Entrevista | “É muito bom quando a gente se vê, e quando somos representados”: Carol Rodrigues e Ana Flávia Cavalcanti falam sobre Criadas
- Giulia Meneses

- há 3 horas
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Longa dirigido por Carol Rodrigues e protagonizado por Ana Flávia Cavalcanti e Mawusi Tulani chegou aos cinemas brasileiros no dia 11 de junho.

Na última quinta-feira (11), estreou nos cinemas brasileiros o novo longa-metragem de Carol Rodrigues, Criadas. Destaque do Festival do Rio 2025, o longa integrou a mostra Première Brasil: Novos Rumos, e conquistou o prêmio de Melhor Atriz para as protagonistas Ana Flavia Cavalcanti e Mawusi Tulani. O filme acompanha Sandra (Mawusi Tulani), que retorna a casa de sua prima Mariana (Ana Flávia) para buscar uma foto de sua mãe já falecida, que trabalhou como doméstica para os pais de Mariana. O encontro entre as primas retoma feridas antigas, enquanto uma força sobrenatural as cerca.
O Oxente Pipoca teve a oportunidade de entrevistar a diretora e a protagonista, que falaram um pouco sobre a mistura entre raça e sobrenatural, a construção da negritude em um espaço de classes sociais distintas, a reprodução de estruturas raciais em diversos âmbitos, além da importância da representatividade preta e parda em obras audiovisuais.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Primeiro, parabéns pelo filme. Foi maravilhoso. Eu queria começar perguntando, Carol, como surgiu a ideia de usar elementos sobrenaturais para abordar questões tão concretas como o racismo e a desigualdade social?
Carol Rodrigues: Então, a gente tem uma questão que para mim é muito cara, que eu acho que o realismo convencional, aquilo que a gente chama de linguagem realista no cinema, que é mais naturalista, ele não dá conta das nossas experiências. Quando a gente está falando de grupos oprimidos, de um cinema negro, LGBT, de um cinema de mulheres, eu acho que o realismo convencional não dá conta. Porque é isso, ele simplesmente é uma reprodução da realidade. E se a gente quer, de alguma forma, dar conta das nossas experiências, da singularidade do nosso ponto de vista, a gente tem que pegar emprestado aquilo que costumamos chamar de eventos mágicos, extraordinários. Isso do ponto de vista da linguagem (cinematográfica), mas do meu ponto de vista, eu vejo como o mundo real e o mundo metafísico, digamos assim, o mundo físico e o metafísico, ele é um contínuo.
Eu não consigo ver a diferença entre uma coisa e outra, eu converso com os mortos da mesma forma que eu converso com os vivos. Então, nada mais natural do que usar isso na própria linguagem. Eu pego emprestado uma frase da Conceição Evaristo, que ela fala que quando faltam os fatos, resta a fabulação. Eu, muitas vezes, nas lacunas de memória que minha família tinha... Eles emprestavam uma linguagem mágica, né? Então, contam sobre pessoas que sabiam o dia da morte porque a mãe tinha vindo visitar, e aí a pessoa passa o dia inteiro se preparando para o dia que vai morrer. Alguém que morre no dia, exatamente um ano depois que o seu companheiro morreu, porque no outro mundo ele não aguentou de saudade e voltou para buscá-los. Então, assim, com a mesma naturalidade que eu conto que eu peguei um determinado ônibus para chegar em determinado lugar. Então, assim, como eu cresci ouvindo com essa naturalidade.
Me pareceu bastante natural que quando começasse a contar as histórias, isso desde quando eu escrevia contos de criança, sempre os eventos mágicos aconteciam. Recentemente eu escrevi algo e eu falei, gente, não acontece nenhum evento mágico. Para mim, o extraordinário era o fato de que não havia nada mágico acontecendo, né? Então, justamente por conta disso. O filme trata de uma relação marcada por afeto, mas também uma estrutura de poder muito forte, né?
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Carol, você como diretora, e você, Ana, como atriz, como uma das protagonistas, como vocês trabalharam esse equilíbrio?
Carol Rodrigues: Eu acho que o tempo todo ele é tensionado na história, não só a própria casa, a materialização desse desequilíbrio, dessa disputa territorial que temos ali, mas isso dentro da história. No processo de trabalho, a gente nunca trabalhou a partir desse elemento. A gente sempre trabalhou muito mais com essa investigação, com essa arqueologia das nossas próprias memórias, em tensão com as diferenças, e essa busca por caminhos de afeto, caminhos de amor, sem em nenhum momento apagar as marcas sociais, e entender em que instância isso vai se refletir em disputas de poder, mas nunca foi a partir desse viés. Porque, obviamente, esse tensionamento, quando a gente encara essas questões, ela acaba aflorando um pouco esse tensionamento político, do que focar nisso como referencial. Então, me parece que ele é mais resultado do que exatamente um ponto de partida.
Ana Flávia Cavalcanti: Eu acho que essa hierarquia que acontece na história das duas tem a ver com a classe social, recorte de classe, né? Então, uma é a patroa, a outra é a empregada. Tanto quando a gente fala das mães delas e se refletem nelas. Obviamente, é isso. Uma hora ela fala: “Bom, enquanto você estava aprendendo a cozinhar com a minha mãe, eu estava cuidando das suas roupas, eu estava arrumando o seu quarto”. E é uma coisa que acontece muito. Eu sou filha de uma faxineira e fui muitas vezes trabalhar com a minha mãe. Não tantas quanto eu gostaria nem ela, porque também tem mais isso. As patroas não gostam que a empregada, que a faxineira, que a babá leve os próprios filhos, o que é mais crueldade.
Você vai lá cuidar de uma criança, por que você não pode cuidar de duas, sendo que uma delas já é a sua, né? Então, eu fui com a minha mãe algumas vezes e você acaba trabalhando mesmo. Por mais que a mãe fale que você não vai fazer nada, você acaba estando alí de qualquer forma e é um jeito também de ensinar pras outras mulheres o que é ser mulher através do trabalho doméstico. Acho que é uma outra conversa, um outro filme.
Mas eu acho que a Sandra acabou trabalhando sim naquela casa, cuidando daquelas coisas, das roupas, deles, ainda sendo uma criança. E isso eu acho que é um gatilho mesmo dentro dessa pergunta, pensando na hierarquia da relação das duas. Que só vai talvez se resolver ou abrir um novo capítulo quando elas debatem muito, conversam muito, convivem muito, à medida que o filme vai passando. Porque também tem uma coisa interessante no filme, que é uma mudança de status.
A Sandra, que era a filha da faxineira preta, uma prima que saiu da casa. Ela volta a São Paulo, engenheira, formada para trabalhar numa multinacional, enquanto a prima, que teve tudo, provavelmente muitos privilégios e vantagens. Se formou, mas também não foi muito fundo numa profissão. O pouco que acontece, às vezes, quando você tem grana, né? Você não precisa trabalhar, você vai indo e aí não finca também. Mariana, quando a Sandra chega, ela está meio perdida. Aí eu acho que essa inversão também é interessante. A gente vê cada um ocupando outro lugar.

Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Sim, que bom que você falou disso, porque essa personagem, a Mariana, mesmo sendo uma menina preta, ela foi moldada dentro de uma bolha, que até a própria mãe admite ali, em certa forma, que ela lutou para construir aquilo ali e colocar a filha naquela posição.
Dentro disso tudo, o colorismo e os impactos de diferentes tons de pele, dentro de uma ampla negritude, é também uma pauta que é retratada ali. Como essa discussão influenciou na construção da Mariana como personagem e como uma mulher preta também.
Ana Flávia Cavalcanti: Sim. Poxa, eu vou te falar, foi muito desafiador para mim, porque eu sou uma mulher parda. Uma mulher parda, negra de pele clara, que teve uma educação muito diferente da Mariana. Eu cresci numa casa, numa quebrada, numa favela, com uma mãe justamente faxineira. Já rapidamente entendendo tudo, sabendo tudo do rolê, muito ligada de quem eu era, de quem era todo mundo, quem era cada vizinho, quanto custava uma faxina, o que dava pra fazer com aquele dinheiro. Então, a minha negritude, eu fui conhecendo, descobrindo mais cedo que a Mariana. Então, eu também tive que segurar um pouquinho a minha própria onda durante o filme.
Porque ela estava encontrando-se com uma negritude que foi retirada, e que ela não pôde exercer, e pôde aproveitar. Ela não passou vários domingos no pagode com a família inteira. Ela vai descobrindo isso um pouco já sozinha. Depois que aquela prima aparece na frente dela, ela tem um presente para dar para a prima, que tem a ver também já com a investigação dela, e é um quadro. Mas é o que ela quis oferecer, um quadro da Rosane Paulino. Tem também um desejo dela de ir ficando mais negra, ficando mais preta, se empretecendo. Então, acho isso muito bonito.
É um movimento que eu acho que muitas pessoas no Brasil... Se não viveram, viverão, ou já viveram, passaram por isso, principalmente pessoas mestiças, né, pessoas pardas, miscigenadas, como eu, como você. A gente vai descobrindo e vai se apropriando e vai construindo essa identidade negra também. E a gente se constrói muito a partir do outro. Você olha para o outro e fala, será que eu também? Essa história eu já passei. Na minha casa também era assim. A gente oferece essa oportunidade para a população brasileira. Eu acho isso muito maravilhoso. A gente está falando de um país que é majoritariamente pardo. Quando a gente está falando sobre população negra, a gente está falando de a maior parte da população ser uma população de pessoas pardas, que é a singularidade do Brasil em que o embranquecimento se deu justamente com a inserção do incentivo estatal da vinda de pessoas brancas para o Brasil para apagar a mácula da escravidão.
Carol Rodrigues: O quadro A Redenção de Cam, ele foi o quadro usado como propaganda para dizer como o Brasil ia pagar isso. E o que aconteceu foi justamente que a gente tem uma nação de pessoas pardas que muitas vezes não conseguem entender a sua própria negritude, o seu próprio “empretencimento”. E parte desse processo que a gente trabalhou muito. Eu tenho duas atrizes extremamente conscientes extremamente engajadas e sabem muito bem quem são no mundo. Só que é isso, a gente tem duas personagens que estão num lugar muito diferente delas.
Uma que está numa busca desesperada em relação a isso, então lê os livros negros, tem elementos negros na casa, tem quadros, tem cartazes, está o tempo todo, e até mesmo a recepção da prima nessa casa é isso. E uma outra que quer ser vista para além da sua própria negritude. Porque é isso, ela está buscando o tempo todo ser vista como engenheira e não como engenheira negra. O tempo todo ela está neste lugar. E ao mesmo tempo, é isso, a gente tem uma personagem que vem de Angola, então está olhando para isso como as minhas patroas, então o que elas estão falando em relação a isso?
A personagem vivida pelo Sarito, eu falo assim, é engraçado, né? Porque ela soa muito violenta num determinado momento, mas é isso, ela também foi empregada doméstica. A própria mãe da Mariana fala, “Eu queria que seu pai te pegasse no colo e não pensasse em cor”. Então, isso pra mim é a síntese de uma violência que estrutura a nossa sociedade inteira. Como é que você faz para apagar os elementos raciais, para que as pessoas não lembrem que ele existe. Olha que violento isso, e isso é o Brasil, então como é que a gente no meio de tudo isso, tentando fugir desesperadamente de quem a gente é, encontra caminho de volta hoje.
A Mawusi (Tulani) falou pra gente um negócio muito bonito. Ela falou que a Sandra chega na casa em busca dela mesma. Eu acho que no final das contas ele é um filme que tenta nos conduzir a nós mesmos. Ele tenta porque essa é a nossa vida. O tempo todo a gente está se distanciando e nos aproximando daquilo que nos faz ser a gente mesmo. Então, as duas têm jornadas de lugares muito diferentes, mas conseguem perceber que para elas chegarem nesse lugar, elas vão precisar se apoiar uma na outra.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): Legal vocês falarem essa parte de ser parda, por exemplo, porque aquela cena que a Mariana está se relacionando com outra mulher e ela fala, “Mas você é branca!”. E ela leva aquele susto. Eu, como filha de uma mãe branca, de um pai preto, me entendo muito isso nesse lugar de dualidade. “O que eu sou?” Para o meu pai eu sou uma pessoa branca, para o meu pai eu sou uma pessoa preta. Aquela cena ficou martelando na minha cabeça por muito tempo. E eu tentei me identificar na Mariana ali, de certa forma. E eu pergunto para vocês, o que vocês esperam que diferentes públicos levem da experiência de assistir esse longa?
Ana Flávia Cavalcanti: Olha, eu acho que essa cena é uma das minhas cenas preferidas no filme, não porque eu faço aquela. Porque eu acho que essa cena, ela é como se fosse a síntese do que uma pessoa parda vive no mundo, no Brasil. Que é o tal de comparar, né? E aí, de fato, quando você vai na cor da pele, aí várias vezes, tipo, eu perco a minha negritude. Eu perco nessa briga. Nesse mano a mano, eu não levo, entendeu? E aí é muito triste pra mim, porque eu sou uma mulher negra. E eu não sou negra porque eu tenho a pele escura. Eu sou negra por diversas outras vivências, memórias, práticas, religião, jeito de cozinhar, de dançar.
A minha negritude é composta por diversas coisas muito fortes que eu vivo, que a minha mãe vive, meu pai, meus avós, meus bisavós. Então, assim... A gente tá muito carregado dessa negritude, digo a gente e eu na minha família, né? Tô num recorte bem meu mesmo agora. Então, essa cena, de uma certa forma, foi um alívio também. Eu fiz ali a minha cura. Todas as vezes que eu tive que engolir essa, estando com pessoas brancas que têm um tom de pele, assim, que se aproxima ou às vezes, até é mais escuro. E eu tenho que ouvir, me calar.
Então, eu gosto muito dessa cena. Eu acho que nessa pergunta, como que diversos públicos vão reagir. Eu fico com a sensação, que as pessoas pardas provavelmente vão se identificar muito com as vivências da Mariana ali no filme, inclusive com a jornada dela mesmo, como é que ela começa e termina o filme, o que ela passa. No reencontro com a prima, com ela mesma, vendo a relação que ela tinha com a tia, com a própria mãe, aquela conversa que ela tem com a mãe dela, aquilo é de uma preciosidade muito grande, pensando que a gente tem milhares de famílias que devem ter situações parecidas. E eu acho que para a população preta, daí é um sentimento muito. Eu acho que é um filme também que respeita e que reverencia muito a mulher preta do Brasil, até no mundo. Porque justamente tem a Ludmilla que está com a gente, essa atriz angolana.
Eu acho que a mulher preta é central no filme da Carol Rodrigues, em Criadas, é de uma reverência, de um respeito, de uma dignidade. Que eu tenho quase certeza, não dá para saber 100%, que a população preta no Brasil vai se sentir representada, vista, com muita afetividade. A construção da Sandra pela Mawusi também é muito primorosa. É muito bonito a gente ver como que a personagem também se desenvolve, aquele auge dela naquela festa, aquela mulher tão poderosa. Tenho certeza que mais da metade dos lares brasileiros tem uma Sandra ali dentro, entendeu? É muito bom quando a gente se vê, quando a gente é representado. É uma sensação única. Parece que você existe, a sua existência é reconhecida em tela. Ainda mais agora, que a gente está vivendo em tela.
Então, eu sinto que é um filme para todo mundo. E aí, só para terminar, acho que a população branca tem uma oportunidade enorme também de receber aí de grátis ou com preço justo uma aula também. Uma espécie de educação mesmo, porque eu acho que a gente está aqui para se educar, para aprender as coisas, para melhorar. A gente não sabe de tudo. Porque como pode existir um certo distanciamento, já que a história não tem gente branca, você fala, bom, então não é comigo, né? Mas você está vendo a reprodução de um esquema de viver no Brasil. A reprodução de um jeito de viver. E eu acho que isso também pode ser muito bom, muito bom.
Meus amigos, as pessoas próximas não negras que viram o filme falaram muito disso, como elas também foram se colocando nesses lugares. O filme não tem personagens brancos, assim, tem da Ale, mas tem menores, assim, né? Aliás, a Ale, ela foi muito parceira, porque tem uma certa resistência de atrizes brancas de se colocar nesse lugar. Mas, assim, de forma geral, mesmo que não tenha tantas pessoas brancas no filme, a estrutura da branquitude está lá.
Carol Rodrigues: Justamente. E é uma coisa tão forte isso no nosso cotidiano. A minha esposa é uma mulher branca de família espanhola e italiana, e na família dela aconteceu exatamente a situação que acontece no filme. Da tia dela trabalhar na casa da outra tia. Olha só como é potente essa estrutura racista, e mesmo quando não temos pessoas negras, a estrutura que reproduz o racismo ela acontece. Então, assim, olha só como isso está na fundação, para usar os termos da engenharia civil do filme, na fundação do que a gente tem como sociedade brasileira. É algo que se reproduz mesmo quando você não tem pessoas negras, mesmo em famílias brancas, essa violência é reproduzida. Legal, gente.
Giulia Meneses (Oxente Pipoca): E para finalizar, nós temos uma tradição. Sempre pedimos para os entrevistados indicarem um filme ou série brasileira que nosso público deveria assistir.
Carol Rodrigues: Na verdade, eu vou aproveitar que está em cartaz agora e é um filme muito querido não só de uma grande cineasta, mas também porque é um primo e irmão do Criadas, que é o Aqui Não Entra Luz, da extremamente talentosa Karol Maia. (Confira nossa entrevista com a diretora de Aqui Não Entra Luz)
Ana Flávia Cavalcanti: Vou fazer que nem a Carol, só que é o contrário. Vou indicar o Criadas. É válido também. E vou indicar também aqui no Entra Luz, porque é essa história da minha vida. Eu tenho um trabalho que eu faço agora, dia 25 de julho de 2026, comemora 10 anos, que se chama Babá Quer Passear. Que é uma performance que eu fiz, onde eu construí um carrinho de bebê gigante, me visto de babá e fico dentro dele, e aguardando por um passeio. Fiz muito esse trabalho no Brasil nos últimos 10 anos, viajei com ele pelo mundo, então tudo que tem a ver com esse tema me atravessa na alma, e esse filme não foi diferente.
Então quero também aproveitar e dizer para vocês assistirem Aqui não entra luz, da Karol Maia, que é também assim, é um acerto de contas, que ela tenta ali fazer com ela, com a mãe, com os personagens que ela tem, é um tema muito relevante para mim falar sobre o trabalho doméstico. Acho que é a maneira que eu encontrei mais eficiente de lutar contra o racismo, porque é um trabalho feito majoritariamente por mulheres negras e ainda muito desvalorizado. Então, eu luto mesmo, luto com muita força.



















