top of page

Resultados de busca

Resultados da busca por "festival rio"

496 resultados encontrados para "festival rio"

  • Crítica | Julián (TIFF 2026)

    Animação colorida do Cartoon Saloon encontra beleza em sua mensagem de aceitação, mas transforma uma história cheia de possibilidades em uma experiência previsível e superficial. Imagem: Divulgação Quando criança, alguns filmes parecem muito maiores do que realmente são. A imaginação consegue preencher os espaços que o roteiro deixa vazios, transformar personagens simples em grandes aventuras e fazer uma história permanecer na memória por anos. É justamente por isso que Julián, novo filme do Cartoon Saloon, acaba sendo uma experiência frustrante. A animação tem tudo para ser uma daquelas obras que crianças podem assistir e guardar com carinho, mas falta ao filme a profundidade necessária para que ele também funcione para quem está do outro lado da infância. Baseado no livro infantil Julián Is a Mermaid, de Jessica Love, o filme acompanha Julián, um garoto enviado para passar o verão em Nova York com sua avó, Abuela, que ele mal conhece. Curioso, criativo e completamente fascinado pelo oceano, Julián encontra na cidade um grupo de meninas que está preparando fantasias para a parada das sereias de Coney Island. Ao descobrir o evento, ele decide que também quer participar, e que precisa se transformar em uma sereia. A partir dessa premissa, Julián constrói uma história sobre identidade, criatividade e aceitação. O relacionamento entre Julián e sua avó é o verdadeiro coração do filme. Enquanto o garoto tenta descobrir quem é, Abuela também começa a reencontrar partes de si mesma que havia deixado para trás. A princípio, ela não entende completamente o comportamento do neto, mas aos poucos passa de uma posição de resistência para alguém disposto a ajudá-lo a realizar seu sonho. E é justamente nessa relação que o filme encontra seus melhores momentos. A mensagem de aceitação é genuinamente bonita, principalmente porque não precisa ser transformada em um grande discurso. Abuela simplesmente aprende a enxergar o neto como ele é. Existe algo muito sincero na maneira como o filme mostra que o amor de uma família pode significar permitir que uma criança seja livre para descobrir sua própria identidade. Visualmente, a animação também é um dos grandes destaques. O filme abandona o estilo das ilustrações originais de Jessica Love e constrói uma identidade própria, cheia de cores vibrantes, brilhos, glitter e texturas que parecem ter saído diretamente dos desenhos de Julián. A decisão funciona especialmente bem porque estamos vendo o mundo através dos olhos do protagonista: tudo parece maior, mais colorido e mais mágico. O design da casa de Abuela também é impressionante. Cada objeto parece ter sido colocado ali para revelar um pouco mais sobre sua personalidade e sua história, enquanto o bairro de Brooklyn é apresentado como uma comunidade viva, cheia de pequenos detalhes. Existe um carinho evidente na construção desse universo, desde a loja de esquina até as crianças brincando pelas ruas. O problema é que toda essa beleza visual parece esconder um roteiro que nunca consegue acompanhar sua própria imaginação. Imagem: Divulgação Julián é um personagem que poderia enfrentar diversos conflitos interessantes. Ele é uma criança que chega a uma cidade nova, mora com uma avó que mal conhece, está tentando encontrar seu espaço em uma comunidade desconhecida e expressa sua identidade de uma maneira que poderia gerar diferentes reações. Mas o filme parece ter tanto medo de criar conflitos que resolve quase todos eles antes mesmo que possam começar. Sempre que surge a possibilidade de alguma dificuldade, ela desaparece rapidamente. A comunidade o aceita. As meninas o recebem no grupo. Abuela muda de ideia. E quando finalmente aparece um conflito mais significativo, já estamos perto do terceiro ato e as consequências são pequenas demais para causar impacto. Isso faz com que Julián seja previsível justamente quando deveria ser mais emocionante. Sabemos para onde cada situação está indo, sabemos que os personagens vão encontrar uma maneira de se entender e sabemos que a mensagem de aceitação será reafirmada antes dos créditos. O problema não é o fato de o filme ser otimista, mas a maneira como ele confunde otimismo com ausência de conflito. Essa escolha também é especialmente frustrante quando lembramos do histórico do Cartoon Saloon. Filmes como Wolfwalkers e Song of the Sea conseguiam abordar temas infantis com uma enorme sofisticação visual e narrativa, criando histórias que funcionavam tanto para crianças quanto para adultos. Julián possui a mesma preocupação estética, mas não encontra a mesma complexidade. Em alguns momentos, parece que estamos assistindo a uma coleção de pequenas cenas fofas conectadas apenas pela necessidade de chegar à próxima mensagem positiva. Há elementos fantásticos que parecem importantes, mas nunca são desenvolvidos o suficiente para que entendamos exatamente como fazem parte daquele universo. Outros conflitos aparecem e desaparecem sem deixar consequências. Isso não significa que crianças não possam encontrar muito para gostar aqui. As cores são lindas, os personagens são carismáticos e a história transmite uma mensagem importante de maneira acessível. Para o público infantil, Julián provavelmente funciona muito melhor do que para adultos. Mas uma boa animação infantil não deveria precisar escolher entre entreter crianças e oferecer algo para os adultos. As melhores obras do gênero conseguem fazer os dois. Julián parece ter sido construído pensando principalmente no primeiro grupo, e isso acaba limitando bastante sua experiência. No fim, Julián é uma animação bonita sobre uma mensagem importante, mas que nunca consegue transformar essa mensagem em uma história realmente marcante. A direção de Louise Bagnall cria um mundo colorido e cheio de personalidade, enquanto a relação entre Julián e Abuela oferece alguns momentos genuinamente emocionantes. Ainda assim, o roteiro excessivamente previsível e a falta de conflitos relevantes fazem com que tudo pareça mais superficial do que deveria. Para uma criança, talvez seja uma porta de entrada encantadora para uma história sobre identidade e aceitação. Para um adulto, porém, fica a sensação de que havia um filme muito mais interessante escondido dentro dessas cores. Nota: 2/5

  • Crítica | Papagaios (Gramado 2025)

    Estreia de Douglas Soares na direção, o longa — que conquistou no último Festival de Gramado os prêmios Um deles é Tunico (Camilo), cearense radicado no Rio que ganhou a alcunha de “melhor amigo dos repórteres

  • Crítica | O Mez da Gripe (15º Olhar de Cinema)

    Nesse sentido, me fez lembrar outro filme feito no festival, Gato na Cabeça, ao retrabalhar essa “prova

  • Entrevista | “Estou firmando a assinatura artística do tipo de cinema que quero contar para minha vida”: Ana do Carmo fala sobre “Nevrose” e “Sol a Pino”

    Diretora baiana exibiu “Nevrose” na Mostra Panoramas, no Festival de Tiradentes, e inicia as gravações baiana Ana do Carmo, sócia da Saturnema Filmes, acaba de lançar seu novo curta-metragem, Nevrose, no Festival Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): “Nevrose” integrou a Mostra Panorama do Festival de Tiradentes.

  • THE LAST OF THE TRIBE: Ethan Hawke, Zaya Guarani e Orlando Bloom estrelam coprodução brasileira que se passa na Amazônia — European Film Market (EFM) da Berlinale

    destaque no European Film Market (EFM) 2026, o mercado audiovisual que integra a programação oficial do Festival

  • Crítica | Piggy (Cerdita)

    A crueldade social elevada ao seu grau mais doentio Divulgação: Paramount+ Baseado num curta-metragem de mesmo nome, ‘Piggy’ é um longa franco-espanhol dirigido por Carlota Martínez-Pereda e estrelado por Laura Galán. Ambientado numa pequena cidade, acompanhamos Sara, uma adolescente com excesso de peso que ao se banhar numa piscina, é alvo de bullying por parte de outras três garotas, que logo depois são sequestradas por um homem misterioso que por alguma razão não a faz mal. Laura Galán é o maior destaque do elenco, sua personagem como alvo fácil da imbecilidade social, torna possível com que ela transpareça sentimentos e reações verossímeis. Sua raiva pode ser vista com clareza e até compartilhada pelo público, e suas frustrações são compreensíveis em todos os níveis, é perceptível o incômodo da personagem em diversas situações, tanto na questão de ataques quanto entre sua família. Quem merece menção aqui também é Richard Holmes, que interpreta o homem desconhecido. Carregado de mistério, esse é o personagem que mais contracena direta ou indiretamente com Sara. Seus momentos se dão com poucos diálogos, havendo uma necessidade expressiva de sentimentos e sensações a olho nu. Ele é uma figura que amedronta sem fazer muita coisa, Richard repassa bem essa aura de mistério e medo que o personagem pede, e fica mais evidente quando ele está em contato com outras pessoas. A narrativa é bastante rápida e tenta ser direta, ela se desenvolve bem dentro do que propõe e se vê que sua abordagem é feita usando elementos que vão agregar à história de modo geral. Tem um roteiro claro e sem muitas nuances, mas a direção de Carlota em momentos de tensão é bem efetuada. A execução dos instantes finais do filme poderiam ter tido uma visão ampla, contudo, não chega a ser um defeito. Em momento algum o filme tenta transparecer lições de moral, apesar da obviedade na crítica social. Mesmo com o título e a personagem dando margens para uma história que poderia ser de vingança, ele alavanca um novo tema dentro disso tudo que deixar o clima mais pesado; o abuso. Além do já esperado e sofrido bullying com a protagonista pelo seu peso, há uma inserção de drama ampliando abusos que ela sofre fora desse tema, em sua família e com o homem desconhecido, sendo esse o que mais constrange e amedronta. Para encerrar, 'Piggy' é um bom terror psicológico com um misto de slasher que faz o público se conectar à trama com facilidade. Sua força está na protagonista do início ao fim, e Galán consegue puxar para si essa responsabilidade e executá-la bem. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Gato na Cabeça (15º Olhar de Cinema)

    A memória e a imagem maculadas pelo tempo e pela linguagem cinematográfica. Imagem: Divulgação Um dia, a diretora letã Laika Pakalnina encontrou numa lixeira uma sacola repleta de rolos de filmes fotográficos abandonados. Este incidente se revela o ponto de partida de Gato na Cabeça (inclusive sendo dramatizado nos primeiros e últimos minutos do longa-metragem), visto que Pakalnina, ao explorar estas fotografias feitas por um indivíduo desconhecido, decide reconstituí-las, oferecendo-lhes contexto e até mesmo doses extras de materialidade à medida que as encena. Assim, Gato na Cabeça se revela um filme-arquivo nada ortodoxo, já que Pakalnina alia o registro fotográfico ao dispositivo ficcional para criar um híbrido curioso e único. Quem são essas pessoas que vemos nas fotografias e nas encenações? Não sabemos, tampouco a diretora. Ela se aproveita dessa falta de informações para lhes conferir os próprios nomes (o menino que tira as fotos se chama Anton, sua avó se chama Emma e por aí vai), e brinca com as possibilidades, às vezes criando certas situações meio absurdas para “explicar” os contextos em que aquelas fotos foram tiradas. Ao vermos o crescimento de “Anton” através do cotidiano em que as imagens são feitas, o filme acaba se tornando até uma espécie de coming-of-age, ao mesmo tempo em que são refletidas as memórias da Letônia sob o domínio soviético na segunda metade do século passado. Mas sem sombra de dúvidas o que ajuda a tornar Gato na Cabeça mais distinto, para além da sua proposta narrativa, é a maneira como experimenta em sua forma. As fotografias aqui exibidas são repletas de imprecisões: nitidez indistinta, elementos aleatórios nas tomadas, transições em wipe, exposições duplas ou acidentais, e por aí vai. O que Pakalnina faz com aquilo que seria visto como defeito técnico ou da falta de profissionalismo de “Anton”? Faz disso a própria forma do filme. Para além da sua bela fotografia em P&B para se acomodar às próprias fotografias, bem como do trabalho de som para “preencher” algumas fotografias, vemos constantemente a imagem cinematográfica sendo inundada pelas exposições duplas, elementos aleatórios, enquadramentos incomuns e tanto mais que, se em alguma medida causam estranhamento, ao mesmo tempo nos imergem nessas fotografias. É como se o filme respeitasse a mácula do tempo e as condições precárias em que elas foram feitas, e por extensão respeitasse o trabalho sensível de “Anton”. Com isso, Gato na Cabeça oferecesse uma nova dimensão a um trabalho que poderia ter sido relegado ao esquecimento. Ainda que o filme perca uma certa força na sua reta final, após se concentrar na versão adolescente/jovem de “Anton”, ele permanece uma experiência narrativa, estética e formal de comovente riqueza, se distinguindo na maneira como trabalha a memória e honrando o trabalho deste ilustre desconhecido cujas fotografias, feitas em um tempo e espaço tão distante do nosso, ainda assim são capazes de contar histórias tão curiosas – sejam elas verdadeiras ou inventadas para o filme. Nota: 4/5

  • Crítica | Anatomia de uma Queda (TIFF 2023)

    Anatomia de uma Queda, que surpreendeu o Festival de Cannes, nos transporta para a história de Sandra

  • A PALAVRA QUE RESTA: Drama de Fernando Nogari baseado no livro de Stênio Gardel será ambientado no Ceará — Mercado de Cannes

    Pipoca preparou sobre os filmes brasileiros em destaque no Marché du Film 2025, o mercado de cinema do Festival

  • Nossas previsões para a Competição de Cannes 2025

    Brasil pode chegar forte na seleção oficial do festival francês, que será anunciada no dia 10 de abril Divulgação Na véspera do anúncio da Seleção Oficial do Festival de Cinema de Cannes 2025, resolvi dar Prever os filmes selecionados para o maior festival francês de cinema não é nenhuma atividade hercúlea e pode ser uma atividade curadoria informal para quem acompanha festivais – para quem gosta é bom. Na verdade, já se tem títulos brasileiros confirmados no festival.

  • RUÍNAS DA MEMÓRIA: Priscila Nascimento mistura ficção científica e fantasia para desafiar o apagamento histórico — European Film Market (EFM) da Berlinale

    destaque no European Film Market (EFM) 2026, o mercado audiovisual que integra a programação oficial do Festival

  • Crítica | Dreams (Sex Love)

    É sobre esse emaranhado que trata Dreams, filme norueguês vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim

bottom of page