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- Entrevista | Thales Banzai, Camila Cornelsen e Iraci Estrela falam sobre “Antônio Odisseia”
Filme, que é uma coprodução Brasil e EUA, terá sua première mundial no Slamdance Film Festival Foto: Divulgação Primeiro longa-metragem do diretor paranaense Thales Banzai, Antônio Odisseia foi um dos filmes escolhidos para compor a programação deste ano do Slamdance Film Festival, que será realizado em Los Angeles entre 19 e 25 de fevereiro e é dedicado a primeiros longas, curtas e produções de baixo orçamento sem distribuição comercial. No filme, co-roteirizado por Banzai e Kelson Succi, o protagonista Antônio (Succi) e sua melhor amiga Ivone (Iraci Estrela) decidem assaltar o boteco onde ele trabalha para roubar uma nova droga, dando início a uma jornada surreal que os conduz a encontros improváveis — inclusive com Deus. O Oxente Pipoca teve a oportunidade de entrevistar Banzai, Camila Cornelsen (produtora, diretora de fotografia do filme e esposa de Banzai) e Estrela a respeito da natureza experimental de Antônio Odisseia, seu processo de produção, o caráter mais teatral das performances e as expectativas para a première mundial do filme em Slamdance. Confira a entrevista abaixo: Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): O filme convida o espectador a se relacionar com ele numa dimensão que é muito sensorial e experimental, passeando por essa “odisseia” psicológica e metafísica. Por quais maneiras foi pensada essa jornada do protagonista em busca de Deus e a sua transposição para as telas através da linguagem cinematográfica (o uso do P&B, a trilha, os efeitos visuais, as diferentes partes do filme)? Thales Banzai: Eu acho que desde o começo a ideia do filme já era ir para um caminho um pouco mais experimental, mais subjetivo, que não ficasse numa linha narrativa tão linear. Desde quando eu comecei a trocar a ideia do projeto com o Kelson [Succi], eu tinha meio que um primeiro storyline do que poderia ser o filme. Já tinha essa ideia de a partir do primeiro ato a gente já romper e caminhar para um lugar que não fosse essa narrativa linear e que a gente conseguisse entrar em memórias, num psicológico do personagem, coisas que ele viveu na infância, sonhos, desejos de explorar mais esse lugar. O grande desafio ia ser como não virar um grande filme de “arte” no sentido pejorativo do termo de ser um filme que às vezes pode ser meio chato, ou que as pessoas podem se perder, ou que é muito didático. A gente tentou achar um balanço que funcionasse. Íamos entrar na viagem e ao mesmo tempo tentar criar uma estrutura de roteiro que funcionasse pra ir trazendo o público com a gente, e ter alguns arcos narrativos de personagens ao longo do filme pra que, mesmo dentro da viagem, a gente tivesse alguma lógica nela, mesmo que essa lógica não fosse muito lógica [risos]. Mas isso acho que estava desde o começo. Sobre a fotografia, eu particularmente gosto muito de filme preto-e-branco, e na nossa realidade, do filme de um filme de baixo orçamento, também ajuda muito, acho que fortalece a narrativa. Primeiramente foi uma escolha de fato criativa, mas também ajudava muito a gente a conseguir produzir o filme em pouquíssimo tempo, que foi o que a gente fez, filmamos em 17 diárias. Mas mesmo assim tivemos um resultado em que a gente conseguia ser rápido no set, ter uma luz mais expressiva, trazer uma cara pro filme. Foto: Divulgação Camila Cornelsen: Eu trabalho muito nesses dois universos, de filme e televisão como diretora de fotografia e de publicidade como diretora. E na publicidade normalmente a gente tenta iluminar tudo, mostrar tudo, e no cinema, principalmente no cinema independente, você quer trazer o foco para algumas coisas específicas. Você quer que o olhar do espectador vá para algum lugar. E quando você trabalha com uma gama de cores, principalmente no cinema independente, você não consegue controlar todas as cores, então vai ter uma placa lá que é vermelha e de repente essa placa vermelha vai levar o teu olhar para lá. Então existia obviamente uma escolha, um desejo do Thales. Ele trabalha muito com preto-e-branco, mas nesse projeto em especial, o preto-e-branco vem um pouco para ajudar, não só na construção da história, mas também no jeito de filmar, o que nos ajuda a gastar tempo nas coisas que realmente importam. Então já na pesquisa de locação e na decupagem do filme, a gente mudou o celular de todo mundo da equipe técnica, da equipe de arte, da equipe de maquiagem, equipe de figurino, para que todo mundo já começasse a ver o filme em preto-e-branco. Então a gente tirou a cor do celular de todo mundo, e começamos a treinar também a nossa equipe para assistir as coisas e olhar em preto-e-branco. Apesar de ter sido uma escolha narrativa e também de produção, a gente tentou se adaptar ao máximo a tudo, não foi algo que só iríamos mudar na pós. Se você vê a maquiagem dos atores, as roupas, ao vivo, com cor, é terrível [risos]. Mas ajudou muito a gente a pensar no visual do filme como uma forma também de linguagem. Era como transformar nada em ouro, já que a gente tinha pouco recurso. Nós somos os produtores do filme, então o meu olhar ali era de diretora de fotografia, mas também de um lugar criativo, de entender que o dinheiro fala mais na tela, não atrás da tela. Então tem uma certa inteligência de produção. Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): Sinto que o filme aproveita essa proposta não-narrativa para recusar um certo naturalismo, e isso se dá muito nas performances, antes mesmo de Antônio e Ivy consumirem a “pasta”. Como vocês trabalharam isso? Havia uma demanda da performance já marcada desde o roteiro ou isso foi sendo improvisado no decorrer das gravações? Iraci Estrela: A gente teve preparação, foi mais de uma semana com o Éder dos Anjos, e foi muito legal para mim como atriz, porque foi meu primeiro filme e a gente acha que vai fazer um primeiro filme super dramático, com choros e essas coisas. Então para mim foi muito desafiador, o Éder falava assim: "Gente, abandonem seus corpos, abandonem o drama, tragédia, abandona tudo isso, a gente vai ler, a gente vai trocar a ideia e a gente vai fazer uns exercícios". Então teve muito trabalho de conexão, minha com Kelson, minha com a Ivone, Kelson com o Tony, a gente com os outros personagens. Então, o que eu acho que rolou foi um trabalho de conexão com o texto e entre a gente. Então, isso se tornou um conforto no set mesmo. Porque não era sobre eu fingir que estou ali sob efeito de alguma substância. Era sobre o que esse texto tá falando, sobre o que esse corpo pede agora. Esse corpo tem algum tique? Esse corpo tem uma voz diferente? Ele tá com a voz mais rouca? Então, acho que teve uma preparação muito massa do Éder, que foi essa coisa da gente abandonar mesmo o drama burguês e experimentar. Eu acho um filme muito teatral e eu e o Kelson somos atores teatrais. Então isso foi massa também, porque a gente trouxe muita coisa do teatro ali para cena também, pudemos misturar essas linguagens que nem sempre os diretores gostam que se misture. Isso deu muita liberdade para a gente agir em cena e fazer a cena mesmo, no geral. Foto: Divulgação Thales Banzai: Desde o começo já se tinha essa ideia bem clara de não ir para esse caminho necessariamente naturalista, de explorar outros lugares, que acho que se conectam com cinema no Brasil dos anos 60, 70, por aí. Mas acho que o roteiro do Kelson já se apresenta de uma forma meio espetacular. Eu quis chamar o Kelson em parte porque ele é do teatro, na verdade, porque a gente sabia que era um filme que a gente queria fazer independente. E a gente estava bem consciente de ir tanto para esse caminho mais teatral, como também não ser teatro, porque é cinema, mas que bebe de algumas fontes também. A gente gostava muito de Macunaíma, por exemplo, que tem essa loucura, e tem uma outra atuação, e tem outras fontes que funcionam, que não tá no lugar do naturalismo. A gente vinha desse lugar que era quase uma sátira do cinema brasileiro: drogas, armas, guerra, bar, assalto, não sei o quê, para te pegar e te levar para outro lugar. E daí entrando cada vez mais nos monólogos, nos textos. Mas não improvisamos muito não, só algumas ações minhas em relação ao set. Camila Cornelsen: O teste da Iraci foi o primeiro teste que a gente assistiu para essa personagem, e a gente ficou muito impressionado com a leitura que ela teve da Ivone, porque ela leu uma Ivone completamente diferente de todas as outras atrizes que leram esse papel. Ela trouxe para a personagem algo que não estava no papel, não estava nas linhas. Ela trouxe uma graça, um deboche, deu à Ivone um alívio que a gente não conseguiu enxergar. A questão da droga é a primeira leitura, e a que eu acho a mais óbvia é que a Ivone é uma cracuda, está sempre high, está sempre buscando alguma coisa. E aí Iraci trouxe um brilho para essa personagem, que é a viajante. Ela é uma pessoa que está em busca de algo e isso não necessariamente está atrelado ao consumo da droga. Então ela trouxe uma leveza para a personagem, trouxe todo um brilho para o filme e para Ivone, e isso fechou a dupla. A gente precisava de um contraponto para Antônio, e eles ficam nessa troca de energia ao longo do filme. Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): O filme será exibido no festival de Slamdance, que é uma grande vitrine para o cinema independente. Qual a sensação de ter o filme exibido no festival e que tipo de recepção vocês esperam encontrar por lá? Thales Banzai: Quando a gente fez o filme, ele estava na nossa lista de festivais que queríamos estrear e ficamos muito feliz que rolou. É um festival super importante, principalmente aqui nos Estados Unidos, porque é meio que um berço do cinema independente, onde vários diretores atuais que estão aí ganhando o Oscar mainstream começaram com seus primeiros filmes. É onde o Christopher Nolan passou o primeiro filme dele, o Sean Baker passou o primeiro filme dele, é um festival que lança carreiras. São filmes que eu acho que o teto de orçamento deles é 1 milhão de dólares, então não tem nenhum filme que tenha um super orçamento de estúdio, o que significa que a forma de curadoria e entrada no festival também é diferente. A gente entende que nos festivais grandes como Sundance, Tribeca, Cannes, Berlinale, enfim, em todos os grandes selos existe um grande lobby das distribuidoras, das produtoras, uma diretriz de cima para baixo. Já o Slandance, ele surgiu faz uns 30 anos, e nasceu para ser um festival meio punk, anarquista. E com essa curadoria que fizeram ao longo desses 30 anos, outros festivais no mundo olham para ele e pensam: "Ah, se eles escolheram esses filmes é porque esses filmes merecem serem vistos". É sempre uma resposta muito positiva saber que é um selo que valida muita coisa, e que as pessoas sabem que é um filme independente, sabem que é um filme que foi feito a suor e lágrimas. A estreia vai ser bem no DGA [Sindicato dos Diretores], que é um puta cinema foda. E a galera também está ligada no boom do cinema brasileiro. Iraci Estrela: Eu achei muito chique e muito simbólico o meu primeiro filme estar estreando fora do Brasil. Eu sou uma mulher periférica do subúrbio de Salvador. Então ninguém vai imaginar que eu vou sair de Vista Alegre para estrear um filme em Los Angeles. E realizar esse sonho contando essa história escrita por um homem preto, onde basicamente boa parte do elenco é de pessoas pretas. A gente tá falando de várias outras coisas, a gente tá falando de sonhar, de desejar, de querer, de buscar. Então é emocionante, porque a gente quer falar de outras coisas, a gente quer viver outras coisas. E acho que o filme é isso. É um filme também sobre migração e que tá migrando, espero que migre para outros países também. É muito simbólico um filme brasileiro selecionado, só um brasileiro lá na lista, entre 10 filmes, é um filme com muitas primeiras vezes. Toda a equipe estava buscando fazer o filme acontecer. Enfim, acho que é metalinguístico [risos]. Camila Cornelsen: Eu acho que pra gente é legal como uma porta de entrada que vai abrir para outros festivais também. Ficamos sempre na expectativa de onde seria o festival de estreia, e estamos super felizes que foi nesse festival. A gente até tentou aplicar para alguns festivais brasileiros no ano passado e não entramos, então é bem possível que depois de entrar lá fora a gente consiga entrar em algum brasileiro, porque tem um pouco disso, a gente só valoriza o filme quando outros deram o selo de que ele é importante. Acho que tem um orgulho real de ser brasileiro, mas ele também às vezes precisa de uma certa validação. Então esse festival vem para validar a qualidade do filme, a qualidade da história, o valor da história. E a gente tá com um anúncio que vai sair em breve também de um outro festival, aqui nos Estados Unidos. Então a gente tá bem empolgado com tudo que tá para sair. Porque agora é isso, eu acho e o mais desafiador é para nós é realmente fazer o filme chegar e ser visto e quem que vai assisti-lo. Então, como a gente ainda não tem distribuidor e esse suporte de fazer o filme chegar nas pessoas, esses selos são importantes justamente para validar. Porque com essas validações, as distribuidoras entendem que o filme tem o seu respeito, seu valor e que tem o seu público. Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): Por fim, nós do Oxente Pipoca sempre pedimos aos nossos entrevistados que indiquem filmes nacionais que acham que o público deva assistir. Quais seriam suas indicações? Thales Banzai: Eu vou pegar algum que tem a ver com o nosso filme, então eu indicaria O Bandido da Luz Vermelha, do [Rogério] Sganzerla, que acho que tem muito a ver com essa São Paulo que a gente retrata ali no filme, acho que é uma boa conexão. Camila Cornelsen: Los Angeles é uma cidade muito do cinema e passa muito filme, a gente engole filme aqui. E reassistimos recentemente um filme que eu lembro de ter visto quando criança, mas que faz muito sentido com esse momento do nosso cinema após Bolsonaro, que é o Carlota Joaquina – A Princesa do Brasil. Esse filme foi o primeiro feito depois de uma baita recessão no país, e eu acho que de certa forma estamos vivenciando isso no pós-Bolsonaro. A obra em si é a reunião de dois gênios da dramaturgia, a Marieta Severo e o Marco Nanini. Então apesar de não ser exatamente o tipo de filme que eu amo e gosto de assistir, eu me diverti muito revendo e eu acho que ele tem um espírito incrível e é meio que um grande clássico. Iraci Estrela: Eu indico assim que tá no universo do nosso filme, mesmo que de forma distante, que é Bacurau. Esse é um filme que eu assisto todas as vezes que tá passando, porque todas as vezes que eu assisto vejo uma coisa nova. Então eu indico ele porque está no nosso subconsciente, até mesmo com a substância [usada pelos personagens em Antônio Odisseia].
- Crítica | Destruição Final 2 (2026)
Continuação não economiza na destruição para passar mensagem ecológica de positividade tóxica Imagem: Divulgação Dando continuidade à história do primeiro filme, a família Garrity, que sobreviveu a um evento de quase extinção quando um cometa interestelar atingiu a Terra, precisa deixar a segurança do bunker na Groenlândia e embarcar em uma jornada perigosa através do deserto congelado e devastado da Europa para encontrar um novo lar e uma esperança de recomeço. Possuo o anseio ancestral de ver o ser humano pagar por seu descaso ambiental em forma de filmes catástrofes. É um entretenimento que se justifica com pouquíssimo texto e que requer, para mim pelo menos, apenas bons efeitos que consigam sustentar os absurdos geológicos até o minuto final. Então o primeiro Destruição Final (2020) fez direito o arroz com feijão e passou por média nos meus critérios citados, e ainda deixou o pano para manga de um eventual desdobramento, que de fato aconteceu, provando que a destruição inicial não era de fato a final. Agora a simpática família está morando no bunker onde se enfiou ao término da produção anterior, mas não demora para que tudo desmorone, literalmente, e eles precisem botar a cara no mundo exterior outra vez para procurar um novo abrigo. A premissa é simples, direta e desenha bem os limites narrativos (não que isso seja necessário para o bom funcionamento da história), e deixa toda a surpresa e o entretenimento de fato para o visual e seus exageros. E mais uma vez a produção faz apenas o necessário para passar sem grandes falhas, apesar de caprichar na variedade de elementos vingativos da natureza, mas também não ousa brincar com o potencial do tema para criar situações que surpreendam e/ou planos marcantes o suficiente para serem lembrados. Imagem: Divulgação O longa também se isenta de aprofundar o debate sobre o papel do ser humano em meio ao caos ambiental, uma vez que usa de uma “causa natural” como motivadora dos desastres. A mensagem de união e paz para recomeçar soa mais como uma cansada versão da cansada canção Imagine, e menos como uma tentativa real de elaborar uma trama social e geopolítica minimamente complexa que imprima alguma semelhança com a realidade fora do espaço fílmico. É um escapismo que se disfarça de engajado, mas é até bem covarde. Mas talvez eu estivesse esperando demais de um filme catástrofe que passou por média nos meus critérios citados. É um trabalho que entretém dentro de sua curta duração, mas que não faz o menor esforço para ir além disso, e talvez nem quisesse desde o início. Nota: 3/5
- “O Brasil faz as melhores novelas do mundo”: elenco e produção falam sobre Dona Beja em coletiva de imprensa
Nova novela da HBO Max estreia em 2 de fevereiro e reescreve história real sobre empoderamento feminino Imagem: Coletiva de Imprensa Dona Beja/HBO Max Nesta terça-feira (27), a HBO Max realizou a coletiva de imprensa de sua nova novela, Dona Beja, que estreia a partir do dia 2 de fevereiro. A produção marca o retorno da plataforma à teledramaturgia brasileira após o sucesso de Beleza Fatal e reforça a aposta no formato de novelas para o streaming, inaugurando um novo momento para o mercado audiovisual brasileiro. Exibida originalmente em 1986, Dona Beja não é um remake, mas uma releitura contemporânea do clássico da Rede Manchete, agora apresentada em 40 capítulos. Assim como Beleza Fatal, a produção consolida o investimento do streaming em narrativas longas, com identidade brasileira e abordagem atualizada. Inspirada na trajetória histórica de Ana Jacinta de São José (1800–1873), a trama revisita uma personagem que, ao longo do tempo, foi cercada por mitos. Como lembrou a equipe durante a coletiva, a Beja que atravessou o imaginário popular é, em grande parte, fruto da imaginação de um jornalista, enquanto a figura histórica era, na realidade, uma mulher que vivia sozinha com dois filhos. A novela parte dessa construção simbólica para contar uma história sobre coragem e ousadia, abrindo caminhos para discussões que existiam naquele tempo e que permanecem atuais. Dirigida por Hugo de Sousa, a novela não suaviza seus conflitos centrais. O julgamento social, especialmente imposto por outras mulheres, as questões religiosas e a hipocrisia moral de uma sociedade conservadora atravessam a narrativa. Temas como racismo, transfobia, homofobia e a imposição de normas de comportamento e afeto surgem de forma direta, afastando qualquer olhar puritano sobre a protagonista. É nesse contexto que a discussão sobre sexualidade e afetos ganha destaque. Durante a coletiva, Indira Nascimento ressaltou como a novela dialoga com experiências que, no passado, sequer tinham vocabulário para serem debatidas. “A gente vive uma heterossexualidade compulsória e, na época, não tinha os termos para discutir isso. Se eu, com 12 ou 15 anos, tivesse assistido a uma novela com uma personagem que descobre que talvez seja de outra sexualidade, isso teria mudado a minha vida”, afirmou a atriz. Segundo ela, o avanço na representatividade feminina e LGBTQIA+ na televisão amplia possibilidades de identificação. “Hoje a gente vê mais personagens mulheres se relacionando na TV, e, no geral, o nosso trabalho fala justamente sobre essas normas”. Para Indira, Dona Beja pode ter um impacto direto sobre o público jovem: “Meu desejo é que meninas assistam a essa novela e pensem: ‘será que meu afeto não pode passar por aqui?’ E que, se se descobrirem em uma sexualidade, saibam que isso também é possível”. Durante a coletiva de imprensa, estiveram presentes integrantes do elenco principal, como Grazi Massafera (Ana Jacinta de São José / Dona Beja), David Junior (Antônio Sampaio), André Luiz Miranda (João Carneiro de Mendonça), Deborah Evelyn (Cecília Sampaio – Ceci), Erika Januza (Cândida da Serra – Candinha), Thalma de Freitas (Josefa Carneiro de Mendonça), Indira Nascimento (Maria Felizardo Sampaio) e Pedro Fasanaro (Severina). Também participaram do encontro Daniel Berlinsky, escritor da produção, e Renata Rezende, representante da Warner Bros. Discovery. Imagem: Coletiva de Imprensa Dona Beja/HBO Max Nos cinco primeiros episódios disponibilizados para a imprensa, Dona Beja se apresenta como uma novela de época que, em sua abordagem moderna, reafirma esses debates sociais. Beja surge como uma mulher livre que, em determinado momento, se vê presa a um homem agressivo, mas que encontra caminhos para se libertar e também empoderar outras mulheres. A questão racial também ocupa um lugar central na narrativa. Como destacou André Luiz Miranda, a novela propõe um olhar diferente sobre personagens negros dentro do contexto histórico, fugindo de estereótipos e reposicionando essas figuras de forma mais complexa e humana. Vivendo a protagonista, Grazi Massafera comentou sobre a recepção que a novela pode ter. “Os conservadores vão falar que é lacração, mas que falem. A novela coloca o dedo na ferida da sociedade”, afirmou a atriz, que classificou o projeto como “uma das novelas que mais gostei de fazer”. Segundo ela, críticas e tentativas de deslegitimar a obra já fazem parte do processo criativo atual: “Muita gente vai tentar tirar a dignidade da nossa história. Sinto que, nesses últimos anos de rede social, estamos acostumados a transformar a crítica em força”. O cuidado estético é outro destaque da produção. A trilha sonora surge em momentos precisos, ampliando a carga dramática das cenas, enquanto os cenários, figurinos e o design de produção ajudam a transportar o espectador para o ano de 1815. Para Thalma de Freitas, o projeto reafirma a força do audiovisual nacional: “O Brasil faz as melhores novelas do mundo”. Mais do que uma releitura histórica, Dona Beja se firma como uma obra que aposta na coragem narrativa e na ousadia temática, reafirmando a potência da teledramaturgia brasileira no streaming.
- Entrevista | Scott Schultz, Christian Jacobs e Kamryn Smith sobre nova temporada de “Yo Gabba Gabbalândia!”: “É sobre a essência de estarmos juntos”
Os produtores executivos e a apresentadora da série do Apple TV falam sobre memória, criação e os desafios da segunda temporada Imagem: Divulgação No Brasil, a televisão aberta foi, durante décadas, uma verdadeira porta de entrada para o universo dos desenhos animados e dos programas infantis. Para quem cresceu nos anos 1990 ou 2000, é quase inevitável associar a infância à experiência de organizar a rotina em função dos horários das animações seriadas. Mesmo para quem tinha TV a cabo em casa, o cenário não era tão distinto assim. Embora a programação dos canais infantis fosse menos restrita em termos de horário e marcada por constantes reprises, o gesto de escolher, esperar e acompanhar episódios específicos seguia fazendo parte do dia a dia da criançada. Quem tinha entre três e cinco anos em 2007 ou 2008 provavelmente reconhece o universo de “Yo Gabba Gabba!”. Criada e escrita por Scott Schultz e Christian Jacobs, a série acompanhava cinco amigos-monstrinhos em fantasias coloridas, reunindo música, humor e uma pedagogia lúdica. Após a quarta e última temporada, exibida em 2011, o projeto ganhou, treze anos depois, uma nova reimaginação: “Yo Gabba Gabbalândia!” (Yo Gabba Gabbaland!), já disponível no Apple TV. Agora, com a chegada da nova apresentadora Kammy Kam (Kamryn Smith), histórias inéditas, novas canções e uma lista renovada de convidados especiais, a produção alcança sua segunda temporada, que estreia em 30 de janeiro de 2026. O Oxente Pipoca conversou com os criadores Schultz e Jacobs sobre o processo criativo por trás da série, os desafios de pensar a atenção infantil em um cenário marcado pela multiplicação de telas e pelo consumo acelerado de conteúdo, e as expectativas em torno da nova fase do programa. Além disso, ouvimos também a atriz e dançarina Kamryn Smith, que fala sobre o processo de dar vida à personagem Kammy Kam e sobre como uma obra pensada para crianças pode, ao mesmo tempo, dialogar com públicos de diferentes gerações. Confira a entrevista completa abaixo: Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Oi, gente. Tudo bem? Obrigada por me receberem hoje. Parabéns pela segunda temporada da série! Christian Jacobs: Oi, Ana. Tudo bem? Seu nome se pronuncia “Âna” ou “Êna”? Ana Beatriz Andrade: Como sou do Brasil, a pronúncia é “Âna”. Mas do outro jeito também está ótimo. Christian Jacobs: Ah, ok! Somos grandes fãs do Brasil aqui em casa. Scott Schultz: É algo parecido com “Gabba”, há duas formas de pronunciar dependendo de onde você mora [risos]. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): É verdade! Para começar, quando vocês olham para o início de “Yo Gabba Gabba!” e agora para a segunda temporada de “Yo Gabba Gabbalândia!”, o que mudou no processo criativo ao longo desse tempo? Scott Schultz: Primeiramente… quando começamos “Yo Gabba Gabba!”, nós éramos pais muito jovens. Não sabíamos exatamente o que queríamos; apenas que buscávamos algo mais próprio para nós e para nossos filhos. Não pensamos em dinheiro ou em criar uma série com vários episódios. Queríamos apenas apresentar algo novo para as nossas crianças. E agora veio a idade, eu já tenho cabelos grisalhos… Foi um momento de perceber o impacto da série na vida das crianças. Aquelas crianças que assistiram ao primeiro programa cresceram, hoje são adultas. Ver a trajetória delas, poder fazer parte de algo tão importante em seus anos de formação, é algo sagrado. Abordamos isso com muita reverência. E fazemos o possível para viver nossas vidas e criar o programa fora das câmeras da mesma forma que queremos vê-lo diante delas e compartilhá-lo com nossos filhos. Christian Jacobs: Sim, e desta vez, como o entretenimento está sempre nas mãos das crianças e elas são constantemente bombardeadas por conteúdo, publicidade e estímulos, queríamos criar algo que dialogasse com esse novo mundo. Usamos tecnologia de tela volumétrica e uma paisagem mais em 3D para tornar o universo do programa maior e mais amplo, dando às crianças uma perspectiva mais abrangente e estimulando ainda mais a imaginação. Assim, elas olham para o horizonte e veem uma montanha, um lago ao fundo, uma floresta… e pensam: “Nossa, isso é um lugar real”. Elas veem a apresentadora em um pequeno mundo em miniatura que se estende até o horizonte. A ideia era expandir a imaginação das crianças para que percebessem que existe mais do que ficar sentadas no sofá olhando para o celular ou o iPad. Há um mundo lá fora para explorar, investigar e aprender, e essa é uma parte essencial do programa. Criar essa dimensão tecnológica exigiu muito aprendizado, e ainda estamos aprendendo. Scott Schultz: E foi bem difícil também [risos]. Christian Jacobs: Sim… mas é algo que esperamos que ajude as crianças a continuarem desenvolvendo sua imaginação e, quem sabe, se tornarem as criadoras da próxima grande novidade para o mundo. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Isso serve de gancho para a minha próxima pergunta. “Yo Gabba Gabbalândia!” sempre foi um programa muito sensorial, com muita cor, dança e música. Como vocês pensam hoje o processo de capturar a atenção das crianças em um mundo tão cheio de telas e conteúdos acelerados? Scott Schultz: Acho que algo que o Christian disse em outra entrevista é muito verdadeiro. Todos nós estamos tentando reencontrar nossa imaginação, certo? E todos estamos tentando ser melhores. Essa oportunidade de voltar nos ensinou muito sobre como podemos estar mais unidos. Para mim, individualmente, estar com o Christian e fazer isso de novo depois de tantos anos significou tudo. Mais do que capturar atenção, estamos tentando criar uma experiência verdadeira. Christian Jacobs: Concordando com o Scott, a parte da conexão – com sinos, apitos, música, luzes e cores – é clinicamente comprovada para manter o interesse das crianças. Mas fazemos isso de uma forma que estimula a imaginação e incentiva a conexão com outras pessoas. A parte emocional da série que acontece na tela também se desenrola nos bastidores: o Scott e eu nos reunindo novamente, nos conectando com nossa equipe, garantindo que haja amor em todos os lugares e que todos estejam fazendo isso pelos motivos certos. E dá para sentir isso quando você assiste à série. Dá para perceber que não é algo feito apenas para ganhar dinheiro. É feito porque amamos o que fazemos e porque queremos nos conectar com as pessoas, no Brasil, no Japão ou no Reino Unido. A música, as cores e os personagens funcionam como uma ponte que nos une como seres humanos, através de nossos filhos. Scott Schultz: Exatamente. Não estamos tentando prender a atenção das crianças a qualquer custo. Estamos focados em proporcionar a melhor experiência possível. Se você não estiver sentado olhando para a tela o tempo todo, mas estiver de pé dançando com seus pais, sua babá, com todos participando, esse é o objetivo. Não se trata de visualizações ou de tempo de retenção. Trata-se da essência de estarmos juntos. Esta é uma série para crianças em idade pré-escolar, mas também para todos nós que já passamos dessa fase, para revisitarmos quem éramos naquela idade e participarmos. É música, é emoção. Esperamos que as pessoas sintam isso, porque nós sentimos. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Falando em música, as canções sempre foram uma parte importante da série, e esta temporada está muito especial nesse sentido. Tive a oportunidade de assistir aos episódios antes desta entrevista. Há algum estilo novo ou alguma colaboração pela qual vocês estejam particularmente animados? Scott Schultz: Sim! Outros programas infantis podem repetir bandas ou gravar duas temporadas ao mesmo tempo, mas não nós. Aqui, a música é completamente nova: canções novas, bandas novas, tudo novo. Eu ainda não consigo acreditar que tivemos Sharon Van Etten, Hemlocke Springs, Santigold. Eu tentava trazer a Santigold desde a primeira série, e finalmente conseguimos. Christian Jacobs: A série está repleta de artistas incríveis. Temos Sleigh Bells, Chicano Batman, Silversun Pickups, aquela versão maravilhosa de “Party in My Tummy” produzida por Butch Vig, que produziu o “Nevermind”, do Nirvana, além do Flea. Essa é a mágica do programa: você coloca as pessoas no set e coisas mágicas acontecem. Como no episódio da Hemlocke Springs, em que ela ensina a acender e apagar a luz com os dançarinos. Scott Schultz: Acabei de me lembrar de uma história. O Billy Eichner participou de uma sessão de contação de histórias, e foi muito divertido. Em certo momento eu disse para ele: “Billy, você não está acostumado com crianças, né?”. As crianças são imprevisíveis, e nós deixamos que elas respondessem livremente. Ele adorou. Imagem: Divulgação Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Para encerrar, a série valoriza muito a imaginação. O foco não está em números ou no aprendizado do alfabeto. Na opinião de vocês, como a imaginação ajuda as crianças a lidar com situações da vida real, como o medo, a amizade e as mudanças? Scott Schultz: Vou dar aqui um “hot take”. Há um gesto da personagem Tootie que diz: “use sua imaginação”. E isso é algo bonito para crianças, adultos, para qualquer pessoa. A imaginação é a porta de entrada para sonhar que você pode ser mais. Se eu sonho que sou mais, eu me torno mais. Se sonho que sou menor, eu me torno menor. As crianças sabem disso e usam a imaginação naturalmente. Nós apenas observamos essa experiência e a transformamos em um programa de TV. Christian Jacobs: Sem querer soar esotérico, mas todos nós emitimos e recebemos frequências. E se você estiver cercado por música, energia positiva e imaginação positiva, o programa pode ser um espaço seguro para crianças que estejam passando por momentos difíceis. Nos últimos anos, todos fomos bombardeados por frequências negativas, raiva, ódio, descontentamento. Mas, se conseguirmos preservar a imaginação e a fé no positivo, tudo bem. Vai ficar tudo bem. E, se há algo que podemos oferecer aos nossos filhos, é essa imaginação positiva para ajudá-los a atravessar o mundo. Porque vivemos em um mundo bonito, podemos ser amigos e amar uns aos outros. Scott Schultz: É exatamente isso que queremos com a nossa série. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Muito obrigada pela conversa, pessoal! Imagem: Divulgação A entrevista continua com a atriz e dançarina Kamryn Smith, a apresentadora da série, que fala sobre sua relação com a personagem Kammy Kam e a experiência nos bastidores. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Oi, Kamryn. Muito obrigada por conversar comigo hoje. Parabéns pela segunda temporada da série! Kamryn Smith: Muito obrigada. Estou muito animada. Me sinto abençoada e muito feliz por todos poderem assistir à segunda temporada. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Para começar, como é voltar como Kammy Kam na segunda temporada? É diferente da primeira vez? Kamryn Smith: Para ser honesta, acho que é igual e um pouco diferente ao mesmo tempo. Eu continuo sendo a mesma Kammy Kam, mas agora estamos vivendo aventuras diferentes e ensinando lições diferentes para as pessoas que estão assistindo. Às vezes eu sinto que aprendo coisas novas, e às vezes sinto que eu e a Kammy Kam somos praticamente a mesma pessoa. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): A série é conhecida por ter muitos convidados incríveis. Se você pudesse escolher uma pessoa para dançar ou cantar com você e outra para atuar ao seu lado, quem escolheria? Kamryn Smith: Nossa, qualquer pessoa? [risos]. Acho que alguém com quem eu adoraria dançar seria a Taylor Swift. E, para atuar, tem tantos atores bons… talvez a Margot Robbie. Acho que seria um episódio incrível. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): A Kammy Kam é uma personagem bem alegre e divertida. Você sente que aprendeu algo com ela que conseguiu aplicar na sua vida real ou na sua dança? Kamryn Smith: Eu realmente sinto que eu e a Kammy Kam somos praticamente a mesma pessoa. Então é difícil separar muito. Acho que aprendi muitas coisas ao longo do processo, mas às vezes nem sei se aprendi mais com a personagem, comigo mesma ou com a própria Kammy Kam. É tudo muito misturado. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Qual foi o momento mais engraçado que você viveu durante as filmagens desta temporada? Há algum episódio especial? Kamryn Smith: Provavelmente foi durante a gravação do episódio final. Não posso contar muitos detalhes, mas foi muito divertido porque todo mundo estava lá. Parecia uma grande festa. Havia muita energia naquele dia, era algo contagiante. Todo mundo estava sorrindo o tempo todo. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Muitas pessoas dizem que a série não é só para crianças. Você sente isso também? Kamryn Smith: Sim, totalmente. Eu ouço muitos adultos dizendo: “Meu filho nem assiste, mas eu assisto”. Até o meu irmão mais velho, que já está na faculdade, adora. Acho que é importante as pessoas saberem que é uma série para crianças e adultos. Você vive muitas aventuras e nunca sabe o que vai acontecer em seguida. Dá para aprender muitas coisas incríveis. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Como você descreveria o universo de “Yo Gabba Gabbalândia!” para alguém que ainda não conhece a série? Kamryn Smith: Eu descreveria como um mundo imaginário, divertido e alegre. Muitas pessoas pensam que “Yo Gabba Gabba” é só para crianças, mas não é bem assim. Eu mesma comecei a assistir por causa do meu irmão, quando era mais nova. E sinto que tudo aconteceu no momento perfeito da minha vida. Sou muito grata por isso e por tudo o que aconteceu, por ter conhecido o Christian e por essa oportunidade. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Para encerrar, que conselho você daria a crianças que sonham em cantar, dançar, atuar ou aparecer na televisão? Kamryn Smith: Eu diria simplesmente: vá em frente. Aprendi que, se você realmente quer algo, não pode ter vergonha. Não dá para ficar esperando. Se não for agora, quando vai ser? Qualquer sonho que você tenha pode se tornar realidade. Eu sonhei com isso e aconteceu. Então é só seguir em frente. Ana Beatriz Andrade (Oxente Pipoca): Muito obrigada, Kamryn! A primeira e a segunda temporada de “Yo Gabba Gabbalândia!” estão disponíveis para streaming mundialmente no Apple TV.
- Entrevista | “Estou firmando a assinatura artística do tipo de cinema que quero contar para minha vida”: Ana do Carmo fala sobre “Nevrose” e “Sol a Pino”
Diretora baiana exibiu “Nevrose” na Mostra Panoramas, no Festival de Tiradentes, e inicia as gravações de “Sol a Pino” ainda este ano. Imagem: Divulgação/Taylla de Paula A diretora e roteirista baiana Ana do Carmo, sócia da Saturnema Filmes, acaba de lançar seu novo curta-metragem, Nevrose, no Festival de Tiradentes, na última sexta-feira (30). Exibido na Mostra Panoramas, que é destinada a obras que expandem os limites da linguagem cinematográfica, o filme conta a história da média Francisca (Josi Varjão), a qual, consumida pela culpa após a morte da filha, se torna obcecada em salvar vidas. Até que tudo muda quando seu caminho se cruza com o de uma suicida, Elizabete (Tainah Paes), que não deseja ser salva. Além disso, ela se prepara para gravar ainda este seu primeiro longa-metragem: Sol a Pino. A ficção científica é descrita como uma história de amor entre duas mulheres negras da terceira idade que precisam se acolher durante o luto, mas que se desconectam uma da outra ao se refugiarem em um universo de realidade virtual. O Oxente Pipoca teve a oportunidade de entrevistar Ana do Carmo, que falou a respeito das temáticas principais abordadas pelo curta – morte, luto e fé –, o estigma que o formato de curta-metragem ainda sofre no Brasil, seus passos futuros com a produção de Sol a Pino e o percurso do cinema de gênero dentro do nosso audiovisual. Confira a entrevista abaixo: Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): “Nevrose” tensiona as relações entre a morte, o luto e a fé, especialmente a partir do lugar dos dogmas católicos. Suas inspirações vieram de um lugar pessoal? Qual foi seu interesse em trabalhar com o tema? Ana do Carmo: Eu acho que em todos os filmes que eu trabalho sempre trago a morte como um tema, sobretudo por ser um tema que me intriga, que me movimenta, que me traz mais perguntas do que respostas. Inicialmente Nevrose integrou uma antologia de curtas chamada Insubmissas, e a proposta do Insubmissas era adaptar contos escritos por mulheres do século XIX para os dias de hoje. Então, foram quatro contos adaptados e cada um deles foi dirigido por uma diretora diferente. No meu caso, eu fiquei responsável por adaptar Nevrose de dois contos, um que era homônimo e outro que se chamava A Suicida, ambos de uma autora chamada Délia, pseudônimo de Maria Benedita Bormann. Dentro dos contos, tanto no de Délia quanto nos outros contos adaptados pelas outras diretoras, a morte e a loucura, fé, redenção, eram temas muito trabalhados entre mulheres no século XIX. Quando a gente leu esses textos pensou na hora: “Nossa, isso daí que é atemporal, porque também faz sentido a gente falar de como nós experienciamos esses temas nos dias de hoje”. Originalmente esses contos não eram racializados e obviamente, enquanto uma realizadora negra, me interessa muito colocar personagens protagonistas negros nas telas. E foi muito interessante e transformador para a equipe da gente conseguir falar sobre como nós mulheres negras também experienciamos vida e morte enquanto temas existenciais. Então acho que dentro do meu trabalho o que me motiva muito é trazer para as nossas vivências negras temas existenciais, de forma que a gente consiga colocar em tela que temos sentimentos plurais, formas de ver o mundo diferentes. Então é esse tipo de construção de personagem que tem me instigado a pesquisar. Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): Há um certo preconceito e relutância do público geral de cinema em lidar com o formato do curta-metragem. A que você atribui essa relutância? E quais foram os motivos pelos quais quis trabalhar nesse formato? Ana do Carmo: Eu acho que justamente porque os longas-metragens estão nesse espaço comercial que os curtas metragens não ocupam, muitas vezes isso faz com que a gente acabe olhando para o curta-metragem como meramente uma porta de entrada para o mercado ou como um exercício de audiovisual. Eu acho um pecado a gente olhar para o exercício curta-metragista com um olhar tão simplório assim, acho que o curta-metragem está num lugar de possibilitar a gente a experimentar de uma forma muito mais ousada que o longa-metragem muitas vezes não está. Estou inclusive falando disso porque estamos em pré-produção do meu primeiro longa, Sol a Pino. E aí eu estou justamente nesses dois momentos distribuindo Nevrose e fazendo o meu primeiro longa, mas Nevrose é, sei lá, meu 11º curta-metragem. E mesmo já fazendo um longa, eu ainda estou desenvolvendo outros curtas. Então, eu encaro o fazer do curta-metragem tal qual eu encaro qualquer outro tipo de formato. Eu acho que todo fazer audiovisual, em qualquer formato que seja, é muito precioso e o curta comunica de uma forma que o longa não se comunica. E eu acho que a gente deve olhar para isso sem fazer juízo de valor, porque eu acho que cada um dos formatos tem o seu lugar, de janela, de visibilidade, de encontrar as pessoas. Muitas vezes pelo curta também ter uma minutagem menor, ele me provoca no lugar de me desafiar a contar uma história dentro de uma janela de tempo. Muitas vezes quando a gente vai para o longa, são mil possibilidades e quando a gente vai para o curta, a gente tem aquele desafio. E eu acho esse sentimento enquanto criadora, realizadora me coloca muito no lugar de me sentir realizada. É um desafio gostoso. Imagem: Divulgação/Carolina Guerreiro Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): Aproveitando o gancho, como está a produção de “Sol a Pino”? Nós até noticiamos no nosso Twitter/X há algumas semanas que o filme iria iniciar suas gravações este ano. Ana do Carmo: É muito simbólico que a gente está filmando o nosso primeiro longa no ano em que fazemos 10 anos de produtora, na Saturnema Filmes. E Sol a Pino é um projeto que a gente vem colocando na estrada faz uns 5 anos. Ele foi selecionado para muitos laboratórios e eventos de mercado, ele foi o finalista do Frapa também, que é o maior concurso de roteiro da América Latina. E eu aprendi muita coisa com Sol a Pino. Enquanto eu estava ali, escrevendo o meu primeiro longa, eu aprendi a ser roteirista, amadureci muito enquanto roteirista. E ele me abriu muitas portas. Então, eu ganhei o prêmio Cabíria, que é um prêmio voltado para a autoria feminina. Eu ganhei o prêmio de melhor roteiro de longa-metragem e isso me fez entrar no projeto Paradiso também, que é uma organização que tem como objetivo alavancar e internacionalizar carreiras de cineastas brasileiros. E a gente ganhou também edital de desenvolvimento, ganhamos prêmio de desenvolvimento também da Netflix, da Telecine. E aí agora fomos contemplados também para produção, estamos em pré-produção de um sci-fi baiano, negro, que conta histórias de amor entre duas mulheres negras, 60+. Então é um filme LGBT, é um filme negro, é um filme baiano, é um filme de ficção científica, é tudo que eu sempre quis fazer. Então eu estou muito é feliz com esse momento que a gente está vivendo e de sobretudo conseguir trazer para a nossa equipe técnica pessoas que já trabalham com a gente no nosso curta-metragem. Eu sinto que Sol a Pino é uma continuidade do trabalho que a gente vem desenvolvendo, e fortalecendo dentro da Saturnema. E eu sinto que eu estou firmando a minha assinatura artística do tipo de cinema que eu quero contar para minha vida. Acho que cada projeto é um desafio novo e a gente está tendo os desafios internos, sobretudo pensando que é muito difícil fazer cinema quando você tem pouca verba. Mas o que não falta na nossa equipe são pessoas talentosas e com sede de ver essa história no mundo tanto quanto eu. Então eu me sinto muito honrada de trabalhar com as pessoas que eu trabalho. A gente está agora em pré-produção, vamos filmar depois do Carnaval, e acho que por enquanto é o que eu posso falar, quero muito que vocês vejam esse filme esse filme da tela muito em breve. Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): “Nevrose” integrou a Mostra Panorama do Festival de Tiradentes. Trata-se de um filme que está fortemente ancorado no cinema de gênero, o qual percebo que ainda luta por um certo espaço e respeito dentro da produção audiovisual brasileira. De que maneiras você acredita que o cinema de gênero pode ser mais acolhido como parte da nossa identidade cinematográfica? Ana do Carmo: É muito complexo porque eu cresci consumindo cinema de gênero, dentro da cultura pop. Eu cresci assistindo Senhor dos Anéis, Star Wars. E sempre eram futuros tão distantes da gente, não somente em termos de estamos falando de ficções distópicas, obviamente, mas ao mesmo tempo tão distantes em representação. Eu não via personagens como eu representados positivamente dentro da cultura pop, e naturalmente, quando eu comecei a fazer cinema, queria produzir o cinema que gostaria de ter assistido na minha adolescência. E encontramos ainda muitos desafios dentro do Brasil para gente sequer produzir cinema, imagine cinema de gênero. A gente tem sentido que o mercado está cada dia mais fechado então, estamos num lugar em que todas as portas que a gente batia, a gente sempre ouvia o mesmo feedback. “No Brasil não se produz cinema de gênero”, “cinema de gênero é caro”, “cinema de gênero não dá público porque o brasileiro prefere assistir cinema de gênero gringo do que o nacional”, mesmo a gente tendo vários produtos que tem desafiado essa lógica. A gente teve o 3%, que foi um super sucesso. A gente tem o Cidade Invisível como referência também. Tem o próprio Bacurau, que foi um grande fenômeno. Quando eu nesse lugar, enquanto uma diretora negra, baiana, nordestina, periférica, chego nesse lugar e quero também trabalhar com esse tipo de cinema, todas as portas estão fechadas para uma pessoa como eu. Então eu sinto que o que a gente está fazendo é provocar o mercado mesmo, porque se todas as portas estavam fechadas, a gente precisa precisou ter a nossa própria produtora, o nosso próprio CNPJ, para a gente poder investir nas histórias que a gente acredita, uma vez que muitas pessoas não acreditavam. Sobretudo por não ter a referência, como é que você vai investir num território tão movediço quando você não tem uma referência e um mercado aquecido para o cinema de gênero no nosso país? E ao mesmo tempo nós tivemos muita honra de conhecer pessoas que também estão dentro desse lugar minoritário batalhando para construir uma diversidade muito grande dentro do cinema nacional. Então, eu me orgulho muito de estar presenciando um momento no audiovisual de disputas de narrativas muito positivas, da gente conseguir ver projetos em desenvolvimento entrando em fase de produção. Porque quando a gente olha também para o cenário agora não tem só a Saturnema que está neste lugar. Nós temos os nossos parceiros do audiovisual que também começaram com a gente e muitas outras pessoas que já estavam no mercado e abriram portas também pra gente começar a trabalhar no cinema de gênero, que estão provocando esse lugar de outras representações, e eu acho que a gente tem um público que está ávido para ver coisas legais sobre a gente. Na Saturnema a gente tem buscado criar outros mundos e mundos possíveis para nossa existência. Então, eu tenho olhado para o cinema de gênero como um desafio muito grande, porque muitas vezes é muito mais fácil só escrever uma comédia romântica, que é o que todo filme está buscando. E está tudo bem se em algum momento também eu começar a escrever narrativas que o mercado está buscando, mas eu não quero que sejam as únicas narrativas possíveis para pessoas como eu e para pessoas que vêm de onde eu venho. Vinícius Oliveira (Oxente Pipoca): Por fim, pedimos aos nossos entrevistados que indiquem filmes brasileiros que acham que o público deva assistir. Quais seriam suas indicações? Ana do Carmo: Acho que há duas indicações que me marcaram muito, sobretudo para construção de Sol a Pino no lugar de inspiração. Acho que o primeiro foi Marte Um, que foi um filme feito com baixíssimo orçamento, um filme negro, de um realizador negro, de uma produtora independente como a Filmes de Plástico, que tem uma trajetória muito semelhante com a nossa, de começar com essa trajetória de curtas-metragens e de fazer um cinema que é muito particular e ao mesmo tempo muito universal. É um cinema que parte de dentro para fora e mesmo fazendo um filme com baixíssimo orçamento, Marte Um mostrou a potência do cinema negro ao chegar a ser o filme indicado no Brasil para nos representar no Oscar, e eu acho que isso é um grande feito. E Gabriel Martins é uma grande inspiração enquanto cineasta para mim nesse lugar, inclusive nós tivemos a honra de tê-lo como consultor dramatúrgico de Sol a Pino, ele foi um dos primeiros leitores do projeto. Então é um filme que eu indico muito, e o que eu gosto muito de Marte Um é que ele consegue hackear o gênero. Ele pega um drama familiar, mas coloca uma criança que é protagonista que o sonho dele é ir para Marte. Então, mesmo sendo um filme de um gênero muito pé no chão, ele usa esse poder do sonhar para trazer essa possibilidade afro-futurística para um drama familiar. E o outro foi O Último Azul. Quando a gente assistiu ele, percebeu que estava no caminho certo, com um filme que traz esse olhar, essa lupa sobre a terceira idade sobre um viés de ficção científica. O diretor, Gabriel Mascaro, ele é esse diretor que também já tem trabalhado esse lugar da experimentação do cinema de gênero dentro do trabalho dele, da estética muito marcada nos filmes dele. Então acho que tanto o trabalho de Gabriel Martins quanto de Gabriel Mascaro tem uma identidade muito própria, que me inspira muito. E obviamente falando dentro do nosso território não tem como não falar de mulheres negras que estão fazendo cinema acontecer em todo o país. Uma diretora em que eu me inspiro muito é a Safira Moreira, que é uma grande amiga também, cineasta baiana muito potente, e lançou o primeiro longa dela, Cais, que também fala desse lugar da família dela. Safira é uma pessoa que tem uma sensibilidade muito grande, me toca muito assim a forma como ela faz. Além disso, Safira também é diretora de fotografia, então eu sinto que ela trabalha do lugar dela enquanto diretora muito pensando na imagem, na sensibilidade da imagem. Então isso me inspira muito nesse lugar de olhar para como as nossas mais velhas podem e devem inspirar o nosso cinema assim. E Sol a Pino também é muito disso, tem muito da minha mãe, muito das minhas tias, muito dessa família matriarcal brasileira.
- Oscar 2026 | Lista completa dos indicados com O Agente Secreto e curiosidades do prêmio
O representante brasileiro aparece em 4 categorias, incluindo Melhor Filme e Ator (Wagner Moura) Na manhã do dia 22 de janeiro, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) anunciou a lista completa dos indicados ao Oscar 2026, considerada a maior premiação do cinema mundial. “Pecadores” bateu um recorde histórico e se tornou o filme mais indicado da história do Oscar, com 16 nomeações, superando as 14 indicações de La La Land, Titanic e All About Eve. Já “Uma Batalha Após a Outra” aparece logo atrás, com 13 indicações, ocupando o segundo lugar entre os filmes mais lembrados pela Academia. Entre os títulos internacionais, “Valor Sentimental” foi o filme de língua não inglesa mais indicado do ano, com 9 nomeações. O representante brasileiro, “O Agente Secreto”, também fez história ao conquistar 4 indicações, incluindo a categoria máxima da premiação, marcando um feito inédito para o cinema sul-americano. Algumas curiosidades e recordes das indicações: ‘O Agente Secreto’ se junta a ‘Ainda Estou Aqui’ e se torna o segundo representante brasileiro indicado a Melhor Filme no Oscar. E o melhor: de forma consecutiva! Wagner Moura se torna apenas o sexto latino indicado na categoria de Melhor Ator em quase 100 anos de Oscar: José Ferrer, Anthony Quinn, Edward James Olmos, Demián Bichir e Colman Domingo já foram indicados na categoria. O baiano Wagner Moura faz história ao se tornar o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator na história da premiação. Segundo ano consecutivo que o Brasil tem um atuação indicada ao Oscar: Wagner Moura e Fernanda Torres Gabriel Domingues foi indicado ao Oscar de Melhor Direção de Elenco por ‘O Agente Secreto’, no primeiro ano da categoria. ‘Sinners’ é o filme mais indicado na HISTÓRIA do Oscars, com 16 nomeações, superando as 14 de ‘La La Land’, ‘Titanic’ e ‘All About Eve’. Jessie Buckley se junta à Saoirse Ronan e à Ruth Negga como as únicas irlandesas indicadas ao Oscar de Melhor Atriz. Stellan Skarsgård é a primeira pessoa indicada ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por um filme internacional. Com sua indicação por ‘Hamnet’, Chloé Zhao se junta à Jane Campion como as únicas mulheres indicadas mais de uma vez à categoria de Melhor Direção no Oscar. Conan O'Brien retorna como apresentador da 98ª edição do Oscar no dia 15 de março. Confira a lista completa dos indicados abaixo: Melhor Filme • Sinners • Marty Supreme • Hamnet • One Battle After Another • Frankenstein • Sentimental Value • O Agente Secreto 🇧🇷 • Bugonia • Train Dreams • F1 Melhor Direção • Paul Thomas Anderson (One Battle After Another) • Ryan Coogler (Sinners) • Chloé Zhao (Hamnet) • Joachim Trier (Sentimental Value) • Josh Safdie (Marty Supreme) Melhor Ator • Leonardo DiCaprio (One Battle After Another) • Timothée Chalamet (Marty Supreme) • Wagner Moura (O Agente Secreto 🇧🇷) • Michael B. Jordan (Sinners) • Ethan Hawke (Blue Moon) Melhor Atriz • Rose Byrne (If I Had Legs I’d Kick You) • Jessie Buckley (Hamnet) • Renate Reinsve (Sentimental Value) • Emma Stone (Bugonia) • Kate Hudson (Song Sung Blue) Melhor Ator Coadjuvante • Stellan Skarsgård (Sentimental Value) • Sean Penn (One Battle After Another) • Benicio del Toro (One Battle After Another) • Jacob Elordi (Frankenstein) • Delroy Lindo (Sinners) Melhor Atriz Coadjuvante • Teyana Taylor (One Battle After Another) • Amy Madigan (Weapons) • Inga Ibsdotter Lilleaas (Sentimental Value) • Wunmi Mosaku (Sinners) • Elle Fanning (Sentimental Value) Melhor Roteiro Original • Blue Moon • Sentimental Value • Marty Supreme • It Was Just an Accident • Sinners Melhor Roteiro Adaptado • One Battle After Another • Hamnet • Bugonia • Train Dreams • Frankenstein Melhor Filme Internacional • Sentimental Value 🇳🇴 • It Was Just an Accident 🇫🇷 • O Agente Secreto 🇧🇷 • The Voice of Hind Rajab 🇹🇳 • Sirât 🇪🇸 Melhor Filme de Animação • Arco • Elio • KPop Demon Hunters • Little Amélie or the Character of Rain • Zootopia 2 Melhor Documentário • The Alabama Solution • Come See Me in the Good Light • Cutting Through Rocks • Mr. Nobody Against Putin • The Perfect Neighbor Melhor Fotografia • Frankenstein • Marty Supreme • One Battle After Another • Sinners • Train Dreams (Adolpho Veloso 🇧🇷) Melhor Montagem • F1 • Marty Supreme • One Battle After Another • Sentimental Value • Sinners Melhor Trilha Sonora Original • Bugonia • Frankenstein • Hamnet • One Battle After Another • Sinners Melhor Canção Original • “Dear Me” de “Diane Warren: Relentless” • “Golden” de “KPop Demon Hunters” • “I Lied To You” de “Sinners” • “Sweet Dreams Of Joy” de “Viva Verdi!” • “Train Dreams” de “Train Dreams” Melhor Seleção de Elenco (Casting) • O Agente Secreto 🇧🇷 • Hamnet • Marty Supreme • One Battle After Another • Sinners Melhor Direção de Arte • Frankenstein • Sinners • Hamnet • Marty Supreme • One Battle After Another Melhor Figurino • Frankenstein • Sinners • Avatar: Fire and Ash • Marty Supreme • Hamnet Melhor Maquiagem e Penteado • Frankenstein • Kokuho • Sinners • The Smashing Machine • The Ugly Stepsister Melhor Som • F1 • Frankenstein • One Battle After Another • Sinners • Sirāt Melhor Efeitos Visuais • Avatar: Fire and Ash • F1 • Jurassic World Rebirth • The Lost Bus • Sinners Melhor Curta-Metragem em Live Action • Butcher’s Stain • A Friend of Dorothy • Jane Austen’s Period Drama • The Singers • Two People Exchanging Saliva Melhor Curta-Metragem de Animação • Butterfly • Forevergreen • The Girl Who Cried Pearls • Retirement Plan • The Three Sisters Melhor Curta-Metragem Documentário • All the Empty Rooms • Armed Only with a Camera: The Life and Death of Brent Renaud • Children No More: “Were and Are Gone” • The Devil Is Busy • Perfectly a Strangeness
- Coluna | O Mês em Série: Janeiro
Comentando os retornos e estreias do mês, entre minisséries que causaram alvoroço e boas séries que ainda passam despercebidas Divulgação Inaugurando este novo quadro aqui no site onde eu, Filipe, vou comentar as séries que estrearam no mês, sejam novas ou veteranas, dizendo o que achei da temporada ou dos episódios que foram exibidos até então de uma maneira mais leve. O que eu não conseguir assistir no mês (como The Beauty, por exemplo), será comentado no próximo e assim por diante. Em janeiro tivemos o burburinho causado por All Her Fault, que é do ano passado, mas chegou este mês no Prime Video. Na mesma pegada, ainda que em uma proporção menor talvez, Dele & Dela, chegou à Netflix. A vencedora do Emmy The Pitt retornou com sua 2ª temporada na HBO Max e Industry voltou com tudo para sua 4ª na HBO. Tivemos também os episódios finais das segundas temporadas de Percy Jackson e Fallout (o penúltimo até a data de hoje, 2 de fevereiro, quando o último será exibido) e deram uma guinada na coisa. E outras coisas mais, que comentarei abaixo, sem spoilers. 📺 Séries comentadas neste mês: • O Gerente da Noite – 2ª temporada (Prime Video) • The Pitt – 2ª temporada (HBO Max) • Industry – 4ª temporada (HBO) • O Cavaleiro dos Sete Reinos – 1ª temporada (HBO) • Percy Jackson – 2ª temporada (Disney+) • Fallout – 2ª temporada (Prime Video) • Girl Taken (Paramount+) • O Roubo (Prime Video) • Falando a Real – 3ª temporada (Apple TV) • Dele & Dela (Netflix) • All Her Fault (Prime Video) Com isso, vamos lá... Divulgação O Gerente da Noite 2ª temporada | Prime Video Depois de 10 anos, o retorno. Sim, porque sabemos que era mais uma minissérie que se transformou em série e já está renovada para a 3ª temporada. Ainda que inferior à temporada de estreia, a série é uma espionagem envolvente de se acompanhar, mesmo que quase todo contorno seja extremamente previsível. São seis episódios, a trama é ágil e o elenco é ótimo, com destaque para Tom Hiddleston e Diego Calva. Camila Morrone é linda, mas é evidente sua limitação diante dos colegas mais talentosos e Olivia Colman foi só uma participação de luxo. A história poderia ser nova, mas prefere fazer conexões com o passado e com a quantidade de ganchos deixados no último episódio, a 3ª seguirá na mesma pegada. Resta esperar e saber se haverá fôlego para mais. Divulgação The Pitt 2ª temporada (episódios 1–4) | HBO Max Voltou uma delícia, como sempre. Ainda que sem nenhum evento principal, afinal é apenas o começo do dia e mesmo em feriado as pessoas começam a festejar depois, né? Mas o movimento no hospital não para, os casos continuam inteligentes, alguns até engraçados e a dinâmica dos personagens é fantástica de se acompanhar. Isso é crucial em uma série como The Pitt, que é feita por quem realmente entende de televisão e a força da mídia: fazer o telespectador gostar de passar tempo com aquelas pessoas sem se importar somente com o próximo choque ou reviravolta. Vem aí, mas tem uma construção forte para se ter de base. Toda quinta é meu programa favorito e saber que ainda tenho onze semanas com Dr. Robby e cia. é uma maravilha. Divulgação Industry 4ª temporada (episódios 1–3) | HBO Max O tanto que eu gosto dessa série e fico feliz que finalmente ela está tendo mais visibilidade. A temporada começou com o pé na porta, mesmo que o tabuleiro ainda esteja sendo montado para mais um embate entre Yasmin e Harper. Ninguém presta ali e eu gosto de todo mundo, rs. Inclusive, o melhor episódio até então foi o 2º, centrado no casamento turbulento de Yas e mais ainda em seu marido, Henry, um aristocrata mimado que rendeu uma montanha russa alucinante e deu mais profundidade ao personagem e – olha que eu achei que nunca ia dizer isso – uma bela atuação de Kit Harrington. É bom demais saber que tem série boa todo domingo na HBO e Industry tá se encaminhando para sua melhor temporada, o que não é fácil já que a 3ª também foi divertidíssima. Divulgação O Cavaleiro dos Sete Reinos 1ª temporada (episódios 1–2) | HBO Max E falando em domingo na HBO, temos mais uma série do Universo Game of Thrones, mas desta vez com uma pegada cômica e mais leve, o que me agrada bastante. A luta não é pelo trono de ferro, mas é a história de um rapaz e um menino desamparados pela vida e em busca de algo que a faça valer a pena em Westeros, basicamente. O primeiro episódio não me disse tanto a que veio, mas ainda curti, principalmente o humor mais escrachado. No segundo, a trama começa a tomar mais forma e a construção da relação entre Dunk e Egg ganha mais potência, gostei bastante e me animou a continuar vendo essa aventura de meia hora semanal. Divulgação Percy Jackson e os Olimpianos 2ª temporada | Disney+ A série é a prova cabal de que para uma adaptação ser boa, não basta ela ser fiel. A temporada começa com o mesmo problema da anterior, nada parece empolgar e a sensação de assistir uma luta em meio a uma corrida é a mesma de olhar uma parede branca. Apatia define. No entanto, os episódios finais ganharam uma tração maior na montagem e direção, com riscos que realmente pareçam palpáveis, que ofereçam perigo, o que andava em falta no começo. Deixa uma ponta de esperança para que os ponteiros se acertem na 3ª temporada e o potencial do material fonte realmente seja atingido. A mídia televisiva permite que haja tempo para aprofundar a história e os personagens, então não basta apenas jogar informações sem que elas sejam desenvolvidas. Divulgação Fallout 2ª temporada (episódios 4–7) | Prime Video Depois de uma sólida 1ª temporada, a série retornou morna. Nem quente, nem fria, mas com alguns momentos inspirados, que não passavam de momentos apenas. Mas ao investir na relação entre o Ghoul e Lucy, o roteiro construiu uma base para a melhora nos episódios que foram exibidos neste mês. Entre traições e reviravoltas do passado, o mundo pós-apocalíptico se mostra cada vez mais perigoso para aqueles que tentam sobreviver a ele, com um vilão de Justin Theroux que se mostrou uma bela adição à esta equação. Alguns personagens ainda continuam chatos, como é o caso de Maximus, enquanto outros coadjuvantes ganham destaque, como Stephanie, e as histórias que estavam soltas, aparentemente se conectarão no último episódio que irá ao ar hoje. Estou ansioso. Divulgação Girl Taken Minissérie | Paramount+ Das minisséries estreantes do mês, esta é a melhor e que menos causou burburinho. Protagonizada pelo excelente Alfie Allen (Theon de Game of Thrones) como um professor que sequestra uma aluna em uma pequena cidade do Reino Unido. O suspense é mantido em alta até o fim, os desdobramentos fazem sentido e ganham escopo porque vão além de uma mera obsessão de um homem cometendo atrocidades, é chocante, é forte e emocionante. São seis episódios que valem a pena. Divulgação O Roubo Minissérie | Prime Video Mais uma estrelada por uma ex-Game of Thrones. Desta vez, Sophie Turner (a Sansa) trabalha em um banco de investimentos em Londres, onde ocorre um mega assalto. O primeiro episódio é ótimo, quando o fato acontece, mas já deixa a desconfiança se tem história para mais cinco. A impressão de que a minissérie poderia ter sido um filme é confirmada, mas não dá para dizer que é um martírio assistir, já que pelo menos os episódios não são longos. Assistível, porém esquecível. Divulgação Falando a Real 3ª temporada (episódio 1) | Apple TV+ Quando eu vi que o episódio tinha 1 hora de duração já virei o olho e fiquei receoso de virar mais uma comédia que se alonga demais e perde o rumo (sim, estou falando com você, 3ª temporada de Ted Lasso). Porém, felizmente, o episódio passou voando e foi uma delícia, como sempre. A mistura de riso e choro, com personagens mega carismáticos que dão gosto de acompanhar continua em alta. Tirando umas piadas exageradamente bobas – tipo aquela de Jimmy quando a filha está prestes a bater uma falta no futebol –, tem tudo para ser mais uma bela temporada. Divulgação Dele & Dela Minissérie | Netflix Então, finalmente, vamos falar das minisséries que causaram um alvoroço nas redes por causa dele: o plot twist. A primeira aqui, protagonizada por Tessa Thompson e Jon Bernthal faz um check list de todos os clichês de “história de assassinato de uma mulher em uma cidade pequena” e tudo bem. Entretém. Claro, no final há a famigerada reviravolta super imprevisível que não faz muito sentido e uma montagem marota tentando dar algum sentido. O ponto é que ela só quer chocar e ser comentada. Funciona por algum tempo, mas sem profundidade, não há impacto e o choque pelo choque só faz dela mais uma produção esquecida em três meses. É a tal minissérie de algoritmo e muitas outras virão. Divulgação All Her Fault Minissérie | Prime Video E enfim chegamos a este fenômeno atual. Uma embalagem vazia. Deixei por último, propositalmente, e entendo como é fácil se envolver com All Her Fault porque ela é feita para prender sua atenção. O primeiro episódio já te joga no olho do furacão e em, possivelmente, um dos piores dias na vida de qualquer mãe: seu filho sumiu. O desespero é palpável ali e Sarah Snook está espetacular no papel, assim como a maior parte do elenco. A produção é caprichada na ambientação daquele mundo dos ricos, mas o texto é de uma pobreza tremenda, sem qualquer sutileza, e a elegância fica só para as mansões e figurinos. O que é uma pena. Claro que é fácil assistir uma série que é feita unicamente de reviravoltas, por mais descabidas que elas sejam, mas pra mim isso não é suficiente. Há uma tentativa de deixar uma “mensagem” do quanto as mães são culpabilizadas injustamente – o título, dã –, mas isso é feito da maneira mais rasa possível, servindo apenas de muleta para a sucessão de choques gratuitos no enredo e vai assim até o fim. Eu vi gente comentando que parecia Big Little Lies, mas é só na casca mesmo e falta muito para chegar no patamar daquela 1ª temporada (que deveria ter sido a única, vamos combinar). Ps: Eu sei que a queridinha Bridgerton retornou com sua 4ª temporada, mas por aqui neste post vocês não vão vê-la, porque eu tentei ver 3 episódios da série e achei um saco. Porém, minha colega Gabriella fará a crítica, então os fãs não ficarão desamparados. Nos próximos capítulos... Divulgação Então é isto. Mês que vem tem The Beauty, que eu ainda não consegui ver. As estreias de Vanished, Love Story, novos episódios de The Pitt, Industry, O Cavaleiro dos Sete Reinos, Falando a Real e muito mais. Ah sim, e outra série que está na 3ª temporada, mas eu só comecei a ver este ano. Mês que vem eu conto qual é, para combinar com a temática da coluna, vou deixar de gancho, rs.
- BAFTA 2026 | O Agente Secreto e Apocalipse nos Trópicos conquistam indicações
O brasileiro Adolpho Veloso também aparece na categoria de Melhor Fotografia do prêmio máximo do cinema britânico Divulgação Na manhã desta terça-feira (27), a Academia Britânica de Cinema anunciou os indicados à edição de 2026 do BAFTA. Tradicionalmente vista como um termômetro importante para o Oscar, a premiação deste ano teve suas indicações divulgadas após o anúncio da Academia Norte-Americana. O Brasil marca presença em quatro categorias no BAFTA 2026. O longa O Agente Secreto é o principal representante nacional, aparecendo em duas categorias da premiação. Cinco filmes concorrem ao prêmio de Melhor Filme em Língua Não Inglesa: “It Was Just an Accident”, “Sirat”, “O Agente Secreto”, “The Voice of Hind Rajab” e “Valor Sentimental”. Já na categoria de Melhor Roteiro Original concorrem: “I Swear”, “Marty Supreme”, “O Agente Secreto”, “Valor Sentimental” e “Pecadores”. O cinema brasileiro também se destaca em outras frentes. Petra Costa aparece entre os indicados a Melhor Documentário com Apocalipse nos Trópicos. Enquanto isso, Adolpho Veloso concorre ao prêmio de Melhor Fotografia pelo trabalho no longa americano Sonhos de Trem. Com isso, 2026 se torna o ano com o maior número de indicações de brasileiros em uma única edição do BAFTA, superando 2003, quando Cidade de Deus apareceu em duas categorias da premiação. Divulgação Confira a lista completa de indicados ao BAFTA 2026, cuja cerimônia acontece no dia 22 de fevereiro: Melhor Filme Hamnet Marty Supreme One Battle After Another Sentimental Value Sinners Melhor Filme Britânico 28 Years Later The Ballad of Wallis Island Bridget Jones: Mad About the Boy Die My Love H Is for Hawk Hamnet I Swear Mr Burton Pillion Steve Melhor Estreia de Roteirista, Diretor ou Produtor Britânico The Ceremony – Jack King (diretor, roteirista), Hollie Bryan (produtora), Lucy Meer (produtora) My Father’s Shadow – Akinola Davies Jr (diretor), Wale Davies (roteirista) Pillion – Harry Lighton (diretor, roteirista) A Want in Her – Myrid Carten (diretora) Wasteman – Cal McMau (diretor), Hunter Andrews (roteirista), Eoin Doran (roteirista) Melhor Filme em Língua Não Inglesa It Was Just an Accident O Agente Secreto Sentimental Value Sirāt The Voice of Hind Rajab Melhor Atriz Jessie Buckley – Hamnet Rose Byrne – If I Had Legs I’d Kick You Kate Hudson – Song Sung Blue Chase Infiniti – One Battle After Another Renate Reinsve – Sentimental Value Emma Stone – Bugonia Melhor Ator Robert Aramayo – I Swear Timothée Chalamet – Marty Supreme Leonardo DiCaprio – One Battle After Another Ethan Hawke – Blue Moon Michael B Jordan – Sinners Jesse Plemons – Bugonia Melhor Atriz Coadjuvante Odessa A’zion – Marty Supreme Inga Ibsdotter Lilleaas – Sentimental Value Wunmi Mosaku – Sinners Carey Mulligan – The Ballad of Wallis Island Teyana Taylor – One Battle After Another Emily Watson – Hamnet Melhor Ator Coadjuvante Benicio del Toro – One Battle After Another Jacob Elordi – Frankenstein Paul Mescal – Hamnet Peter Mullan – I Swear Sean Penn – One Battle After Another Stellan Skarsgård – Sentimental Value Melhor Documentário 2000 Meters to Andriivka Apocalypse in the Tropics Cover-Up Mr Nobody Against Putin The Perfect Neighbor Melhor Filme de Animação Elio Little Amélie Zootropolis 2 Melhor Filme Infantil e Familiar Arco Boong Lilo & Stitch Zootropolis 2 Melhor Direção Bugonia – Yorgos Lanthimos Hamnet – Chloé Zhao Marty Supreme – Josh Safdie One Battle After Another – Paul Thomas Anderson Sentimental Value – Joachim Trier Sinners – Ryan Coogler Melhor Roteiro Original I Swear – Kirk Jones Marty Supreme – Ronald Bronstein, Josh Safdie O Agente Secreto – Kleber Mendonça Filho Sentimental Value – Eskil Vogt, Joachim Trier Sinners – Ryan Coogler Melhor Roteiro Adaptado The Ballad of Wallis Island – Tom Basden, Tim Key Bugonia – Will Tracy Hamnet – Chloé Zhao, Maggie O’Farrell One Battle After Another – Paul Thomas Anderson Pillion – Harry Lighton Melhor Direção de Elenco I Swear Marty Supreme One Battle After Another Sentimental Value Sinners Melhor Fotografia Frankenstein Marty Supreme One Battle After Another Sinners Train Dreams Melhor Montagem F1 A House of Dynamite Marty Supreme One Battle After Another Sinners Melhor Figurino Frankenstein Hamnet Marty Supreme Sinners Wicked: For Good Melhor Maquiagem e Penteado Frankenstein Hamnet Marty Supreme Sinners Wicked: For Good Melhor Trilha Sonora Original Bugonia Frankenstein Hamnet One Battle After Another Sinners Melhor Direção de Arte Frankenstein Hamnet Marty Supreme One Battle After Another Sinners Melhor Som F1 Frankenstein One Battle After Another Sinners Warfare Melhores Efeitos Visuais Avatar: Fire and Ash F1 Frankenstein How to Train Your Dragon The Lost Bus Melhor Curta de Animação Britânico Cardboard Solstice Two Black Boys in Paradise Melhor Curta-Metragem Britânico Magid / Zafar Nostalgie Terence This Is Endometriosis Welcome Home Freckles Prêmio EE Estrela em Ascensão (voto do público) Robert Aramayo Miles Caton Chase Infiniti Archie Madekwe Posy Sterling
- Crítica | O Último Azul
A desmistificação do envelhecimento e a luta pela autonomia na terceira idade. Divulgação A autonomia e resistência são os temas centrais de O Último Azul, o novo longa de Gabriel Mascaro, que conquistou o Grande Prêmio do Júri (Urso de Prata) no Festival de Berlim 2025 e dois outros prêmios paralelos — o Júri Ecumênico e o prêmio do público do Berliner Morgenpost. O filme mostra com sensibilidade temas como etarismo, envelhecimento e resistência. O Último Azul se passa em um Brasil distópico onde os idosos são recompensados por suas contribuições à sociedade. A recompensa? Uma intervenção brega na porta de casa e uma passagem só de ida para A Colônia, um espaço de moradia apenas para idosos. É nesse pano de fundo que nos apresentam Tereza, uma senhora que se recusa a ser compulsoriamente aposentada sem realizar o próprio sonho: voar de avião. Ao assistir o filme, por diversas vezes lembrei da minha avó que se recusa a ser invisibilizada na sociedade. Dona Sônia, minha avó, assim como Tereza, mesmo depois dos 70 anos continua andando sozinha, fazendo compras, passeando, viajando e vivendo, coisa que parece ofensiva para a sociedade do filme. Denise Weinberg é muito sutil ao mostrar que o problema de Tereza não é envelhecer ou ser cuidada por estar idosa, e sim com a invalidez que querem empregar nela por isso. As interações dela com os personagens de Rodrigo Santoro e Adanilo demonstram que a conexão e o carinho são possíveis sem as máscaras intervencionistas. Divulgação Além disso, Mascaro traz uma leitura gentil de como a terceira idade não torna o cidadão em terceira classe. O mérito do filme é mostrar como o envelhecimento não é ruína, mas sim mais uma etapa da vida que merece ser vivida. É estar ativo, no pensamento, no desejo, é uma forma profunda de recusa à irrelevância. Tereza não deseja morrer; ela busca um último ato de liberdade. É uma ode à autonomia, à escolha e à dignidade, em meio a um sistema que tende a reduzir o idoso a estatística. Visualmente o filme é aconchegante. Gravado no clássico 4:3, cada plano parece estudar o tempo — o silêncio, a vida acumulada nas rugas, o rio como órbita de memória. A sensibilização não está na tragédia, mas na constatação de que a dignidade humana não pode ser medida em produtividade. O Último Azul é uma metáfora de nosso Brasil: um pouco místico, terno e inquietante. Ele nos faz perguntar: até que ponto uma sociedade é justa se ignora quem já viveu a maior parte da vida? Tereza propõe uma resposta: um último passeio, uma viagem simbólica que, mesmo por dias, devolve a ela — e a nós — um pouco da humanidade que insistimos em perder. Nota: 4/5
- Crítica | All Her Fault (Minissérie)
Sarah Snook brilha em uma história marcada por reviravoltas demais Divulgação Uma mãe chega para buscar o filho na casa de um amiguinho, mas quem abre a porta é uma senhora que não faz a menor ideia de quem ela é ou do que está acontecendo. Assim começa a sequência de acontecimentos inquietantes de All Her Fault, minissérie baseada no livro homônimo de Andrea Mara, que explodiu na internet mundial no início deste ano. A trama da série criada por Megan Gallagher é direta, mas construída para manter a desconfiança o tempo todo: todos os personagens se tornam suspeitos pelo desaparecimento de Milo. Cada um guarda segredos, apresenta inconsistências em suas versões e carrega algo que parece fora do lugar. Seria a mãe que deixou o filho brincar com alguém que mal conhecia? Ou o pai, que faz questão de parecer correto, mas já no primeiro episódio deixa claro que não é tão confiável quanto aparenta? Ou talvez até os irmãos dele, que também escondem histórias turbulentas que parecem longe de vir à tona por acaso. É justamente nisso que All Her Fault se sustenta, na culpa que assombra cada envolvido. A culpa corrói, mesmo quando não é a principal causa do problema que aconteceu. Ela nasce em motivos banais. Uma culpa de ter se atrasado por causa de um engarrafamento, comer algo sem realmente querer, planejar uma viagem sem ter dinheiro suficiente. Algo aparentemente tão chulo pode se transformar em um sentimento enorme quando se mistura a uma tragédia. Gallagher se debruça sobre esse sentimento para causar o maior impacto possível, até que o choque inicial seja substituído pela frustração e pela sensação de que foi prometido mais do que a série realmente entrega. All Her Fault acaba caindo nas armadilhas comuns a esse tipo de narrativa. Ao se levar excessivamente a sério, perde o próprio sentido dramático e passa a apostar quase exclusivamente no choque e em uma sucessão de reviravoltas que não conseguem recuperar o fôlego que a minissérie vai perdendo ao longo do caminho. Recorre ainda à artimanha preguiçosa de explicar tudo em um único episódio, simplificando o entendimento do espectador e tentando controlar artificialmente o que ele deve sentir durante toda a jornada. Divulgação Em compensação, boa parte do elenco de All Her Fault, especialmente Sarah Snook - como é bom ver ela de volta nas telinhas - e Dakota Fanning, está plenamente em sintonia com o tom da série. Discordo de quem afirma que as performances se apoiam na canastrice, pois todos entregam exatamente o que o texto exige, conduzindo o espectador a tentar entender onde cada personagem se encaixa nesse quebra-cabeça, como se também fosse mais um detetive dentro da história. Há motivos tanto para gostar quanto para desgostar deles, misturando as caixinhas de bonzinhos e vilões e dando um pouco mais de fôlego à trama. Ela pode até não fugir do genérico das séries de mistério, mas também não dá para dizer que não diverte. As diretoras Minkie Spiro e Kate Dennis instigam o espectador ao máximo a cada reviravolta, fazendo com que nos questionemos constantemente se nossas teorias ainda fazem sentido ou não. Foi interessante acompanhar o desenrolar dessa história, mas, ao mesmo tempo, também foi cansativo. De forma geral, ao longo de seus oito episódios, All Her Fault não reinventa a fórmula, e nem precisa, mas cumpre seu papel de entreter na rinha de ricos, em meio a um roteiro tendencioso e marcado por boas atuações. Pensando pelo lado positivo, pelo menos são oito episódios assistindo Sarah Snook brilhar. Nota: 3/5
- Cineasta de Sergipe é selecionado para formação internacional promovida pelo ator Antonio Banderas
Sidjonathas Araújo participará do Campus Málaga Talent, evento que reunirá jovens talentos da América Latina e da Europa na Espanha em março Imagem: Divulgação O cineasta formado pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Sidjonathas Araújo foi selecionado para participar do Campus Málaga Talent, programa internacional de formação audiovisual que acontece entre os dias 5 e 14 de março de 2026, na Espanha. A iniciativa integra a programação oficial do 29º Festival de Málaga e reúne jovens talentos da América Latina e da Europa. Promovido pelo ator espanhol multipremiado Antonio Banderas, presidente de honra do Festival de Málaga, o Campus Málaga Talent seleciona anualmente 20 profissionais do audiovisual em início ou consolidação de carreira. O objetivo do programa é estimular a troca criativa, a colaboração profissional e a inserção dos participantes no mercado internacional, por meio de uma imersão formativa intensiva. Durante dez dias, os selecionados participam de atividades divididas em módulos que envolvem análise e desenvolvimento de projetos, estudo de novas estratégias narrativas e integração ao mercado audiovisual europeu. A programação inclui mentorias personalizadas, estudos de caso com profissionais do setor e participação direta nas atividades da área industrial do festival.“Para mim, ser selecionado para esse evento foi uma alegria muito grande. É um espaço que pensa exatamente na formação de novos talentos do cinema mundial, conectando experiências diversas de diferentes partes do globo”, afirma Sidjonathas. A participação do cineasta ocorre por meio de uma parceria entre o Festival de Málaga/Campus Málaga Talent e o Projeto Paradiso, instituição filantrópica voltada ao fortalecimento da indústria audiovisual brasileira, da qual faz parte por meio da Rede Paradiso de Talentos. “Tenho certeza de que essa experiência será de grande valia para a minha carreira profissional, enquanto cineasta baiano-sergipano em consolidação de trajetória. O intuito do evento é justamente apostar em jovens talentos, contribuindo para a nossa formação e ampliando as nossas conexões pelo mundo. Por isso, me sinto muito lisonjeado com esse reconhecimento e bastante motivado a aproveitar ao máximo todas as oportunidades”, relata Sidjonathas. Sidjonathas é sócio da Floriô de Cinema e graduado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Possui especialização em Direção pelo Centro Afrocarioca de Cinema (2020) e em Roteiro pela EICTV (2023), em Cuba. Em 2020, venceu o LAB Negras Narrativas com o curta-metragem Ímã de Geladeira, exibido em festivais como a Mostra de Tiradentes, o Festival de Gramado, o Chicago Latino Film Festival, o Seattle Black Film Festival e o Festival de Vitória.
- Temporada de prêmios 2026-2027: Previsões cedo demais
Um olhar ansioso sobre os filmes que podem dominar a próxima corrida por estatuetas antes dos consensos e das campanhas Imagem: Divulgação Ainda está se encerrando a temporada de prêmios 2025-2026, mas porquê não brincar do ansioso jogo de tentar prever o que a próxima temporada trará para o centro das atenções da imprensa, da indústria, dos cinéfilos, dos tuiteiros e de tudo mais que habita entre esses grupos. O primeiro semestre do ano traz alguns dos principais festivais internacionais de cinema, e com eles se inicia a especulação de quais daqueles filmes manterão o fôlego durante o ano até a chegada da temporada anglófona de prêmios que culmina com o Oscar. Sundance, Berlim, Cannes, Rotterdam e South by Southwest (SXSW) viram os indicadores iniciais dos possíveis e prováveis títulos que cairão na boca de especialistas profissionais e especialistas de internet durante o restante do ano. Levantando alguns dos títulos mais aguardados, projetando possíveis destaques de crítica e/ou público e alimentando expectativas a partir de métricas quase empíricas (e de um bom tanto de intuição cinéfila), esta publicação reúne produções que não surpreenderiam se, em alguns meses, ostentassem cartazes adornados por pequenas folhas de louro, símbolo clássico de uma trajetória premiada. A seguir, apresento uma lista de apostas para a temporada 2026–2027. Algumas podem se revelar escolhas certeiras, outras talvez acabem como grandes e memoráveis furadas. Mas essa é a graça do exercício: arriscar, especular e se deixar levar pelo entusiasmo antes que os consensos estejam formados. Wild Horse Nine Imagem: Divulgação Agentes da CIA são enviados ao Chile de 1973 para uma missão extraoficial que rapidamente se transforma em um jogo de paranoia, lealdade e manipulação política em plena ebulição do regime militar. Entre paisagens áridas e dilemas morais, a confiança se torna o bem mais escasso. Direção: Martin McDonagh Elenco: Sam Rockwell, Parker Posey, Steve Buscemi, John Malkovich, Tom Waits, Mariana Di Girólamo Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Fotografia Digger Imagem: Divulgação O filme acompanha o homem mais poderoso do mundo em uma missão frenética para se redimir e provar ser o salvador da humanidade após causar um desastre global. Direção: Alejandro G. Iñárritu Elenco: Tom Cruise, Riz Ahmed, Aetheria Angel, Robert John Burke, John Goodman Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Roteiro Original, Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Montagem, Melhor Direção de Elenco A Odisseia Imagem: Divulgação Após a Guerra de Troia, o guerreiro grego Odisseu enfrenta criaturas míticas e deuses em sua épica jornada de volta para casa, onde sua esposa Penélope o aguarda. Direção: Christopher Nolan Elenco: Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong'o, Zendaya, Charlize Theron, Mia Goth Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Design de Produção, Melhor Som, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Penteados, Melhor Som Duna – Parte 3 Imagem: Divulgação Segue Muad'dib, herdeiro de um poder inimaginável, enquanto ele concretiza o antigo esquema de criar um governante supremo entre os homens, não nos céus. Direção: Denis Villeneuve Elenco: Timothée Chalamet, Zendaya, Florence Pugh, Rebecca Ferguson, Jason Momoa, Anya Taylor-Joy, Robert Pattinson Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino, Melhor Som, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Maquiagem e Penteados Amizade em Altitude Imagem: Divulgação Quando o entretenimento de bordo falha em um voo de 17 horas, o tédio dos passageiros leva a interações sociais. Direção: Ruben Östlund Elenco: Keanu Reeves, Kirsten Dunst, Tobias Menzies, Daniel Brühl, Daniel Webber, Julie Delpy Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Fotografia, Melhor Som, Melhor Montagem, Melhor Direção de Elenco Nárnia Imagem: Divulgação A trama narra as origens de Nárnia, focando nas crianças Digory e Polly, que exploram mundos mágicos usando anéis do tio Andrew, testemunhando Aslan criar o reino e o surgimento da Feiticeira Branca. Direção: Greta Gerwig Elenco: Daniel Craig, Emma Mackey, Carey Mulligan, Denise Gough Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhor Fotografia, Melhor Maquiagem e Penteados The Adventures of Cliff Booth Imagem: Divulgação Derivado centrado no dublê carismático apresentado em Era Uma Vez em… Hollywood, explorando seu passado nebuloso e suas aventuras no submundo de Los Angeles. Direção: David Fincher Elenco: Brad Pitt, Elizabeth Debicki, Yahya Abdul-Mateen II, Carla Gugino Possíveis indicações: Melhor Ator, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Som, Melhor Figurino Dia D Imagem: Divulgação Se você descobrisse que não estamos sozinhos, se alguém abrisse seus olhos e mostrasse para você, você ficaria com medo? Direção: Steven Spielberg Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Colman Domingo Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Som, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original, Melhores Efeitos Visuais The Social Reckoning Imagem: Divulgação Segue Frances Haugen, uma jovem engenheira do Facebook, que contou com a ajuda de Jeff Horwitz, repórter do Wall Street Journal, para revelar os segredos mais guardados da rede social. Direção: Aaron Sorkin Elenco: Jeremy Allen White, Wunmi Mosaku, Mikey Madison, Betty Gilpin Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Som O Morro dos Ventos Uivantes Imagem: Divulgação Nova adaptação do clássico romance de Emily Brontë, focando na intensidade destrutiva da relação entre Heathcliff e Catherine. Deve apostar em atmosfera sombria e força interpretativa. Direção: Emerald Fennell Elenco: Margot Robbie, Jacob Elordi, Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Martin Clunes Possíveis indicações: Melhor Figurino, Melhor Design de Produção, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Maquiagem e Penteados, Melhor Fotografia Devoradores de Estrelas Imagem: Divulgação O professor de ciências Ryland Grace acorda em uma nave espacial sem nenhuma lembrança de quem é ou como chegou lá. Conforme sua memória retorna lentamente, ele logo descobre que deve resolver o enigma por trás de uma misteriosa substância que está fazendo o sol se apagar. Direção: Phil Lord, Christopher Miller Elenco: Ryan Gosling, Sandra Hüller, Lionel Boyce, Ken Leung, Milana VayntrubPossíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Fotografia Jack of Spades Imagem: Divulgação Romance gótico de mistério ambientado na Escócia dos anos 1880. Direção: Joel Coen Elenco: Josh O'Connor, Damian Lewis, Frances McDormand, Lesley Manville Possíveis indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Penteados Michael Imagem: Divulgação Cinebiografia de Michael Jackson, explorando ascensão meteórica, genialidade artística e controvérsias públicas do Rei do Pop. Direção: Antoine Fuqua Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller, Kendrick Sampson, Kat Graham Possíveis indicações: Melhor Ator, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhor Som, Melhor Direção de Arte, Melhor Montagem












