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Entrevista | “O Labirinto dos Garotos Perdidos”: Matheus Marchetti, Giuliano Garutti, Lucas Bocalon e Henrique Natalio, falam sobre nova fantasia queer nacional

  • Foto do escritor: Giulia Meneses
    Giulia Meneses
  • há 3 horas
  • 13 min de leitura

Longa dirigido e roteirizado por Matheus Marchetti chegou aos cinemas brasileiros dia 4 de junho. 

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Estreou na última quarta-feira (4), a nova fábula queer do diretor e roteirista Matheus Marchetti. Após seu lançamento mundial na 49ª Mostra de São Paulo (Confira nossa critica do filme aqui), o novo longa do diretor de Verão Fantasma mistura horror e fantasia diante de uma narrativa repleta de estímulos visuais. 


Na trama, Miguel (Giuliano Garutti), um jovem do interior recém-chegado a uma São Paulo fria e misteriosa, se vê imerso em uma jornada de descobertas e desejos enquanto um assassino à solta aterroriza a capital paulista.


O Oxente Pipoca teve a oportunidade de conversar um pouco com o diretor e elenco do filme, que falaram um pouco sobre as múltiplas nuances da narrativa, o equilíbrio entre a fantasia e a realidade, a construção da intimidade entre os protagonistas, além da importância de potencializar diferentes narrativas LGBTQIAPN+. Confira a entrevista completa abaixo


Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Matheus, vou começar por você. O longa mistura elementos de suspense, de horror, de erotismo, e um pouquinho de coming of age também. Como você conseguiu equilibrar essas linguagens na narrativa?

Matheus Marchetti: Eu acho que uma coisa que eu tenho falado, porque as pessoas vira e mexe me perguntam qual é o gênero desse filme, o que é exatamente. E é até engraçado porque algumas pessoas que assistem o filme me dizem coisas diferentes do que elas interpretaram. Se o filme é uma comédia, se é um filme de terror, se é uma porno chanchada. Mas para mim, eu acho que o que eu busquei era criar uma fábula. 


Porque quando eu penso em contos de fadas, eu acho que são narrativas que misturam gêneros. E mesmo quando você vai ver um filme antigo da Disney, por exemplo, você vai ter elementos de terror, elementos de romance, de comédia, tudo dentro da fábula. Claro que a nossa fábula tem muita cena de sexo que você não vai encontrar no desenho da Disney, mas eu acho que esse tipo de narrativa, esse tipo de brincadeira que oscila entre diferentes emoções, é algo que eu tentei usar isso como inspiração para guiar a nossa jornada. 


E também porque eu sempre gostei muito de brincar com esses elementos de gênero. E mesmo o meu longa anterior, que é o Verão Fantasma, que é um filme que eu acho um pouco mais tradicional, como terror. Ao mesmo tempo que ele mistura se com o musical, ele tem umas quebras de gênero ali, que é uma coisa que eu gosto de brincar. Porque eu acho também que, no fundo, na vida, nada é uma coisa só. Às vezes o encontro também é tudo isso. O encontro sexual pode ser sedutor e gostoso, assustador e engraçado. Tudo ao mesmo tempo. Eu acho que é isso que eu tentei acessar nesse processo. 


Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Foi importante você falar desse local do encontro, porque em alguns momentos parece ter essa tensão muito forte entre fantasia e realidade. Eu queria te perguntar, por que é tão importante manter essa ambiguidade no filme? 

Matheus Marchetti: Eu acho que tem a ver com a própria subjetividade, como o que eu penso quando escrevi esse roteiro. Acho que ele é muito inspirado em situações que eu já vivi, situações que meus amigos viveram. Acho que, apesar do filme ter esse tom fantasioso, ele vem de um lugar, talvez, muito mundano do mundo dos encontros, especificamente dos encontros gays por aplicativo. Esse [lugar] mundano é levado a um exagero onírico, digamos assim. Mas eu acho que vem do lugar um pouco de interiorização, de como a nossa mente funciona nesse processo, de como entrar no estado mental febril que você entra antes de encontrar um desconhecido na internet. 


Tem uma cena em que a exposição de Terror do Mise mostra o gabinete do Doutor Caligari. O expressionismo é tudo sobre isso, é sobre essa interiorização de entrar no filme. O Gabinete do Doutor Caligari é um filme que a narrativa dele não é tão bizarra quanto a apresentação estética do filme, e a apresentação estética do filme se refere à loucura do protagonista. Eu acho que no nosso caso vem um pouco disso também, de ser uma história que teoricamente se passa em um plano da realidade. Mas a gente tá vendo por esse prisma dessa mente jovem, febril, tendo essas experiências pela primeira vez, e que tá meio doida com todas essas informações, com todos esses sentimentos e sensações novas.


Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Giuliano, seu personagem passa por um processo intenso de descoberta, né? Queria saber como você interpreta essa transformação? O que é que você analisa do seu personagem ali no início do filme e no final?

Giuliano Garutti: Eu acho que o Miguel, que é o personagem que eu faço, ele vem de um lugar, o interior, um lugar que às vezes ele não consegue se expressar tão livremente quanto numa cidade grande. Porque querendo ou não, existe um certo conservadorismo maior em algumas cidades, por mais que São Paulo também tenha isso, com certeza é muito presente. Sabemos da violência que acontece aqui em São Paulo. Mas ainda assim eu acho que existe uma liberdade um pouco maior aqui nessa cidade. 


E eu acho que ele utiliza esse vestibular que ele vai fazer como também uma chance dele poder desfrutar dos seus prazeres, das suas vontades, de uma coisa que ele sempre quis e às vezes não tinha muita oportunidade onde ele estava. E eu acho que ele começa a jornada bem ingênuo, acho que ele começa a jornada apaixonado por uma dessas pessoas que ele ia se encontrar, que é o Pedro. Aí logo no começo ele já tem uma quebra, uma desilusão amorosa.


E um pouco sobre essa questão dos sentimentos mesmo, eu acho que a partir daí ele começa a se desprender e falar, pensar consigo mesmo que ele quer tentar, mesmo com medo, mesmo a gente sabendo que existe um assassino, ele quer explorar essa sexualidade dele, e aí a partir dos encontros ele começa a ter essas experiências. No começo ele parece um pouco mais assustado com todas as informações que estão acontecendo, mas mesmo assim ele tenta e conforme os encontros vão acontecendo ele parece um pouco mais anestesiado. Acho que também é uma coisa que acontece muito aqui na cidade. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a gente tem que fazer tanta coisa, que acaba ficando um pouco anestesiado e nem consegue mais perceber tanto ao nosso redor. E eu sinto que o Miguel vai entrando um pouco nesse embalo, nessa sedução e nessa massa que é a cidade. 


Eu acho que até o fim da história, até existe uma coisa entre o limiar, entre o certo e errado, e o bom e o ruim que vai se perdendo, vai se tornando meio camadas de cinza, porque eu também não acho que o Miguel é santinho, sabe? Por exemplo, eu acho que tem coisas ali no filme que você vê ele fazendo, que você fica tipo: “Nossa, eu acho que ele foi meio vacilão aqui”. Em alguns lugares, então existe meio que esse limiar também do certo e errado. Vai meio que se perdendo, vai se transformando em uma coisa meio fluida, eu acho interessante, eu acho bem bonito isso, dessa caminhada que ele tem. 

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Lucas, seu personagem em específico, ele traz uma revelação bem intensa ali no final. Como foi construir seu personagem, sabendo de tudo que pesava na história dele? 

Lucas Bocalon: Nossa, sabe de uma coisa? Eu acho que esse personagem, esses personagens em específico, desse trabalho, eu trabalhei de uma forma um pouco diferente do que eu estou acostumado. Normalmente eu entro mais a fundo possível na cabeça dessa pessoa para entender essa trajetória. E eu sinto que para esse filme, para o labirinto, o meu estudo foi muito mais tentar entender a cabeça do Miguel do que a minha própria cabeça. Então, eu acho que eu tenho mais pronto na minha cabeça a trajetória dele, do Miguel, do que a minha própria. 


Por quê? Primeiro, ele é o protagonista, ponto, acabou, mas ele vem para São Paulo para passear, para ter essa série de encontros que são com hora marcada para acabar. Então, nenhum desses personagens, ou quase nenhum deles, se propõe a se aprofundar no que eles são, o que eles fazem. 


Porque o que todos ali estão buscando, incluindo o Miguel, é sexo. São encontros de aplicativo, que não tem a pretensão de criar uma relação entre eles. De fato, uma relação profunda. Tirando o personagem que o Matheus faz, que ele tenta ser um pouco mais profundo e acaba levando a mãe num encontro (risos). E por isso, além de tudo, soa mais esquisito ainda. Por um lado, ele também marcou esse encontro no aplicativo. Ele também está no meio daquelas pessoas que estão buscando sexo, basicamente. Mas, não sei se ele está disfarçado de que é sexo, para capturar que é ideia e quando chegar na hora do vamos ver, ele mostrar que, na verdade, ele quer um amor para a vida toda. E isso assusta o menino que, na verdade, só está querendo prazer. 


Acaba que todos esses personagens, ao meu ver, eles nem se propõem, não tem espaço para eles serem tudo isso. O meu, ele está em um limiar entre esses dois. Porque ele é a pessoa que convida o Miguel para estar na casa dele. Então, de uma certa forma, ele está se abrindo e está se aprofundando na vida do Miguel. Ele só vai acabar nessa série de encontros porque esse primeiro encontro não deu certo, ele se decepcionou. Ele chega na casa desse garoto e vê que não era isso que ele esperava, não era isso que ele estava acostumado, eles não estavam se entendendo como se entendiam virtualmente. E aí, por isso, ele só quer tirar esse peso das costas dele. Então, eu acho que a minha trajetória como personagem está diretamente ligada à do Miguel, que dita o que essa narrativa do filme inteiro quer trazer, que é ele, basicamente. 


Mas o meu personagem, no final do filme, aí que eu acho que ele ganha essas camadas, porque você descobre uma coisa, uma surpresa diferente sobre ele. Isso faz compreender onde foi que eles construíram essa relação, que foi através dessa relação imaginária via internet, que é através da música, inclusive. Eles estão trocando canções que compõem.


Então, eu acho que o meu personagem acaba se aprofundando no final do filme, porque, até então, ele é só mais uma pessoa que está querendo prazer, como os outros garotos perdidos nesse labirinto, entendeu? Eu acho que a música une os dois, e a composição da canção, que eu acho belíssima, ela sintetiza a história inteira do filme. Acho que, por vezes, a música pode acabar ficando um pouco de plano de fundo, já que o filme é uma confusão de estímulos. Mas a música, especialmente a última canção do filme, ela basicamente conta a história inteira. Conta como o meu personagem deseja que o Miguel venha e que ele passe por tudo que é preciso passar para, no fim, desabrochar no jardim, como a música fala e como acontece, literalmente, no fim do filme. Então, eu acho que o meu caminho dramatúrgico está diretamente ligado ao do Miguel, mais do que ao meu próprio. 


Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Henrique, o filme associa desejo e perigo em vários momentos. Como é que você enxerga isso em relação ao seu personagem? 

Henrique Natalio: Então, o meu personagem é, literalmente, isso. Ele é essa ambiguidade entre os dois, que são muito complementares e são codependentes um do outro. Então, na verdade, isso esteve presente desde o dia 1, desde que a gente começou a trabalhar nessa cena, nos primeiros ensaios, inclusive só com o Giuliano e com o Matheus. 


E eu já sabia de antemão, tendo lido o roteiro, que a visualização do assassino, através das visões do Miguel, era uma representação do Rodrigo. Então, eu já aparecia nas visões do Miguel muito antes dele encontrar a minha personagem, mais tarde, na mesma noite. Então, eu sabia que tinha uma camada extra de perigo, de incerteza que eu tinha que trazer, justamente para justificar um pouco essas visões que ele tinha. E o que foi mais surpreendente é que não foi uma coisa muito difícil de fazer, porque já dentro desse contexto dos encontros, dos desconhecidos, é um fator que é inerente a essa experiência. Você ir até a casa de uma pessoa que você não conhece, sem mais ninguém olhando, e ninguém sabendo dele estar lá, sem ninguém saber o paradeiro dele. 


Então, o tempo todo é uma incerteza, é uma tensão de que talvez aquele seja o assassino, de que talvez esteja prestes a me encontrar com o assassino, ou estou com ele nesse momento, ou já passei por ele. Então, no final, essa dualidade de medo e desejo, perigo e sedução, elas são muito mais próximas do que aparentavam ser. 


Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Gente, de forma geral, uma coisa que eu senti no filme é que ele é íntimo por completo, não só no sentido sexual, mas de todas as formas. Queria saber como foi criar essa confiança entre o elenco e a direção, ajudou na construção dessas sequências? 

Henrique Natalio: Eu acho que... Eu até falo por todos eles, quando a gente diz que o início do projeto já foi com essa premissa. Ele já chegou a cada um de nós, o Matheus apresentando o projeto, falando disso. Aquela primeira leitura do roteiro é bem impactante, porque é um pouco difícil de você se visualizar fazendo muitas das coisas que estão no roteiro. Mas é isso. A gente pegou na mão do Matheus e trabalhamos isso. Eu acho que, desde o primeiro ensaio, foi um trabalho conjunto. Em cada um, fazer concessões e modificações em cima do material original para que funcionasse para os dois lados. Para que fizesse sentido. Até de um ponto de vista interpretativo. 


Dependendo das dinâmicas que cada personagem tinha, o chegar até o clímax, chegar até o ponto que eventualmente definia cada um daqueles encontros terríveis, precisavam fazer sentido de alguma forma. Precisavam ter essa construção até o momento final. E, no geral, a gente se sentiu muito amparado pelo Matheus nesse sentido, porque era transparência em todas as pontas. De entender como a gente se movimentava, até onde deveria ir ou não, o que e como a câmera ia captar. Nesse sentido, foi um trabalho muito coletivo. E, pelo menos, acho que digo por todos, que todo mundo se sentiu muito confortável, mesmo estando cercado de mais de 10 profissionais numa mesma sala. 


Matheus Marchetti: Uma coisa que eu queria acrescentar também é que, da minha perspectiva como diretor, gosto muito de trabalhar com pessoas que eu já trabalhei e que já tenho alguma conexão. Esse filme, em particular, foi um filme que eu fiz num momento que era um projeto realmente independente, sem grana mesmo. Então, eu queria que fosse um projeto que eu fizesse com amigos. Eu queria que fosse um projeto que eu fizesse com pessoas que já me conhecessem, que conhecessem o meu trabalho, e que tinham tanta confiança em mim enquanto eu tinha nelas. 


Então, foi uma coisa que eu quis que, desde o começo, fosse muito orgânica e muito tranquila. Desde o começo, a gente conversou muito sobre o filme e sobre o quão explícito ia ser o filme. Óbvio que eles que estavam ali fazendo essa parte mais difícil, eu me safei, o meu personagem não faz nada (risos). Mas eu sinto que foi uma troca muito gostosa. Eu senti eles muito abertos também. E isso, a gente testando juntos, vendo o que fica, ao mesmo tempo, bom na câmera e confortável para achar um ângulo que a cena é realista, mas, ao mesmo tempo, eles não estão cruzando nenhuma barreira que não seja necessária. Então, acho que foi isso que a gente tentou... Foi assim que eu tentei levar essas cenas mais íntimas, pelo menos.


Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Esse ano eu tive a oportunidade de entrevistar os diretores do Ato Noturno e do Ruas da Glória. Foi bem legal poder ver narrativas LGBTQAPN+ serem retratadas de forma diferente. Nesse caso, como foi evitar estereótipos ao retratar personagens LGBTQAPN+?   

Matheus Marchetti: Pensando no roteiro, eu acho que eu, Matheus, pessoalmente, tinha uma tendência, principalmente olhando pra filmes contemporâneos, com temáticas, falando especificamente de personagens gays, ou também como eu me identifico, eu tinha muita dificuldade de me identificar com esses filmes ou séries. Sentia que tinha algo talvez muito idealizado, corpos muito idealizados, interações

muito idealizadas. Eu queria fazer um filme que fosse, ao mesmo tempo, muito surreal e idealizado, mas que isso não refletisse no sexo. Tanto que, quando o filme saiu, teve até uma pessoa que comentou que achou curioso que o filme é todo muito esquisito, só que as cenas de sexo são muito realistas. Eu não fiz isso conscientemente, eu não estava pensando nisso, mas eu acho que tem esse elemento de que o que é mais naturalista do filme é a construção e interação desses personagens. 


E, no fim, quase todas as histórias que acontecem no filme são inspiradas em histórias reais. Em tanto vivências minhas, como vivências de outras pessoas que compartilharam suas histórias comigo. Ser fiel a isso, a essas figuras que, para mim, são figuras verdadeiras, e tentar, através disso, criar algo que, talvez fosse mais autêntico para mim e que, dessa forma, também espero que seja mais autêntico para outras pessoas que forem assistir o filme.


Lucas Bocalon: Na minha construção do personagem, como eu falei antes, eu acho que o roteiro em si tem pouca margem para se estereotipar. Apesar de ter vários tipos de figuras ali, mais uma vez, eles não estão querendo mostrar de fato quem são. Eles estão querendo trazer, de uma forma geral, os meninos que vão aparecendo. Então, eu acho que há pouco espaço para que esse tipo de estereotipação aconteça. Para mim, o que eu passei na construção do meu personagem e o que a ideia dessa galera passa, é que estamos aqui por um objetivo e o objetivo de quase todos eles é prazer, e menos profundidade e personalidade. 


Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Para finalizar, nós do Oxente Pipoca temos uma tradição de pedir para os nossos entrevistados indicarem algum filme ou série brasileira que vocês recomendam. 

Matheus Marchetti: Eu vou recomendar um filme que ele é difícil de achar. Quer dizer, ele tem no Youtube, mas é difícil de achar em boa qualidade. E para mim é, talvez, o filme gay mais lindo que eu já vi na minha vida. Chama O Menino e o Vento, de Carlos Hugo Christensen, o filme de 67. É uma história poética maravilhosa e também cheia de mistério. Seja de um elemento onírico fantástico. Eu acho que, para mim, é um dos melhores filmes brasileiros e um dos melhores filmes gays já feitos. Infelizmente, ele não foi restaurado ainda. Mas, ocasionalmente, em festivais, eles exibem uma cópia em película do filme que tem uma ótima qualidade. Então, eu diria para as pessoas, quem puder ir atrás desse filme, vale muito a pena. É transformador. 


Lucas Bocalon: A minha recomendação não tem nada a ver com o Labirinto. Talvez até tenha, de uma certa forma, porque…Algo que me pegou no Labirinto foi que ao ler o roteiro, estava tudo lá. Tudo que aconteceria estava lá, nada foi surpresa. Só quando a gente foi gravar. Mas quando eu assisti... Justamente porque o meu personagem aparece no começo e no final do filme, ele não está no meio dessa jornada toda. 


Quando eu assisti essas cenas que eu não participei, foi uma grande surpresa para mim que o filme se tratava para mim é uma comédia. Mas pode-se dizer que se trata também de uma comédia. Mas eu quase classifico o filme como um todo uma comédia de constrangimentos, porque é isso que eu mais senti ao ver essa parte maior do filme. Então, por se tratar de comédia, eu acho que a série que eu mais acho incrível de comédia, é Os Aspones, da Fernanda Young. Tem, sei lá, dez episódios. Uma pena, mas é uma das coisas mais incríveis já feitas na televisão brasileira. É exatamente o humor que eu mais amo. 


Henrique Natalio: Pensando um pouco nessa mistura de gêneros e surpresas de terror, assim, que o labirinto tem, eu recomendaria muito O Som Ao Redor, do Kleber Mendonça Filho. Que, surpreendentemente, tem uma das cenas mais assustadoras que eu já vi em um filme de não terror. Então, fico com essa.


Giuliano Garutti: Eu vou indicar um filme que, assim, não tem muita ligação, na verdade, com nada do que a gente está falando. Mas é porque, eu vim do teatro, quando comecei a estudar encenação para cinema e essas coisas assim, eu passei por um professor que falava muito desse diretor. Que ele estudava e pensava a atuação muito baseado neste diretor. Então, eu indico O Edifício Master, do Eduardo Coutinho. Que eu gosto muito e foi a partir daí que eu comecei também a criar um certo apego pelo cinema.

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