sua mais recente obra de realidade virtual promete revolucionar a cena artística, enquanto acontecimentos inquietantes começam a cercá-la. • Masc (Bertil Nilsson) 🇬🇧 | Premiere Mundial Em seu primeiro longa-metragem, Bertil Nilsson apresenta um retrato sensível e honesto sobre identidade, masculinidade e autoaceitação. Inspirado em suas experiências como um homem gay neurodivergente, o filme explora os desafios de existir em uma sociedade marcada por expectativas rígidas. • Silenced Nights (Lawrence Fajardo) 🇵🇭 | Premiere Mundial Neste drama sociopolítico, uma testemunha de uma execução extrajudicial em uma favela nas Filipinas tenta revelar a verdade enquanto luta para permanecer viva. Filmado em estilo cinéma vérité, o longa retrata o silêncio como ferramenta de sobrevivência. • The Smell of Apples (John Trengove) 🇿🇦🇳🇱🇨🇱 | Premiere Mundial Adaptado do romance homônimo de Mark Behr, o terceiro longa de John Trengove acompanha um garoto branco de 11 anos que começa a compreender os horrores do apartheid na África do Sul, em uma narrativa sobre perda da inocência e violência estrutural. • The World Before (Yoon Dan-bi) 🇰🇷 | Premiere Mundial Após Moving On, Yoon Dan-bi volta sua atenção para a adolescência em uma delicada história de amadurecimento. O filme acompanha dois amigos de infância que se reencontram durante um verão em uma pequena ilha rural da Coreia e descobrem os primeiros sentimentos do amor. • Wild Wild East (Jan Holoubek) 🇵🇱 | Premiere Mundial Ambientado na Polônia ocupada durante a Segunda Guerra Mundial, o novo longa de Jan Holoubek mistura western, suspense e filme noir para contar uma história marcada pela violência e pela luta pela sobrevivência. Discovery Divulgação A Common Story (Anna Foglietta) 🇮🇹 Ancestors (David Turpin) 🇮🇪🇬🇧 Arne Goes to Space (Lars Vega) 🇸🇪 Bedford Park (Stephanie Ahn) 🇺🇸 Drifter (Sung Kang) 🇺🇸 Head to Head (Ghasideh Golmakani) 🇮🇷🇩🇪 I Am Mario (Sharon Kleinberg) 🇲🇽 In Waves (Phuong Mai Nguyen) 🇫🇷🇧🇪 Krux (Tony Vahl) 🇩🇪🇵🇱 Magazine (Alexandra Pechman) 🇺🇸 Memories of a Forest (Katharina Rabl) 🇩🇪🇦🇹 Nosotros (Joaquín Ruano) 🇬🇹🇲🇽 Purgatory (Lindsay Lanzillotta) 🇨🇦🇺🇸 Salvation (Tom Nicoll) 🇬🇧 Seventeen (Justin Ducharme) 🇨🇦 Sisters (Ione Hernández) 🇪🇸 Strong Son (Ian Bawa) 🇨🇦 Stuffed (Theo Rhys) 🇬🇧 (Filme de Abertura) The Daughters of Abraham (Hanaël El Yousfi) 🇫🇷 The Fortunate Isles (Helena Girón & Samuel Delgado) 🇪🇸🇬🇷 Voices (Deantè Gray) 🇺🇸 We Are Born Good (Leung Chuen Yeung) 🇭🇰 What Lies Between Us (Amalie Næsby Fick) 🇩🇰 Zjili: A Story of Sisterhood and The Burdens of Excess (Christine Boateng & Hajara Musah Chambas) 🇬🇭 Festival de Nova York (25 de setembro a 12 de outubro) A programação oficial ainda não foi anunciada, apenas o filme de abertura e encerramento. Divulgação • Paper Tiger (James Gray) 🇺🇸🇧🇷 - FILME DE ABERTURA O filme é produzidO pela brasileira RT Features e acompanha dois irmãos que, em busca do sonho americano, envolvem-se em uma operação duvidosa e são arrastados para um submundo de corrupção e violência. À medida que se tornam alvos da máfia russa, o vínculo entre eles começa a se desgastar, tornando uma traição impensável em ameaça real. • 14th (Ava DuVernay) 🇺🇸 - FILME DE ENCERRAMENTO Explora como os princípios da 14ª Emenda dos EUA, como a cidadania por nascimento, o devido processo legal, a igualdade perante a lei e a proibição de participação de chefes de Estado em atos de insurreição, vêm sendo colocados em xeque nos últimos anos. BFI London Film Festival (7 a 18 de outubro) A programação ainda não foi anunciada. Esta matéria será atualizada continuamente pelo Oxente Pipoca, reunindo todos os filmes confirmados na temporada de festivais de 2026 e acompanhando os principais anúncios que devem movimentar a corrida pelas premiações. Mas, para não perder nada, siga o OP nas redes sociais.

  • Entrevista | “A gente precisa ter cuidado”: elenco de “Virtuosas” fala sobre fé, perfeição e terror feminista

    Em entrevista ao Oxente Pipoca, Cíntia Domit Bittar, Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta e Brisa Marques comentam a construção do filme e a repercussão do trailer nas redes sociais. Divulgação Virtuosas, novo filme de terror feminista dirigido por Cíntia Domit Bittar, chega aos cinemas nesta quinta-feira, 24 de setembro, colocando no centro da narrativa discussões sobre fé, conservadorismo, feminilidade e a busca por um ideal de perfeição. Ambientado no universo das chamadas “mulheres virtuosas”, o longa acompanha personagens atravessadas por discursos religiosos e expectativas sobre o que significa ser uma mulher exemplar, usando o terror para tensionar essas questões. Para falar sobre o filme, o Oxente Pipoca conversou com Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Cíntia, Juliana Lourenção, Sarah Motta e Brisa Marques. No papo, elas comentam a pesquisa para construir as personagens, o encontro com o projeto, a produção realizada em Florianópolis, a repercussão do trailer nas redes sociais e as expectativas para a chegada do longa aos cinemas. Leia a entrevista completa abaixo: Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): O universo das tradwives e os movimentos conservadores entre mulheres têm ganhado força nos últimos tempos, e a gente está vendo movimentos de vários filmes e até alguns livros que estão fazendo bastante sucesso falando sobre o tema. Virtuosas tem esse timing muito bom de chegar ao público nesse momento. Queria que vocês falassem um pouquinho sobre isso, sobre como essa história chegou para vocês naquela época e como ela está ressoando agora, depois de todo esse processo. Cíntia Domit Bittar: Sim, Gabi. O movimento das tradwives começou mais forte nos Estados Unidos e na Europa já faz alguns anos. Teve dois picos que eu consegui identificar. Um foi com a primeira eleição do Trump e outro com a pandemia, porque a comunicação via redes sociais aumentou muito e elas proliferaram bastante o conteúdo delas. Mas é um termo que demorou bastante para ser falado no Brasil. Foi só alguns anos depois. E, com Virtuosas, a gente joga luz sobre movimentos muito brasileiros, das mulheres virtuosas, que são milhares de mulheres organizadas sob a alcunha desse provérbio da Bíblia. Na minha opinião, muitas distorcendo o que está escrito na Bíblia, inclusive. Então, trazer esse debate era um desejo nosso, da produtora, da Novelo Filmes, da equipe e do elenco, porque é muito importante também quando um filme traz questões para serem discutidas. Foi através de muita pesquisa que a gente chegou ao que era essa mulher virtuosa, porque é algo bastante longe da nossa realidade, e entender as várias vertentes disso para poder fazer o filme. É uma satisfação imensa o debate que o filme está causando já no trailer. É um debate bastante antecipado, mas não dá para dizer que eu também não imaginava que isso ia acontecer, porque já sabia onde a gente estava pisando. Também imaginava e projetava que seria um assunto de grande repercussão nesses anos de agora. Já imaginava que viriam alguns livros, que viriam alguns filmes. Ainda acho pouco diante do que é esse movimento. Meu medo era até de alguém fazer antes, porque o filme demora para ficar pronto, mas deu tudo certo. A gente está aí trazendo esse tema à tona, e isso é muito satisfatório. Bruna Linzmeyer: Ah, bom, eu já acompanhava o trabalho da Cíntia há um tempo. Sou bem apaixonada pelos curtas. A gente se seduziu para trabalhar juntas há um tempo, então eu amei o roteiro, o desejo de falar sobre esses temas e também a personagem. A personagem é um deleite para mim. Acho que é a primeira grande vilã da minha carreira. É muito interessante a gente ver uma grande vilã no cinema. A gente está mais acostumado a ver as vilãs nas novelas e os vilões no cinema. Então é muito legal ter a oportunidade, enquanto atriz e profissional do audiovisual, de ter uma personagem dessa magnitude para explorar. Eu acho que a pesquisa foi bem assustadora no começo. Eu não conhecia esse universo e acho que até hoje tem coisas que reverberam e que me assustam muito. Assim, para pesar um pouco o rolê, esse negócio antivax do bebê, que fica doente no filme porque não recebe vacina, e a gente enfrentando o sarampo de volta no Brasil, que era uma doença erradicada, porque as pessoas não querem se vacinar. Para mim é uma situação bem pesada, que eu não achei que a gente ia estar vivendo. Mas o filme é pesado de ter sido escrito anos atrás e, infelizmente, continua em diálogo com essas questões e com a obsessão pela perfeição da mulher, dessa ideia de enxergar a mulher como um papel natural, como se a gente nascesse para ser determinada coisa, mãe, submissa ao marido. Amor, se você quiser ser, você faz o que você quiser. O feminismo lutou muito para que você pudesse ser o que quisesse, mas não existe uma maneira única de ser mulher, né? O que é ser mulher no mundo? Então, acho que isso, infelizmente, também continua muito atual e aterrorizante. Maria Galant: Oi, Gabi. Eu vou começar por como o roteiro chegou em mim. Eu também namoro a Cíntia faz anos. A gente fica querendo trabalhar juntas e ainda não tinha tido essa oportunidade, mas eu conheci ela num festival de cinema, conheci o trabalho dela, ela conheceu o meu trabalho e a gente ficou um tempão naquele “um dia vamos trabalhar juntas”, até que, uns dois anos atrás, pouco mais de dois anos atrás, ela me escreveu para marcar uma chamada. Eu até achei que era de outro projeto que a gente tinha. Aí ela me contou a história de Virtuosas, disse que não sabia exatamente o que queria que eu fizesse, mas que queria que eu estivesse no filme, e me mandou o roteiro para ler. Eu lembro que fiquei numa fissura de que queria muito fazer Germina, que é uma personagem pela qual eu tinha plena noção de que toparia o que ela me oferecesse para fazer. Porque eu queria contar essa história, tinha muita vontade de trabalhar com ela, a gente compartilha também de visões de mundo muito parecidas. Então, quando eu li o roteiro, ele batia em várias questões que estavam no meu interesse, na minha vida, interesse meu no rumo que o Brasil está tomando. Quando eu recebi, eu queria muito fazer a Germina porque ela tem, para mim, uma potencialidade de personagem de poder explorar essa dualidade, essa coisa de as pessoas assistirem imaginando que ela vai para um lugar e ela ir para o outro. Então, foi uma personagem que me interessou muito, me encantou muito por isso. Eu fiquei na torcida, mas eu ia topar o que ela me oferecesse nesse filme porque acho que ele é um filme muito importante para o momento em que está saindo, inclusive. Então, fico muito feliz de estar contando essa história com essa equipe, com esse elenco. E aí, quando ela me deu a Germina de presente, eu também entrei nessa de cabeça, nessa pesquisa, para fazer o que eu pudesse fazer melhor com essa personagem, para ajudar a contar essa história. E acho também que tem isso: esse filme foi escrito na pandemia, o roteiro surgiu na pandemia, o conceito dele, pelo que a Cíntia fala. E eu acho que a gente podia estar vivendo hoje em dia um momento de parecer uma distopia, da gente assistir e pensar: “Meu Deus, mas que loucura”, né? A Cíntia e a Fernanda, que é a nossa outra roteirista, escreveram uma história achando que as coisas iam para esse lugar. Só que não, esse filme está extremamente atual para o momento em que está saindo. E eu acho que por isso o trailer tem tido essa repercussão. As pessoas não esperaram nem o filme sair para tomar decisões em defesa ou em ataque, dizendo sobre o que o filme trata sem ter certeza exatamente sobre o que ele trata, tendo partido pelo princípio só de um trailer de pouquíssimos minutos. Então, eu acho que é porque ele está extremamente atual. Fico muito feliz de ter participado dessa história, mas também muito feliz que ele esteja pronto nesse momento para a gente ter ele como um disparador de conversas, um disparador de debate para esses temas que aparecem na história. Divulgação Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): E o que mais chamou a atenção de vocês na proposta de Virtuosas? Tanto pela possibilidade de fazer um filme de terror feminista produzido em Florianópolis quanto pelo tema que ele aborda, especialmente essa representação das mulheres cristãs e a ideia de “mulher virtuosa”? Brisa Marques: Olha, o filme foi gravado em Florianópolis. A produtora é de Santa Catarina e isso é um lugar fora do eixo de produção audiovisual mais forte aqui do Brasil. Então, tanto eu quanto a Sarah, que a gente mora lá, e a Ju, que já não morava mais lá, mas cresceu lá, acabamos chegando ao projeto por estarmos envolvidas nesse meio. No meu caso e no da Sarah, principalmente pelo teatro, mas também dando uns passinhos ali na galera do cinema de Florianópolis, a gente acabou esbarrando nesse projeto. Só que não foi tipo “estamos andando na rua e esbarrando”, foi por indicação. A gente conheceu gente de dentro do projeto e, como eles estavam precisando de atrizes de lá, a Sarah até comentou que não sabia se tinha feito o teste com outras pessoas. Fizeram, inclusive, no dia em que eu fui, tinha eu e outras pessoas fazendo teste também. Então, tem essa dualidade. É um campo do audiovisual que ainda é um pouco menor, mas justamente por ser menor e a gente estar lá há bastante tempo, a gente esbarrou nas pessoas certas e acabou ganhando esse presentão. Sarah Motta: E sobre o tema do filme, para mim foi muito surpreendente fazer um filme com uma produtora aqui de Florianópolis, um filme de cinema com tantas coisas para falar. Um filme que fala sobre as mulheres cristãs. Eu achei muito importante e mágico, fiquei muito surpresa com a proposta e com a possibilidade de mostrar esse outro lado da igreja, esse outro lado de ser uma mulher cristã, uma mulher virtuosa. Achei bem interessante. Juliana Lourenção: Total, eu concordo com as meninas. Para mim, já era um sonho trabalhar com a Novelo, trabalhar com a Cíntia, voltar para Floripa para poder produzir cinema e ainda mais fazendo terror feminista, um gênero que eu amo, adoro. E feminista, que é como a Cíntia desenvolve essas personagens que são mulheres monstruosamente humanas, cheias de camadas complexas. Elas não são estereotipadas, estão ali em busca de poder e também de manipulação. E acho que aí é que entra esse tema tão contundente da gente trazer agora, nesse momento, no Brasil. O que está por trás de um discurso polido em busca de perfeição, tons pastéis, pérolas, né? O que pode estar por trás? Cuidado. Às vezes, a gente vê ali nas redes sociais essas mulheres virtuosas trazendo a solução de tudo e tem um objetivo aí muito individualista, político muitas vezes, que está ajudando a construir um Brasil mais ultraconservador, com pautas negacionistas que podem ser bastante perigosas. Teve uma coisa que eu comentei até com as meninas na outra sala, que é que o trailer teve uma repercussão gigante, tanto para o lado negativo, das pessoas comentando, quanto pelo lado positivo, de muita gente se surpreendendo com esse tipo de cinema sendo produzido aqui no Brasil. Porque muita gente nem tem noção de que é um tipo de cinema, de que cinema independente e outras histórias além do que está no mainstream são produzidos. Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): E agora, com o filme chegando aos cinemas, como vocês esperam que o público receba essa história? E o que vocês acharam de ver uma repercussão tão grande em torno do trailer? É tão difícil a gente ver um filme independente alcançar esse tipo de alcance nas redes sociais, então queria que vocês comentassem um pouco sobre essa expectativa para a chegada do filme aos cinemas. Juliana Lourenção: Aí eu fico muito empolgada. Eu acho que pode assustar um pouco a polêmica que já tem vindo com o trailer. A gente espera realmente uma polêmica, mas eu estou muito empolgada e ansiosa para ver como vai ser essa repercussão. Eu acho que essa viralização que o trailer teve, para um lado mais de as pessoas julgando, tem aí um efeito manada de redes sociais, que muitas vezes faz com que as pessoas não compreendam de fato o que está acontecendo, até porque é um trailer, não é o filme. A gente precisa assistir ao filme inteiro para poder ter um pensamento crítico a respeito. Eu imagino, eu desejo que, quando as pessoas forem ao cinema assistir ao filme inteiro, vão entender de fato o objetivo do filme, que é justamente criticar pessoas que desvirtuam a virtuosidade, que tiram de contexto e manipulam as crenças de pessoas de fé. Então é para isso que o filme traz isso, com humor, ação, é um terror social e está aí num momento muito importante do Brasil, justamente para a gente ter cuidado em quem a gente vai votar no fim de tudo. Sarah Motta: Para mim, foi uma surpresa a viralização tão rápida, muita gente comentando e toda a polêmica que está causando. Mas também não foi uma surpresa tão inesperada, porque a gente mora no Brasil, que é um país predominantemente cristão. Então, as pessoas estão se identificando e está rolando polêmica dentro da própria comunidade cristã, sabe? Eu acho isso muito legal porque traz para a reflexão esse tema de um padrão perfeito de ser. Então, falar disso… Nossa, eu acho que o filme já está cumprindo um papel muito massa, que é discutir o que seria uma mulher virtuosa, o que é essa virtuosidade que todo mundo busca, que essas mulheres buscam nessa jornada. Brisa Marques: E também tem o lado de que, querendo ou não, a essa altura, tão poucos dias antes da estreia, as pessoas falarem é bom. Não importa o que elas estejam falando. No geral, não importa. O bom é que estejam falando. Teve até uma pessoa que postou um vídeo dizendo: “Não assista a esse filme no cinema”. Faltava colocar onde, o horário, o dia, sabe? Tipo: “Não assista no cinema”. A gente precisa começar a entender aquela coisa, aquela lei do universo, de que, quando a gente fala uma coisa, a gente atrai. O universo não entende o “não”. A gente precisa falar o que a gente quer afirmativamente. Então, eu acho que as pessoas falando bastante do filme vai gerar uma curiosidade gostosa. Eu espero que ele chegue às pessoas com vontade de saber o que é esse burburinho, com vontade de ver a Bruna de volta às telonas, porque essa é a primeira vilã dela no cinema. Acho que isso também traz uma curiosidade. A Bruna é uma atriz superquerida no Brasil inteiro, todo mundo sabe quem ela é, então acho que vai atrair gente por tantos sentidos que vai acabar sendo um sucesso. Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Eu também tenho certeza que vai ser um sucesso e queria agradecer o tempinho de vocês para conversar comigo. Para finalizar, bem rapidinho, queria que vocês deixassem uma dica de filme ou série brasileira para o público. Só não vale Virtuosas, que é o que a gente está conversando agora. Juliana Lourenção: Eu vou indicar um que eu estou apaixonada, que é O Último Azul. É maravilhoso, gente. Quem não viu, assista. Filmaço brazuca! Brisa Marques: Eu estou apaixonada, estou engatada em Máscaras de Oxigênio Não Caíram. É uma indicação automática. Então, quem quer sentir emoções, assista a esse.

  • Entrevista | “O filme é quase uma sátira a essa elite carioca”: Thiago Voltolini fala sobre ‘Precisamos Falar’

    No momento em que interpreta um dos grandes nomes da comédia brasileira no teatro, ator vive um jovem conturbado no novo drama dos diretores de Sob Pressão. Divulgação Estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (24), o novo longa dirigido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz, Precisamos Falar. Conhecidos por trabalhos em séries como Sob Pressão e Emergência 53, dessa vez, a dupla de diretores inaugura a sua união na direção de longas com a 5ª adaptação do bestseller holandês O Jantar, do autor Herman Koch. Protagonizado por nomes consagrados como Marjorie Estiano, Alexandre Nero, Hermila Guedes e Emílio de Mello, o longa também reúne jovens talentos que vêm chamando atenção pela versatilidade em diferentes papéis ao longo dos últimos anos. Um deles é Thiago Voltolini. O ator e dublador paulista é conhecido por sua participação na novela Além da Ilusão (2022) e, em 2026, interpreta o comediante Fábio Porchat nos palcos, em Meu Filho É Um Musical, espetáculo que narra a vida e a trajetória do ator Paulo Gustavo. Em Precisamos Falar, Thiago interpreta Michel, filho de Sandra e Paulo, personagens de Marjorie Estiano e Alexandre Nero, e um dos jovens envolvidos no assassinato de uma mulher em situação de rua. Na trama, os pais dos adolescentes se reúnem para um jantar no qual precisam decidir entre proteger os filhos ou entregá-los à Justiça. Em entrevista ao Oxente Pipoca, o ator falou sobre os desafios de interpretar um personagem tão controverso e complexo, a construção da dinâmica com grandes nomes do cinema brasileiro e o trabalho sob a perspectiva de dois diretores. Thiago também comentou as diferentes faces interpretativas que têm explorado neste momento de sua carreira. Confira a entrevista completa: Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Seu personagem é um adolescente que está envolvido em crime grave, mas ainda assim precisa gerar uma identificação e uma complexidade no público. Como foi que você construiu essa ambiguidade tão distinta nesse personagem? Thiago Voltolini: Olha, para fazer o Michel foi difícil, porque eu via que não tinha espaço para ter um carisma, não tinha espaço para ter tanto uma identificação dos jovens. A minha diretora Rebeca (Diniz), junto com o Pedro (Waddington), dirigiram o filme e a Rebeca chegou em mim um dia e falou Thiago, essa é a cena de abertura do personagem, e ela falou: “Ele precisa ser odiado”. Falei “Vai ser então”. Eu tentei trazer um negócio para a gente tentar humanizar, mas acabou que esse menino simplesmente existe. Eu lembro até de um dia que eu estava num kart e tinha um Michel ali. Ele é esse menino que ocupa um espaço de energia mais pesado. Falava rápido, articulado, e envolvia toda aquela galera para fazer o que ele queria. Então foi quando eu percebi que ele é real, ele pode ser só odiado, e eu segui por esse caminho. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Existiu algum tipo de preparação específica, leituras, referências ou conversas com os diretores, para entender a psicologia de um personagem nessa situação tão intensa, tão no limite? Thiago Voltolini: Olha, a gente teve uma preparação com a maravilhosa Helena Wajwack, e muita leitura também com os diretores, com o elenco. A princípio, eu achei que o personagem era um psicopata. Foi a primeira impressão que eu tive dele. E eu fui até atrás do livro da Dra Ana Beatriz, o Mentes Perigosas, fui atrás de ler, fui entendendo, e conforme eu fui lendo e cada vez mais aprofundando no roteiro, e na preparação, eu entendi que ele não é um psicopata. Talvez um sociopata, mas ainda assim eu acho que ele é um menino, fruto desse meio, fruto desses pais. Então seria muito fácil inocentar, falando que ele simplesmente é um psicopata. Mas não. É resultado que pode ser gerado a partir de uma educação, a partir de um contexto, a partir de uma criação, que acontece por aí. Então, entendendo, simplificando, humanizando esse personagem, foi o caminho que a gente encontrou de deixar mais real possível, e mais assustador possível. Porque, tem alguns psicopatas no mundo, como algo bem distante. Mas pode ser teu filho. Na verdade, está mais perto do que a gente imagina. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): O filme discute até onde vai o amor de pai e mãe. Quando são confrontados sobre a gravidade de um crime cometido pelo próprio filho. Na sua leitura, o que Precisamos Falar tem a dizer sobre o privilégio de classe, nesse sentido? Thiago Voltolini: Olha, muita. Precisamos falar, eu falo que ele é um filme perturbador, é a palavra que eu escolho para ele. E ele tem muita, quase uma sátira a essa elite carioca, a essa bolha que existe de criação. A falta que o contato com o mundo externo faz na criação de uma criança, até na cabeça desses próprios pais. Então, não é que existe outra possibilidade. É que o mundo é assim. E isso vai gerando um resultado por falta de consequência. O pessoal fica com a pessoa que tudo pode. Não tem consequência, é tudo engraçado. Então, não tem acesso. Por exemplo, no filme, o meu personagem, sem querer dar spoiler, comete um crime gravíssimo contra uma pessoa em situação de rua, uma vulnerabilidade à qual ele não tem contato. Ele não sabe que a pessoa que não tem privilégio, que o levou a estar nessa situação. Não é nem gente pra ele. Então, esse choque cultural, dessa bolha, dessa criação, desconecta totalmente a pessoa da realidade. E a partir daí, tudo desanda. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): O Michel é um dos adolescentes no centro dessa tragédia, mas esse peso moral também recai muito sobre os adultos que estão ao redor dele. Como foi contracenar com a Marjorie (Estiano), e com o Alexandre (Nero) nessas cenas de confronto? Você está contracenando com dois gênios da televisão brasileira. Como é dividir um pouco daquele peso de estar cercado dessas pessoas e ao mesmo tempo de ser filho do casal que precisa enfrentá-lo naquele momento. Thiago Voltolini: Olha, foi muito legal trabalhar com a Marjorie e a gente se fechou muito ali. Foi muito gostoso mesmo. Porque a Marjorie chama o meu personagem, o Michel, no filme de príncipe. Isso ficou até hoje. Então ficou muito legal. E o Nero também. O Nero é uma figura. Ele tem uma casca, não sei o que, mas imagina. Ficava nos bastidores fazendo mágica pra ele. Então a gente se conectou de uma forma muito legal. E a preparação com a Helena foi muito boa por isso também. Aproximou a gente. E nessas leituras, nessa preparação, e estar no set com eles era um jogo. Então nós três nos perguntamos “Como é que a gente vai fazer essa cena? Por onde que a gente vai? E quando a gente entende que não é o Nero e a Marjorie. São 3 atores precisando fazer a cena render. Precisando fazer ela acontecer junto com a direção. Porque tem luz caindo de manhã. Vai chover. Precisa passar a cena pra hoje. A gente só queria fazer o melhor possível. E claro, também aprendi muito. Tava aqui um roteiro de Marjorie solto, eu ficava observando como ela estuda esse roteiro. Aí passava o Nero, falava a parte dele também. E era totalmente diferente um do outro. Nossa senhora, fui pegando muita coisa. Fui estudando muito como eles estudam. Achei isso muito legal. O processo de concentração de cada um. Mas a cena em si, ver que eles se jogam muito. Eu não pensei em outra coisa. Falei, vou [me jogar] também. Qualquer coisa eu caio. Mas eu confio que eles vão me segurar. Porque são eles. Mas então eu fui de cabeça porque via que eles estavam também. E acho que funcionou muito. E foi muito legal aquela preparação por toda a gente que se uniu e ficou até o final. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Você mencionou também a direção do Pedro Waddington e da Rebeca Diniz. Trabalhar sobre a direção de dois diretores muda a dinâmica do set? Como foi essa parceria deles dois com você na construção das cenas? Thiago Voltolini: Olha, foi muito gostoso. Porque é o primeiro filme deles também. Então foi muito gostoso porque eles tem uma sensibilidade muito forte de querer contar essa história. Que é uma história muito difícil de contar. Sem cair num clichê. Sem cair também numa moralzona. O filme vai sair no ano de eleição. Então é muito delicado tudo isso. E eles fizeram essa dança muito bem feita. E era muito bom que a Rebeca ficava com a gente do elenco. Ela falava mais com a gente no sentido de organização. Ela dizia “A pessoa precisa te odiar, Thiago” O Pedro estava na direção de cena, na luz, na câmera, no movimento, no plano. E eles juntos dividiam isso. Então era muito gostoso. Porque eram sets diferentes. O Pedro se eu não me engano era quase até mais rápido. Vamos aqui, vamos lá. Outro dia eu vi o Pedro com a câmera no colo. Então é muito bom porque foram duas produções praticamente. Acesso a dois diretores em um filme. E ao mesmo tempo é ótimo que a gente conseguisse dividir. Então na sala estavam gravando uma cena com a Rebeca. Lá no quarto outra com o Pedro. E acontecia ao mesmo tempo. Então foi muito bom. Foi a primeira vez que eu tive dois diretores em um filme. E eles têm um casamento entre eles muito bom. Porque eles vêm de Sob Pressão. Já fizeram vários trabalhos juntos. E ver os dois existindo era muito bom. Eu e o Guilherme (Cabral), que era amigo do elenco também, que faz o Rick. A gente ficava assistindo os dois, discutindo uma cena, criando como se fosse um projeto. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Você mencionou que esse é seu primeiro protagonista no cinema. Depois de anos construindo a carreira na TV, no streaming, no teatro. O que muda na rotina e na responsabilidade de carregar um filme nessas dimensões com esses diretores e com esse elenco? O que muda pra você? Thiago Voltolini: Olha, muda que dá vontade de fazer mais. Esse foi o meu primeiro filme. Faz três anos que a gente filmou e vai sair só agora. Desse tempo pra cá, eu fiz outros filmes. Mas esse sempre fica batendo na tecla. Sempre, sempre, sempre. É um filme muito especial. Com uma direção muito especial. Com um elenco muito forte. Então, é um presente pra mim que tinha feito filmes até então. Até esse filme, eu só tinha feito novela e uma série. E aí, esse filme? Nossa senhora. Foi muito forte. Entrei de cabeça, fui pro Rio. Preparação, filmou e depois, Festival do Rio. Teve uma repercussão que não fazia parte da minha rotina. Foi o meu primeiro Festival do Rio. Foi a minha primeira Mostra de São Paulo. O filme foi pra França. Foi pro Festival de Biarritz, que eu fui junto com a Rebeca e com o Pedro. Então, foi uma rotina de sonho. Quando criança eu falava que queria entrar na TV. Agora tô na França. Sabe? Com um filme desse tamanho, dessa importância, que é baseado num livro holandês. Já teve cinco versões no mundo. E agora, a nossa, a brasileira. Então, ele engloba muita coisa que era melhor do que eu podia pensar. Imagina, nem sonhava com isso. Divulgação Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Você está simultaneamente nos palcos com o Meu Filho é Um Músical, vivendo o Fábio Porchat. E no cinema com um thriller psicológico super pesado. Como é alternar essas coisas tão diferentes nessa mesma fase da carreira em tese, né? Que você gravou o Precisamos Falar há um tempo, mas você está revivendo tudo isso agora e também nos palcos fazendo uma pessoa que está aqui, agora, jovem e ativa, falando sobre um grande ícone, que foi o Paulo Gustavo. Como é para você ver esses dois lados tão diferentes? Thiago Voltolini: Olha, eu não imaginava que o lançamento do filme ia ser ao mesmo tempo com essas doses homeopáticas de Fábio Porchat. Não imaginava nunca. Esse é meu primeiro musical também. Tive o sonho de fazer um musical, comecei a estudar canto. Tudo isso muito depois do filme. E deu certo. Agora eu tô fazendo um musical no Teatro Renault, a gente fez no Rio de Janeiro, agora eu tô aqui em São Paulo, fazendo o Fábio Porchat. Ontem eu estava fazendo duas sessões no Teatro Renault e agora eu tô indo pro Rio lançar um filme e voltar a ficar sério. Política, sociopolítica, saúde mental, violência, sabe? Tudo isso é muito importante. E o pessoal do musical quer assistir o filme. Tem gente do filme que foi ver o musical e essas duas linguagens não combinam muito. Por exemplo, a Júlia, que ela faz a Valéria no filme, o pai dela tem medo de mim (risos). Ele só assistiu o filme. E ela tava doida pra levar ele pra ver o musical pra quebrar um pouco. Então é muito gostoso fazer esse musical, contar a história do Paulo Gustavo, podendo ser o Fábio Porchat. Eu falei isso essa semana. Se tivesse nesse musical, se eu tivesse fazendo outro personagem, eu ia estar morrendo de inveja de quem tá fazendo o Fábio Porchat. Que é o personagem que eu mais gostei de fazer nessa peça. Então é muito louco existir nesses dois lugares. Eu fico curioso para ver como o mercado vai enxergar isso também. Fazer esse thriller psicológico e ao mesmo tempo o Fábio Porchat. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Thiago, com idade tão jovem e com uma carreira que começou na ainda infância, como é que você descreveria essa nova fase agora? Que se iniciou com o filme e persiste até hoje. Thiago Voltolini: Agora eu acho que pela primeira vez eu me sinto muito no palco certo, na luz certa. Porque eu estudei teatro criança. Depois até meus 18 anos fui me profissionalizar. Mas a partir dali eu comecei a fazer muito audiovisual. Comecei a fazer novela, filme, série. E agora eu volto pro palco. Fazendo um musical, que era um sonho. No Teatro Renault, que era sempre muito um lugar que eu frequentei muito. E ao mesmo tempo que eu tô lançando o filme. Então eu vejo muita sorte. Eu vejo muito privilégio de poder estar num lugar certo, na hora certa. E também o medo de perder esse cavalo da oportunidade passar por mim. Eu quero subir nele. E quero ir o máximo que eu puder colhendo esses frutos, de todos esses trabalhos. Porque ao mesmo tempo é muito gostoso e ao mesmo tempo tem uma ansiedadezinha. Tem uma pressão de... É agora! Você não queria? Tá aqui! E aí? E tá aqui mesmo. Então é uma alegria que eu quero dar conta. Se Deus quiser eu vou dar. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): O que você espera que os jovens, assim como ele, levem para casa com o seu personagem de Precisamos Falar? Thiago Voltolini: Eu torço muito pro Michel ser odiado. Morro de medo, mas acredito que existam esses jovens que vão querer ser amigos dele. E esse é o problema. Então o recado do filme não é nem pros jovens. É para os pais. Tanto o subtítulo do filme praticamente é o que você faria se fosse seu filho. E eu vou além. Eu acho que seria na verdade, você conhece seu filho? Porque pode ser. Esse é o ponto. O que ele vê na internet? Com quem ele conversa? Porque eu acho que você é um fruto do meio, das cinco pessoas, das dez pessoas que você anda, que você conversa, que você existe. E quem são essas pessoas? Então eu acho que ele é muito real. Vimos, por exemplo, agora no caso do cachorro-orelha. É o Michel. Essa família, esses jovens que não tem o mínimo de um escrúpulo, de sanidade, de ver a maldade naquilo. É diversão. Então eu acho que os jovens, se estiverem com essa condição mental, talvez gostem do filme. Mas eu espero que eles encarem todo esse lado de consequência que vem depois. E pros pais, para essas famílias, eu acho que vai ligar. Tem um disjuntor que não tem como desligar assistindo esse filme, tendo essa mensagem. E espero isso. Que chegue o máximo de pessoas possíveis. Que isso aconteça cada vez menos. Que a gente possa viver com humanidade daqui pra frente. Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Para finalizar, nós temos uma tradição de pedir aos nossos entrevistados que indiquem três filmes ou séries brasileiras para o pessoal que acompanha o Oxente Pipoca. Thiago Voltolini: Tem uma série do Globoplay que se chama Os Dias Eram Assim. Que eu acho muito bem feita. É da Alessandra Poggi, que eu fiz uma novela com ela também. E também tem no Globoplay agora, Emergência 53. Me pegou legal, tá? Preciso falar isso. Para indicar o que tá mais fresco agora. E trazendo um lado menos sério, mais Fábio Porchat. Gosto muito de... Posso falar Minha Mãe É Uma Peça 3. Não preciso nem indicar, né? Todo mundo já viu. Estou bebendo muito essa fonte ultimamente.

  • ‘A Estirada’, de Sérgio de Carvalho e Pedro von Krüger, conclui filmagens no Acre

    Produzido pela Saci Filmes, longa dirigido por Sérgio de Carvalho e Pedro von Krüger tem Bruno Gagliasso e Adanilo no elenco ao lado de nomes premiados do cinema latino-americano. Imagem: Divulgação A Estirada, novo longa-metragem de Sérgio de Carvalho e Pedro von Krüger, concluiu as filmagens este mês no Acre. Filmado entre as Amazônias peruana e brasileira, o filme contou com uma equipe e elenco de diferentes países sul-americanos, que inclui o amazonense Adanilo ao lado de Bruno Gagliasso e nomes importantes do cinema latino-americano, como os bolivianos Cristian Mercado (Contra Corrente e Che) e Erika Andia (Puan), além do peruano Fernando Bacilio (Melhor Ator no Festival de Cinema de Locarno, em 2013, por El Mudo, Silvia Majo, (Melhor Atriz no Festival de Lima, em 2026) e Naamin Timoyko, atriz trans peruana. O longa teve ainda um intenso processo de casting para recrutar atores locais nas regiões onde foi filmado e conta com a participação do povo indígena Ashaninka, reconhecido por seu protagonismo na defesa da Amazônia. Descrito por Carvalho como um “river movie”, uma espécie de road movie sobre as águas dos rios amazônicos, o longa acompanha dois jovens numa jornada de sobrevivência e redenção pelo coração da floresta. Guiados por um ex-integrante do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, organização considerada terrorista pelo governo do Peru, eles atravessam terras indígenas isoladas, até entrarem em território do povo Ashaninka, onde o narcotráfico encontra resistência. “Nos últimos meses tivemos um trabalho intenso entre preparação e filmagem. Durante esse processo, a melhor coisa do mundo foi estar no meio da Amazônia, com uma câmera na mão e uma equipe com muita vontade de fazer cinema e contar essa história. Reunimos profissionais do Brasil, do Peru e da Bolívia em um filme falado em espanhol, português, ‘portunhol’ e ashaninka. Nos momentos em que a barreira da língua se apresentou, recorremos à linguagem universal do cinema para nos comunicar. O resultado foi uma experiência única para todas as pessoas envolvidas.” A obra foi rodada em dois momentos do ciclo amazônico — cheia e seca — para registrar as transformações da paisagem e também refletir os efeitos das mudanças climáticas na região. Entre março e abril de 2026, as gravações aconteceram na região de Pucallpa, no Peru, próxima à fronteira com o Brasil. Em agosto, as filmagens foram finalizadas no município de Cruzeiro do Sul, no Acre, nos Rios Môa, Crôa e Gama e na Terra Indígena Ashaninka, aldeia Apiwtxa no Rio Amônia. Carvalho e von Krüger retomam a parceria de Noites Alienígenas, do qual foram, respectivamente, diretor e diretor de fotografia. O longa, vencedor de cinco prêmios no Festival de Gramado (2022), incluindo Melhor Filme, foi o que revelou Adanilo. A produtora executiva é a amazônida Karla Martins e a gaúcha Samanta Sironi, também parceiras da dupla de diretores em Noites Alienígenas, reforçando a continuidade da equipe criativa do projeto. Produzido pela Saci Filmes, em parceria com a Eita Pau Produções e a Com Domínio Filmes, o longa tem coprodução e distribuição da Vitrine Filmes. A Estirada conta com patrocínio master da Petrobras, que investe no fortalecimento do cinema brasileiro e no desenvolvimento da cultura nacional, apoiando projetos que valorizam a diversidade, a identidade cultural e as múltiplas expressões artísticas do país.

  • Crítica | Os Arcos Dourados de Olinda

    Humor ácido e flerte com o absurdo norteiam documentário que já se consagra como um dos melhores e mais marcantes filmes brasileiros do ano. Divulgação Seria fácil desmerecer o cinema de arquivo como uma forma “preguiçosa” de se fazer filmes, já que ele se concentra na articulação entre imagens prévias (sejam fotos ou vídeos). No entanto, há um trabalho laborioso e criativo na montagem que cria sentido e uma narrativa específica através destas imagens oriundas das mais diversas fontes. Assim, uma obra como Os Arcos Dourados de Olinda se destaca primeiramente através da montagem dos arquivos que a compõem, mas esse é apenas o primeiro aspecto de muitos que brilha no filme. Dirigido por Douglas Henrique e com uma trajetória já consagrada em vários festivais brasileiros, Os Arcos... reúne dois universos que aparentemente não têm nada em comum: o bairrismo pernambucano e a polarização ideológica entre capitalismo e comunismo. O que une esses dois universos, segundo Henrique? A história da falência do primeiro McDonalds em Olinda, em meio à disputa pela prefeitura da cidade entre Jacilda Urquisa (PMDB) e Luciana Santos (PCdoB) no início dos anos 2000. O que parecia ser uma mera anedota na história olindense se converte na mais perfeita representação da resistência contra o imperialismo ianque nesta narrativa, que, entre ecos de realidade e ficção, atinge patamares tão absurdos que é impossível não se deixar levar por ela. Como dito antes, o trabalho de montagem (também assinado por Henrique, que além disso co-roteiriza o filme junto com Arnon Hochman) é o primeiro aspecto que salta aos olhos diante da coesão com a qual o diretor trabalha as imagens e vídeos de arquivo. O começo pode até parecer desorientador, retornando à queda da União Soviética para contextualizar o conflito comunismo vs capitalismo antes de focalizar em Olinda e seu panorama político na virada do século. Mas não tardamos a sermos conduzidos por essas imagens, sobretudo com o emprego da narração fabulosa de Giordano Castro, a qual evita o tom acadêmico pedante típico de algumas obras desse formato em prol de um registro sardônico e ácido que colabora ainda mais para o aspecto satírico da obra. Divulgação Com isso, não é difícil imergir numa narrativa que constantemente flerta com o absurdo, saltando entre as imagens das campanhas de Jacilda e Luciana e as fotos e registros no McDonalds da cidade, inaugurado numa avenida que era polo das figuras marginalizadas olindenses. É como se a fina ironia que permeia o curta-metragem só existisse porque tal ironia já está presente nos fatos aqui narrados, independentemente da abordagem aqui adotada. Até o bairrismo pernambucano, o qual normalmente me irrita um bocado na vida real, ganha uma lógica e emprego aqui que fazem todo sentido, especialmente pelo tratamento ácido que Henrique confere à história que conta. Bastam alguns minutos para entender porque Os Arcos Dourados de Olinda tem se revelado um verdadeiro fenômeno a cada festival em que é exibido. O longa de estreia de Douglas Henrique faz desse pedaço da história de Olinda um microcosmo das disputas ideológicas que engolfam o mundo há mais de um século. Entre o orgulho olindense e pernambucano e as críticas ácidas ao soft power estadunidense, o resultado final é um dos melhores e mais divertidos filmes brasileiros do ano. Nota: 4.5/5

  • Curta pernambucano 'Os Arcos Dourados de Olinda' representa o Brasil na corrida por indicação ao Oscar 2027

    Curta-metragem dirigido pelo cineasta Douglas Henrique está qualificado e leva o cinema brasileiro para a disputa de Melhor Documentário Curta-Metragem na premiação da Academia. Imagem: Divulgação O audiovisual brasileiro ganha protagonismo no circuito internacional com a trajetória de Os Arcos Dourados de Olinda. O curta-metragem documental, dirigido por Douglas Henrique, representa o Brasil na corrida por uma indicação ao Oscar 2027 na categoria de Melhor Documentário Curta-Metragem. A obra conquistou elegibilidade oficial para concorrer à vaga na 99ª edição da maior premiação do cinema mundial. Narrado pelo ator Giordano Castro (Grupo Magiluth), o curta de 24 minutos investiga a famosa lenda de que Olinda teria sido a primeira cidade do mundo a falir um McDonald's. Realizado integralmente a partir de imagens de arquivo, o filme constrói uma crônica política irônica sobre um episódio tardio da Guerra Fria em solo pernambucano, travada entre a primeira prefeita comunista do Brasil e o maior símbolo do capitalismo estadunidense. "Estamos todos muito felizes com a trajetória do filme até aqui, principalmente com essa aceitação popular, o filme alcançou muitos públicos fora da bolha de festivais e teve um engajamento orgânico que é muito raro acontecer. Representar o cinema brasileiro e pernambucano nessa caminhada é uma honra imensa e uma validação da potência das histórias que são realmente nossas, contadas do nosso jeito.", afirma o diretor Douglas Henrique. A qualificação para a 99ª edição da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas veio após a vitória no 31ª É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, um dos mais importantes festivais do gênero no mundo, onde conquistou todos os prêmios da edição, incluindo o de Melhor Documentário. No circuito internacional, o curta também foi laureado com o prêmio de Melhor Documentário Internacional no 23ª Bogoshorts (Colômbia), recebeu Menção Honrosa no Festival do Rio e o Prêmio Especial do Júri no 35ª Festival Curta Cinema. O filme também integrou a seleção oficial de eventos de prestígio como o IndieLisboa (Portugal), Festival de Havana (Cuba), Biarritz Amérique Latine (França), BlackStar Film Festival (EUA), além de passar por janelas brasileiras essenciais como o Janela Internacional de Cinema do Recife, Cine-PE, Festival Guarnicê de Cinema, Kinoforum e o Festival de Vitória. A primeira etapa decisiva, a votação preliminar dos membros da Academia, acontecerá entre os dias 7 e 11 de dezembro de 2026. O anúncio oficial da shortlist, com os 15 semifinalistas mundiais, será realizado no dia 15 de dezembro de 2026. Os cinco indicados finais ao Oscar serão revelados em 21 de janeiro de 2027.

  • Crítica | A Queda 2: No Limite

    Sequência repete a fórmula do primeiro filme, mas não consegue reproduzir sua tensão. Divulgação Depois de transformar uma torre abandonada em cenário para uma das experiências mais claustrofóbicas do cinema recente, A Queda retorna com uma sequência que tenta reproduzir a mesma sensação de perigo em um novo cenário. A Queda 2: No Limite estreia no Brasil em 1º de outubro e acompanha a irmã de uma das protagonistas do primeiro filme, que decide honrar o legado da jovem ao se aventurar em uma trilha proibida nas montanhas da Tailândia. Ao lado de outra jovem, ela se coloca diante de uma situação extrema, mas a sequência logo deixa evidente que repetir a fórmula não é suficiente para recuperar o impacto do original. O primeiro filme funcionava porque sua premissa simples permitia explorar até o limite o medo da altura, o isolamento e a sensação de que qualquer movimento poderia ser fatal. Aqui, esse mecanismo perde força. O suspense é mais fraco e muitas das situações de perigo surgem a partir de decisões tão questionáveis das personagens que a apreensão dá lugar à irritação. Em vez de acompanhar a tentativa desesperada de sobrevivência, frequentemente nos perguntamos por que elas simplesmente escolheram se colocar naquela situação. Divulgação É como assistir ao mesmo truque de mágica pela segunda vez. Pode até funcionar durante alguns minutos, mas você já sabe como ele termina, e nada supera a primeira vez. A Queda 2 reproduz os principais elementos do original sem encontrar uma nova maneira de provocar o mesmo desconforto. O filme ainda tenta ampliar sua discussão ao abordar a relação entre fãs, legado e a necessidade de transformar determinadas experiências em prova de coragem. A ideia poderia render uma camada interessante à história, mas fica na superfície e acaba funcionando mais como justificativa para a aventura do que como algo realmente desenvolvido pelo roteiro. A inclusão de uma trama envolvendo tráfico de drogas também parece deslocada. Em vez de surgir naturalmente da história, o elemento funciona como uma tentativa de aumentar as apostas e tornar a situação mais perigosa. O resultado é uma narrativa que acumula conflitos, mas não consegue transformar essa escalada em tensão de verdade. No fim, A Queda 2: No Limite ainda consegue entreter em alguns momentos, especialmente para quem compra a proposta de acompanhar mais uma aventura de sobrevivência. O problema é que, quando comparado ao primeiro, o longa parece menos interessado em encontrar uma identidade própria do que em reproduzir uma experiência que já funcionou. A torre mudou, mas o filme não encontra uma maneira convincente de fazer com que o público sinta novamente aquele medo de olhar para baixo. Nota: 1,5/5

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