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Crítica | Pânico 7

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • 26 de fev.
  • 4 min de leitura

Filme não é ruim como querem que você pense…é pior.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Nesta quinta-feira (26), chega aos cinemas o sétimo capítulo de uma das franquias mais icônicas dentro do universo do terror. Pânico, que revolucionou o subgênero do slasher, lança seu mais novo filme e traz Sidney Prescott (Neve Campbell) novamente ao centro da sua trama principal. Com a saída de Melissa Barrera e Jenna Ortega do elenco, demitidas após Melissa defender a Palestina, a Spyglass trouxe de volta Kevin Williamson como roteirista (e também como diretor) para tentar colocar Pânico de volta aos trilhos, mas o resultado é um descarrilamento de proporções épicas.  


Na trama de Pânico 7, um novo Ghostface surge para aterrorizar novamente a vida de Sidney. O assassino chega agora na pacata cidade onde Prescott cria sua filha, novo alvo do terror do serial killer. Focada em proteger sua família, Sidney precisará enfrentar os horrores e traumas do passado para dar fim a essa perseguição de uma vez por todas.


Primeiramente, gostaria de dizer que fui pra esse filme de coração aberto, tanto que escolhi assistir à pré-estreia, na primeira sessão, para evitar me contaminar com opiniões de terceiros. Mesmo sendo uma situação complexa, via o retorno de Neve Campbell ao elenco como algo positivo, já que não sou uma grande entusiasta do sexto longa em sua totalidade, mesmo gostando do arco das irmãs Carpenter. Sou uma grande fã de Pânico, a franquia me fez gostar de filmes slasher, moldou uma grande parte da minha cinefilia durante a minha pré-adolescência e até se intersecciona com o que eu estudei no mestrado e agora no meu doutorado. 


Mas voltando a Pânico 7, o início até parece promissor. A cena de abertura, já famosa pelas suas mortes, revisita um dos famosos cenários da série, apelando um pouco para nostalgia ao fazer referência aos seus icônicos momentos. É um fanservice legal, que te deixa curioso ao tentar entender como aquilo vai se encaixar durante a trama e remete um pouco a tão maravilhosa metalinguagem que Wes Craven dominava com maestria. Mas tudo é apenas um lampejo e o filme entra em uma derrocada que deve ter feito o próprio Wes se revirar no túmulo com o rumo de uma de suas maiores criações. 


Kevin Williamson, que ora foi um grande roteirista para Pânico, é um péssimo diretor. É óbvio que o sarrafo da franquia é alto, afinal, os quatro primeiros filmes são dirigidos por um homem que é considerado um mestre do gênero, que subverteu conceitos e que tem um estilo próprio, era difícil se manter no nível. Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin (que dirigem o 5 e 6) tentam seguir com o legado de Wes mas imprimem uma assinatura muito particular na direção, os dois, inclusive, estão se firmando no gênero com bons longas como Casamento Sangrento e o divertido Abigail e fazem um trabalho competente com os dois filmes. Mas Williamson como diretor é algo difícil de ser assistido, é quase como uma emulação de algum genérico de streaming. É fraca e em alguns momentos parece a direção de um dos capítulos mais fracos da série de Pânico para a MTV.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Se como diretor ele é um completo fiasco, no roteiro você poderia pensar: “Ei, aqui é a área dele, deve ter saído algo bom”. Lamento te informar que a decepção é dupla. A trama tenta caminhar para uma crítica aos deep fakes, a inteligência artificial e as relações parassociais, mas esquece que é necessário desenvolver personagens para fazer isso com maestria. A relação de Sidney com a filha Tatum não vai para lugar nenhum, a relação da Tatum com os amigos não nos faz criar nenhuma empatia com eles (então as mortes não nos impactam sentimentalmente, apesar de serem muito gráficas), a relação de Gale e Sidney não se desenvolve e a própria Gale parece totalmente deslocada dentro da narrativa. É impossível criar conexão com alguém e durante o filme nenhuma morte significou algo. 


Pra mim, ao tentar trazer a presença do Stu Macher (Matthew Lillard) como uma possível ameaça, Pânico 7 decide não desenvolver os seus outros possíveis culpados. Pra causar choque e surpresa ao revelar quem seria o verdadeiro Ghostface? Não sabemos. Porém, isso faz com que essas relações, como eu falei acima, não se desenvolvam, fazendo com que nós (o público) simplesmente não nos importássemos com quem está debaixo daquela máscara. Para evitar spoilers, não vou me aprofundar nessa questão mas, na minha opinião, é o pior Ghostface da franquia e ninguém vai me convencer do contrário, apesar da boa atuação do seu vilão principal. 


É uma perda total de tempo? Não. Você ainda consegue se divertir ali, lá no fundo, com algumas boas cenas de perseguições e cenas de mortes bem criativas. Mas é sem alma, sem a essência da franquia que tanto gostamos, mostrando um desgaste latente de uma trama que parece só decair. No fim das contas, Pânico 7 evidencia que a franquia chegou a um ponto crítico em que repetir fórmulas, apostar em nostalgia vazia e tentar comentar o “espírito do tempo” sem aprofundamento não é mais suficiente. Há momentos pontuais de entretenimento e lampejos do que Pânico já foi, mas eles são engolidos por uma direção sem personalidade, um roteiro que levanta temas interessantes sem saber desenvolvê-los e personagens que passam sem deixar marcas. O resultado é um filme que existe, mas não significa. Um capítulo que reforça o desgaste de uma saga que sempre foi brilhante justamente por entender o gênero, rir dele e, ao mesmo tempo, respeitar o público. Aqui, resta a sensação incômoda de que a máscara continua icônica, mas por trás dela já não há muito a dizer.


Nota: 2/5


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