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- Crítica | No Other Choice (Mostra de SP 2025)
com a forma e os gêneros em sátira insana e hilária sobre o capitalismo tardio Foto: Reprodução Nas críticas que escrevi para Eddington e Bugonia para a Mostra, comentei de um perceptível problema do cinema contemporâneo ora nos faz rir de nervoso ora nos leva às maiores gargalhadas – talvez em nenhuma outra sessão da Mostra Ainda que em determinadas ocasiões as críticas ao capitalismo tardio possam soar óbvias ou engessadas , Chan-Wook encontra na forma a maneira de elevar a crítica e investir na sátira sem receio ou se apegando
- Crítica | Jardim dos Silêncios (Mostra de SP 2026)
pensando em como curiosamente ele nutria certas semelhanças com Ana, En Passant, outro filme visto nesta Mostra
- Crítica | A Sombra do Meu Pai (Mostra de SP 2025)
com o qual se entrelaça – a história de A Sombra do Meu Pai, de Akinola Davies Jr., longa exibido na Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes deste ano e agora também na Mostra de São Paulo.
- Crítica | De Lugar Nenhum (Mostra de SP 2025)
Desumanização, é visível como ele perde força, como na sequência de conversa com Laerte, que, ainda que mostre
- Crítica | Jovens Mães (Mostra de SP 2025)
Jovens Mães, premiado com o prêmio de Melhor Roteiro e exibido na Mostra de SP, poderia facilmente se
- Crítica | Palestina 36 (Mostra de SP 2025)
Eficaz como denúncia das origens do genocídio em Gaza, não tão eficaz como filme palestino Foto: Reprodução O cinema sempre foi palco e reflexo das lutas políticas em curso no mundo, e com o atual genocídio que se desenrola em Gaza não poderia ser diferente. A vitória de No Other Land como Melhor Documentário no último Oscar é sintomática no sentido de representar uma arte que se diz consciente daquilo que está acontecendo e não fecha os olhos, e também de um maior engajamento com o próprio cinema palestino, mais atuante do que nunca em denunciar as atrocidades cometidas por Israel. Nesse sentido, Palestina 36 opta não por acompanhar a situação atual do conflito, mas de ir em suas raízes, cobrindo mais especificamente a greve e revolta palestina contra o mandato britânico na década de 1930, período em que as potências ocidentais começaram a alocar populações judaicas em fuga da Europa devido ao antissemitismo. Essa alocação, como se sabe, não veio sem conflitos, já que o custo de se ocupar os judeus no território palestino foi extirpar cada vez mais o território dos próprios palestinos, reacendendo os conflitos entre os dois povos que até hoje reverberam de maneiras cada vez mais violentas e brutais. Inteligentemente, a diretora Annemarie Jacir não põe a culpa sobre os judeus, que mal aparecem durante a obra. Seu objetivo é claro: mostrar que boa parte (ou todo) do sangue derramado na Palestina hoje poderia ser evitado não fosse a opressão britânica/ocidental, que impôs sobre a população já ali residente uma série de medidas autoritárias enquanto colaborava com o movimento sionista, o que só acirrou cada vez mais os embates com os movimentos de resistência palestinos. Assim, é um cinema-denúncia que transmite uma mensagem dolorosa e ainda atual, reforçando mais uma vez os malefícios dos processos colonizatórios impostos pelas nações ocidentais ao redor do mundo. Infelizmente, só uma mensagem potente não torna um filme bom. E o grande problema de Palestina 36 é que para transmitir essa mensagem, Jacir escolhe caminhos extremamente convencionais – e sobretudo ocidentais. Não há problema no filme ser uma coprodução entre a Palestina e diversos países, incluindo-se aí Reino Unido, França e Dinamarca, mas fica nítido que a presença ocidental na produção da obra dita muito o seu tom e abordagem, criando-se uma espécie de “produto de exportação”. Há a presença de atores britânicos veteranos, como Jeremy Irons e Liam Cunningham, mas ainda que apareçam em papéis menores (Cunningham só dá as caras numa única cena), é nítido que seus rostos estão ali para ajudar a vender a obra para o Ocidente, que precisa ser “educado” sobre o conflito aqui narrado. Foto: Reprodução A natureza de “produto de exportação” do longa se reflete em seu tom exageradamente melodramático, que tenta forçar ao máximo possível cenas de impacto, mas que acaba caindo no lugar oposto, da dessensibilização. Os saltos temporais e a montagem se revelam outro problema: na ânsia de cobrir este período, o longa sacrifica muito do nosso envolvimento com os personagens palestinos, como Yusuf (Karim Daoud Anaya), que em questão de segundos já é transformado num membro da resistência contra os britânicos sem que haja um mínimo de desenvolvimento para tal. Aliás, a própria proposta do filme de trabalhar a coletividade árabe em detrimento do indivíduo (como dito pelo personagem de Irons para os próprios palestinos, veja só) acaba se voltando contra ele, visto que nenhum dos núcleos é suficientemente desenvolvido. Para piorar, o longa se ancora demasiadamente em “imagens de arquivos” que parecem ter sido geradas ou tratadas com IA, com um uso excessivo que beira o constrangedor. Apesar disso, o filme consegue extrair forças de instantes isolados ou de atuações particulares, como Yasmine Al Massri, que no papel de Khuloud tem talvez o arco mais interessante, mostrando também o papel ativo das mulheres nessa resistência. Seu núcleo também desnuda as contradições dentro da própria população palestina, visto que seu marido pertence a uma elite que está mais do que disposta a se vender aos sionistas e britânicos, mostrando como há traidores de classe e de povo em todos os lugares. No seu saldo final, porém, Palestina 36 se revela um típico filme feito muito mais para agradar e sensibilizar o público estrangeiro à Palestina, ancorando-se em estratégias já batidas do cinema ocidental (as cenas em câmera lenta, as cartelas em tela, os diálogos expositivos, o personagem britânico “do bem” que ganha nossa simpatia) para atrair o interesse desse público. Nesse sentido, parece um primo pobre de RRR, que mesmo com seu relativo apelo ao público ocidental, estava mais do que embebido nos códigos do cinema indiano para construir sua narrativa e estética. Aqui é tudo tão higienizado e derivativo que até se vê uma denúncia potente sendo passada, mas não se tem um filme que possa capturar a riqueza do cinema palestino. Nota: 2.5/5
- Crítica | Foi Apenas um Acidente (Mostra de SP 2025)
ser sutil e, ao passo em que essa falta de sutileza faz do longa desavergonhadamente agressivo em sua crítica
- Crítica | A História Mais Triste do Mundo (Mostra de SP 2026)
Em “A História Mais Triste do Mundo”, exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, encontramos
- Crítica | A Incrível Eleanor (Mostra de SP 2025)
Scarlett Johansson estreia na direção com comédia dramática despretensiosa que se salva pela performance de June Squibb Foto: Reprodução É sempre um exercício interessante acompanhar um ator ou atriz que decide ir para trás das câmeras. A história do cinema está repleta de grandes artistas que durante suas carreiras atuaram em ambas as funções em algum momento (quando não simultaneamente), de modo que nos perguntamos: o que os anos sendo dirigido(a) por outros diretores ensinou a estes profissionais? Qual será a sua abordagem agora que ele(a) não é mais a estrela, mas quem dirige a estrela? Em A Incrível Eleanor, Scarlett Johansson faz sua estreia como diretora trazendo para as telas uma comédia dramática simpática e despretensiosa, um longa sem muitas ambições para além do seu tópico principal: sobreviventes do Holocausto. Mas o roteiro de Tory Kamen o faz sob uma premissa que é até curiosa, ainda que nem de longe disruptiva, ao trazer a protagonista Eleanor (June Squibb), uma mulher de 94 anos que após o falecimento da melhor amiga, retorna para a casa da filha em Nova York. Ao acidentalmente cair num grupo de sobreviventes do Holocausto, Eleanor acaba se apropriando das histórias da amiga para fazê-las serem suas, o que gera uma conexão com a jovem estudante de jornalismo Nina (Erin Kellyman), mesmo que ao custo de sustentar sua mentira cada vez mais. Não há nada de muito novo em A Incrível Eleanor: o longa grita convencionalidade a cada instante, com uma direção simples e pouco marcante de Johansson, sempre enfatizando planos e contraplanos que valorizem as interações entre os personagens, no melhor esquema de um cinema independente que foca mais em atuações e texto do que na forma. O tópico difícil é exposto de uma maneira que soa incômoda, mas não necessariamente desrespeitosa; contudo, a abordagem do luto acaba sendo talvez o maior tiro no pé do filme. Especialmente porque fica nítida a mão pesada da direção de Johansson para nos manipular e comover, especialmente com o uso insistente da trilha sonora excessivamente dramática de Dustin O’Halloran, que praticamente grita para nós os momentos em que devemos nos emocionar com os personagens. É tudo tão na cara que o resultado se torna exatamente o oposto. Foto: Reprodução O que realmente ajuda a elevar o filme de uma produção completamente esquecível é a performance de June Squibb, que tem vivido este incrível (e raro) momento na carreira aos 95 anos. Sua personagem não é uma pessoa fácil, sempre com uma resposta ou tirada na ponta da língua pronta para desarmar e irritar qualquer um, mas Squibb sempre lhe confere uma humanidade que o próprio texto do filme não parece ser capaz em alguns momentos. A relação com Nina é outro ponto-chave; mesmo que longe de ser inovadora ou exatamente distinta, a química de Squibb e Kellyman é palpável e sólida mesmo quando o resto não é. Hollywood está cheia das mesmas histórias sendo contadas a cada ano, de modo que o que as ajuda a se diferenciar uma das outras é a visão de quem assume a cadeira de diretor(a). Em sua estreia na direção, Scarlett Johansson não faz feio, mas tampouco há que possa ser considerado uma visão mais autoral, com exceção da maneira óbvia com a qual ela tenta ditar nossos sentimentos pelos personagens. Felizmente, se o longa poderá ser lembrado por algo, é por servir como plataforma para se maravilhar com as qualidades de uma veterana como June Squibb tendo essa chance como protagonista num momento tão tardio da carreira. Nota: 2.5/5
- Crítica | Tudo Pode Ser Visto (Mostra de SP 2026)
Emergindo como uma obra surpresa neste ano e rapidamente se tornando um dos marcos culturais de 2026,
- Crítica | A História do Som (Mostra de SP 2025)
Um romance oco Foto: Reprodução Os caminhos de dois homens se cruzam em um bar, quando um escuta o outro tocar uma música que cantava com os pais na infância. A conexão é imediata, e todo o bar fica em silêncio para ouvi-los tocar uma outra música. Tal conexão se sustenta em olhares, pequenos gestos, silêncios, ao longo de anos, conforme eles se encontram e desencontram... ou pelo menos é nisso que deveríamos acreditar. Desde o início, o diretor Oliver Hermanus busca criar um drama de imagens e planos bonitos e contemplativos, trazendo seus personagens em diversos ambientes (sobretudo os rurais e naturais) para tratar das suas diferenças – Lionel (Paul Mescal) mais quieto e introvertido, David (Josh O’Connor) mais expansivo e carismático. Hermanus os mergulha na imensidão do mundo para conduzi-los em uma jornada íntima, seja no campo do relacionamento deles quanto da atividade profissional que desenvolvem, coletando canções folk de populações nos EUA profundo. Os melhores momentos do filme vêm justamente desse processo de coleta, da magia que emana a partir da relação que os protagonistas possuem com a música, bem como as figuras com quem interagem. Este bloco é onde Hermanus mais consegue conferir alguma alma à obra, pois só quem é aficionado por música sabe das conexões poderosas que ela pode despertar em nós, bem como as memórias às quais acessamos através de um simples acorde. Foto: Reprodução Mas isso é apenas a parte de um todo que infelizmente se revela bastante vazio. Na sua busca por criar um drama plasticamente bonito, Hermanus faz de A História do Som um filme oco, sem vida ou alguma pulsão. O problema não está na sensibilidade almejada, mas o filme se revela tão plácido que com o passar da sua duração essa placidez se transforma em chatice e nos traz nada mais que desinteresse. Não ajuda muito que o romance do par principal pouco convence. Elogiar as atuações de Mescal e O’Connor é chover no molhado, e os dois têm um ótimo histórico de produções queer em suas carreiras (Todos Nós Desconhecidos e Reino de Deus), mas mesmo com suas competências Hermanus não consegue dar liga suficiente ao romance, desprovido de algum tipo de calor, afeto e química genuínos. A estrutura de percorrer vários anos dos personagens também não chega a ser um problema em si – vinte anos atrás Ang Lee fez isso com maestria em O Segredo de Brokeback Mountain – mas a maneira como o filme escolhe aprofundar ou ocultar os personagens é. Sem maiores spoilers, essa história é muito mais sobre Lionel do que sobre David, e mesmo que flashbacks na segunda metade da obra mostrem mais do que ambos viveram, não é o suficiente para preencher a lacuna que fica. Na teoria, A História do Som poderia ser um dos grandes romances LGBTQIAPN+ da nossa geração, mas o saldo final é tão frio e desalmado que é difícil sentir algo pelo (suposto) amor que esses personagens viveram. Revela-se um todo desconjuntado, onde a conexão dos protagonistas e a relação de ambos com a música não conversam entre si o suficiente para que o que vejamos em tela soe genuíno. Há beleza? Há, mas ela chama demais a atenção para si mesma e é incapaz de esconder o vazio onde deveria haver um coração para um filme que se diz tão sensível. Nota: 2.5/5
- Crítica | Blue Moon (Mostra de SP 2025)
Linklater se apropria da linguagem teatral para dar a Ethan Hawke um palco para brilhar Foto: Reprodução Em 2025












