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Entrevista | "Queria que o público saísse da sessão provocado": Daniel Nolasco, Lucas Drummond e Liev Carlos falam sobre o filme Apenas Coisas Boas

  • Foto do escritor: Gabriella Ferreira
    Gabriella Ferreira
  • há 3 horas
  • 13 min de leitura

Romance queer lançado em 25 de junho transforma afeto, desejo e memória em uma experiência cinematográfica singular.


Divulgação


Lançado nos cinemas brasileiros em 25 de junho, às vésperas do encerramento do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, Apenas Coisas Boas transforma uma história de amor em um potente retrato sobre afeto, desejo e liberdade em um Brasil marcado pelo conservadorismo. 


Ambientado no interior do país em 1984, o longa acompanha o encontro entre um fazendeiro solitário e um motociclista ferido, cuja aproximação dá origem a um romance capaz de desafiar as convenções e transformar a vida dos dois. 


Com direção de Daniel Nolasco e atuações de Lucas Drummond e Liev Carlos, o filme chega ao circuito comercial após uma trajetória de destaque em festivais nacionais e internacionais. Em conversa com o Oxente Pipoca, o trio fala sobre a recepção da obra, a expectativa para o lançamento nos cinemas e a importância de ocupar as telas com narrativas LGBTQIAPN+ que colocam o afeto no centro da história. 


Leia a entrevista completa abaixo: 


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Eu sou Gabi, do Oxente Pipoca, falando diretamente de Aracaju. É um prazer conversar com vocês! Primeiro, queria dizer que assisti ao filme ontem e adorei. O Vinícius, que também faz parte da equipe, viu Apenas Coisas Boas no ano passado, durante o Olhar de Cinema, então tivemos experiências bem diferentes: ele acompanhou a estreia no festival e eu assisti agora, às vésperas do lançamento nos cinemas.


Queria começar justamente por esse movimento. Como foi acompanhar a trajetória do filme, desde os festivais até finalmente chegar ao grande público?


Daniel Nolasco: A gente fez a estreia do filme em festivais no ano passado. No Brasil, ele estreou no Olhar de Cinema, mas a estreia internacional foi no Festival de Guadalajara. Depois exibimos também no Frameline, em São Francisco, e seguimos circulando por festivais brasileiros e internacionais.


Durante esse percurso, a gente foi pensando qual seria o melhor momento para o lançamento comercial. Inicialmente cogitamos abril ou maio, mas, conversando com a distribuidora, entendemos que junho fazia mais sentido por ser o Mês da Diversidade. Era uma oportunidade de ampliar as discussões que o filme propõe e inseri-lo em um contexto em que essas pautas ganham ainda mais visibilidade.


Lucas Drummond: Ao mesmo tempo, esse tempo todo também faz parte da trajetória do filme. A gente filmou em 2024, depois levou cerca de um ano para finalizar e estrear. Já faz um ano desde a primeira exibição em Guadalajara, então acompanhar toda essa carreira, ver o filme passar por festivais e agora finalmente chegar aos cinemas é muito especial. É um processo longo, mas muito bonito de acompanhar.


Liev Carlos: Uma coisa interessante que eu percebo na recepção do público é que esse é um filme que cresce com o tempo. Às vezes a pessoa sai da sessão com uma impressão inicial, pode até não gostar completamente, mas ele permanece. É um filme que continua provocando, que fica na memória e vai amadurecendo dentro de quem assistiu. Acho isso muito bonito.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Acho isso muito interessante no filme. Depois que assisti, fui conversar com o Vinícius, que escreveu a crítica para o Oxente Pipoca, e ele comentou exatamente isso: que, revendo mentalmente a obra e lembrando de alguns detalhes, talvez até desse uma nota maior hoje. É um filme que continua reverberando depois da sessão.


Queria saber de vocês sobre esse primeiro encontro com Apenas Coisas Boas. Daniel, de onde surgiu essa história? E, para o Lucas e o Liev, qual foi a primeira impressão quando receberam e leram o roteiro?


Daniel Nolasco: A história é levemente inspirada no conto O Gato Preto, do Edgar Allan Poe. Na verdade, ela é bem próxima em alguns aspectos, principalmente a partir do desaparecimento de uma pessoa, que é um elemento presente nas duas histórias. A partir dessa segunda parte, fui construindo a primeira.


Mas o que eu realmente queria era contar uma história de amor entre dois homens na região onde eu nasci, ali entre Paulistas e Soledade, em Goiás, que também é onde filmamos. Eu queria mostrar aquelas paisagens, aquele universo, e contar uma história de afeto naquele lugar. Foi daí que nasceu o roteiro.


Lucas Drummond: O filme chegou para mim por meio de um convite do Dani para fazer uma leitura. Eu já acompanhava o trabalho dele há bastante tempo e sou muito fã de Vento Seco. O processo de seleção foi uma experiência muito especial, porque ele conduz tudo de um jeito muito humano.


Antes mesmo da leitura, a gente conversou bastante sobre a história e sobre o que ele buscava para os personagens. Depois da leitura, continuamos conversando. Isso não é tão comum em testes, que normalmente são bem mais objetivos. É um processo muito cuidadoso, muito autoral mesmo.


Depois que fui escolhido para viver o Antônio, participei de outras leituras, inclusive uma ao lado do Liev, quando ele estava sendo testado para o Marcelo. Foi ali que a gente começou a construir essa relação.


Liev Carlos: Meu primeiro contato aconteceu por meio do Cássio, que fez a produção de elenco. Pelo que me lembro, o Dani tinha assistido a um curta do qual participei, exibido no Mix Brasil, gravado em Alagoas. A partir daí surgiu o convite para fazer a leitura.


Li o roteiro com o Lucas e gostei muito da experiência. Depois fomos para Goiânia fazer a preparação com o Alan. Eu fiquei muito emocionado já na primeira leitura do texto e quis fazer parte do projeto imediatamente.


A primeira metade do roteiro me comoveu bastante. Já a segunda me deixou cheio de perguntas. Eu não entendia muito bem para onde a história estava caminhando, mas justamente isso despertou ainda mais curiosidade. Engraçado que o filme acabou crescendo com o tempo até para mim, que participei dele.


Lucas Drummond: Tem uma história curiosa sobre esse processo. O Dani já tinha pensado em mim para um outro projeto, o curta Cavalo de Pedro. Só que, na época, eu estava fazendo uma peça no Rio e estava com o cabelo comprido. Ele olhou minhas fotos e falou: "Com esse cabelo não dá."


Passou um tempo e, quando ele começou a selecionar o elenco de Apenas Coisas Boas, voltou a cogitar meu nome. Mandou uma mensagem para o Cássio perguntando se eu já tinha cortado o cabelo.


Por coincidência, naquele mesmo dia nós fomos ao mesmo cinema, perto de casa. O Dani me viu na sessão, percebeu que eu tinha cortado o cabelo e foi embora sem falar comigo. Depois mandou mensagem para o Cássio dizendo: "Encontrei o Lucas. Cortou o cabelo. Pode chamar para a leitura."


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca):  Uma das primeiras coisas que me chamou atenção em Apenas Coisas Boas foi a fotografia. Ela consegue mergulhar a gente completamente naquele universo. É um trabalho muito bonito e que ajuda a construir a atmosfera do filme.


Imagino que, para você, Daniel, tenha sido ainda mais especial gravar na região onde nasceu. E, para vocês dois, Lucas e Liev, acredito que filmar naquele cenário tenha proporcionado uma imersão muito maior do que seria em qualquer outro lugar. Como foi a relação de vocês com esse espaço? De que forma aquelas paisagens e a convivência na região influenciaram a construção dos personagens?


Lucas Drummond: Acho que a gente viveu uma das experiências mais ricas que um ator pode ter, que é justamente esse processo de imersão. Eu sou carioca, então fui para Goiás viver aquele universo de verdade.


Quando você viaja para filmar, a experiência já muda completamente. Você passa muito mais tempo com a equipe, convive intensamente com todo mundo e acaba criando laços muito fortes. É diferente de gravar na cidade onde você mora e simplesmente ir para o set todos os dias.


Nós tivemos uma semana de preparação em Goiânia e depois seguimos para Campo Alegre de Goiás, onde filmamos a primeira parte do longa. Lá ainda passamos cerca de duas semanas de preparação na própria locação, vivendo aquele ambiente antes mesmo das filmagens começarem.


Esse período foi fundamental para construir o Antônio. Aprendi atividades que o personagem precisava dominar, como ordenhar vaca, fazer queijo, atirar e andar a cavalo. Tudo isso fez com que eu me sentisse realmente inserido naquele universo. E, claro, cercado por uma paisagem belíssima, que acaba influenciando diretamente o trabalho de todo mundo.


Liev Carlos: Refaço as palavras do Lucas, me sinto contemplado.


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Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Sem dar spoilers, claro, queria saber se existe algum momento de Apenas Coisas Boas que tenha um significado especial para cada um de vocês. Daniel, como roteirista e diretor, houve alguma cena que foi particularmente marcante ao escrever e depois ver pronta na tela? E, para o Lucas e o Liev, teve alguma sequência que marcou mais durante as filmagens?


Lucas Drummond: Engraçado que ontem perguntaram para a gente sobre curiosidades do filme e essa cena voltou à conversa. Tem uma sequência, a do nascer do sol, quando o Antônio acorda e acredita que o Marcelo foi embora, que nem existia no roteiro originalmente. O Dani criou essa cena durante o processo e incluiu no plano de filmagem.


Lembro que ele ainda colocou um certo terror na gente, dizendo que seria uma cena muito difícil e que estava escrevendo diálogos novos para decorarmos em pouquíssimo tempo. Mas, no fim, ela acabou se tornando uma das imagens mais emblemáticas do filme. Inclusive, foi escolhida para um dos cartazes, que o público gosta bastante.


Acho bonito perceber como o cinema tem isso: algumas das cenas mais marcantes surgem justamente durante o processo de criação.


Liev Carlos: No meu caso, a cena que guardo com mais carinho é o primeiro momento de conexão real entre o Marcelo e o Antônio, que acontece durante uma sequência no chuveiro.

O que mais me emociona nela são os olhares dos personagens. Eles estão muito vivos. Cada um carrega uma subjetividade muito própria, uma forma diferente de sentir e de se expressar, mas existe uma troca muito intensa entre eles. Sempre que revejo essa cena, o que mais me chama atenção são justamente esses olhares.


Daniel Nolasco: Eu sempre tenho um carinho especial pelas cenas mais simples. No caso desse filme, é a sequência em que o Antônio fecha a casa antes de partir.


Visualmente, ela é muito simples, construída com planos fixos, mas carrega um simbolismo enorme. Na região onde filmamos, o êxodo rural é muito presente. É comum encontrar casas fechadas, ainda mobiliadas, que acabam sendo tomadas pelo tempo.


Meu primeiro longa, o documentário Paulistas, já tratava justamente dessa região e desse movimento das pessoas deixando o campo em direção às cidades. Durante as filmagens, registramos muitas casas nessa situação. Então, trazer essa imagem para Apenas Coisas Boas também era uma forma de falar sobre despedida, memória e transformação. Foram poucos planos, mas foi uma sequência muito especial de filmar.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Uma coisa que me chamou atenção é que existem muitos romances, inclusive filmes com temática LGBTQIAPN+, que seguem caminhos mais previsíveis. E não acho que isso seja necessariamente um problema, porque o clichê também tem seu lugar. Mas Apenas Coisas Boas foge desse formato e entrega uma experiência muito particular. Na visão de vocês, o que torna esse filme tão único para quem vai ao cinema?


Daniel Nolasco: Acho que o filme brinca com diferentes gêneros cinematográficos ao longo da narrativa. A própria estrutura, dividida em duas temporalidades, faz com que cada parte dialogue com propostas bem distintas, e isso já oferece ao espectador uma experiência diferente.


Gosto muito dessa construção porque ela provoca um certo estranhamento. O público é levado a reorganizar o olhar durante o filme, e isso faz parte da proposta.


Além disso, para mim, o lugar de onde essa história nasce também é muito importante. É um filme feito no interior de Goiás, por muitas pessoas LGBTQIAPN+ de Goiás, contando histórias e vivências daquele território.


Goiás ainda não tem uma tradição tão consolidada de lançamentos no circuito comercial e, quando fazemos o recorte do cinema queer, esse espaço é ainda menor. Então acho que o filme também se torna especial por isso: pelas pessoas que o fizeram, pelo lugar onde foi realizado e pela perspectiva que leva para a tela.


Lucas Drummond: Acho que hoje a gente vive um momento em que muitas histórias chegam ao público já muito mastigadas, com tudo explicado.


Eu gosto quando o cinema faz justamente o contrário: quando provoca, deixa perguntas em aberto e faz a gente sair da sessão pensando: "O que foi que eu vi? Será que entendi tudo?". Apenas Coisas Boas não tenta responder todas as questões. Pelo contrário, ele deixa espaço para que cada espectador construa suas próprias interpretações. E, para mim, essa é uma das maiores qualidades de um filme.


Liev Carlos: Acho que ele é especial porque subverte um pouco os nossos sonhos sobre o amor.


Existe uma ideia muito idealizada do amor romântico, como se ele fosse eterno, perfeito e absoluto. O filme quebra um pouco essa expectativa e apresenta uma realidade mais dura, mais seca, mas que também tem beleza e encanto.


No fim, ele fala sobre entender que o outro é realmente outro. Que cada pessoa tem seus próprios desejos, seu próprio caminho. As relações podem caminhar juntas por um tempo, mas cada indivíduo continua sendo único. Acho bonita essa forma mais humana de olhar para o amor.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Acho que você até adiantou um pouco a próxima pergunta. A gente tem visto cada vez mais produções voltadas para o público LGBTQIAPN+, mas também uma mudança na forma como essas histórias são contadas. Hoje existem narrativas que colocam o afeto no centro, exploram outras possibilidades de romance e fogem de representações mais estereotipadas.


Como vocês enxergam a importância de Apenas Coisas Boas dentro desse momento do cinema brasileiro?


Lucas Drummond: Tenho uma amiga que trabalha em uma escola e ela me contou uma situação que me marcou muito. Ela convive com crianças pequenas, de cinco, seis, sete anos, e percebe como elas já conseguem falar com muito mais naturalidade sobre quem são. Ela me contou, por exemplo, sobre uma menina que dizia ser bissexual e um menino que já se entendia como gay.


Isso mostra como o imaginário também é construído pelo audiovisual. Quando essas histórias existem e circulam, elas ajudam a naturalizar os afetos, os desejos e as diferentes identidades. Acho que esse é um papel muito importante do cinema.


Liev Carlos: Acho que Apenas Coisas Boas participa dessa construção. A gente cresceu sem encontrar muitas referências de pessoas como nós nas telas. Hoje, quanto maior for a cinematografia queer brasileira, maior também será a diversidade de histórias que podemos contar.


E não estou falando apenas de diversidade de gênero ou sexualidade, mas também de linguagem e de narrativa. No nosso filme, por exemplo, a primeira parte dialoga muito com o western, um gênero historicamente associado a protagonistas heterossexuais.


Poder ver um personagem gay vivendo esse universo do Cerrado, montando a cavalo, empunhando uma espingarda, participando de cenas de ação e, ao mesmo tempo, protagonizando uma história de amor e de afeto, amplia muito as possibilidades dessas representações. Acho isso muito brasileiro e muito rico para o nosso cinema.


Daniel Nolasco: Eu não sou tão otimista quanto esse cenário. Acho que o cinema queer brasileiro é extremamente rico e, nos últimos anos, viveu um momento muito importante de visibilidade. Houve uma aproximação maior dessas narrativas com o circuito comercial e com um público mais amplo.


Mas tenho a impressão de que chegamos a um ponto de ruptura que não é necessariamente progressista. Pelo contrário, vejo sinais de um movimento conservador e de um possível retrocesso. Isso não acontece só no Brasil, mas em vários lugares do mundo. Em momentos de crise, as pautas progressistas costumam ser as primeiras a perder espaço.


Nas últimas semanas, por exemplo, surgiram discussões sobre filmes LGBTQIAPN+ exibidos em grandes festivais, como Cannes e Veneza, que ainda não conseguiram lançamento comercial no Brasil. Também vimos plataformas de streaming adiando estreias e uma redução no investimento de marcas em eventos importantes, como a Parada do Orgulho de São Paulo.


Para mim, esses são sintomas de um cenário mais amplo. Tenho a sensação de que estamos perdendo espaço e janelas de exibição. Espero sinceramente estar errado, mas hoje não consigo olhar para esse momento com muito otimismo.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Esse comentário me fez lembrar de uma discussão que aparece muito hoje, principalmente entre os mais jovens. Muita gente diz que cenas de sexo no cinema são desnecessárias e que prefere simplesmente pular esse tipo de sequência. Acho que isso também acaba sendo um sintoma de uma mudança na forma como as pessoas estão se relacionando com essas narrativas, com o desejo e até com a intimidade nas telas, não é?


Daniel Nolasco: Acho que isso também é um sintoma desse momento. Se a gente olha para a história da arte, desde a Grécia Antiga, passando pelo Renascimento e chegando aos dias de hoje, a representação do erotismo sempre esteve presente. Ela faz parte da produção artística há séculos.


O que me parece é que o debate nunca é realmente sobre a existência da nudez ou da cena de sexo, mas sobre o contexto político em que ela aparece. Existe uma diferença muito clara na forma como determinadas representações são aceitas. A nudez feminina costuma ser naturalizada; a masculina, nem tanto. Cenas de sexo entre casais heterossexuais são comuns no cinema e até na televisão aberta, enquanto outras representações ainda despertam muito mais resistência.


Esse tipo de reação revela um conservadorismo que vai muito além da cena em si. Muitas vezes, o discurso de que "não precisava" ou "é desnecessário" acaba mascarando preconceitos que ainda existem em relação a determinados corpos, afetos e formas de desejo. Afinal, a representação erótica continua sendo aceita em diversos contextos. a questão é entender quais representações a sociedade ainda escolhe rejeitar.


Gabriella Ferreira (Oxente Pipoca): Para encerrar, vou juntar duas perguntas. A primeira é: o que vocês gostariam que o público levasse consigo ao sair da sessão de Apenas Coisas Boas? E a segunda é uma tradição aqui do Oxente Pipoca: sempre peço uma indicação de um filme ou série brasileira para quem está nos acompanhando, e não vale indicar o filme da nossa conversa.


Liev Carlos: Vou indicar o último filme brasileiro que assisti: Eu Sei Que Vou Te Amar, do Arnaldo Jabor, com a Fernanda Torres. É um filme de que gosto bastante. Série brasileira eu vou ficar devendo.


Sobre Apenas Coisas Boas, gostaria que o público saísse da sessão provocado. Que voltasse para casa com aquela inquietação, tentando entender o que aconteceu, refletindo sobre os sentimentos despertados pelo filme. Acho que esse seria o meu maior desejo.


Lucas Drummond: Eu não queria que as pessoas saíssem sentindo apenas uma coisa. Pelo contrário. Espero que elas sintam muitas coisas.


O filme passa pelo romance, pela ação, pelo suspense, pelo mistério, pelo desejo. Então quero que o público sinta emoção, tesão, inquietação... tudo o que o cinema pode proporcionar. Acho que Apenas Coisas Boas percorre muitos caminhos emocionais.


Minha indicação é Madame Satã. Eu o revi recentemente na plataforma Tela Brasil e foi uma experiência muito diferente da primeira vez que assisti. Hoje o filme me tocou muito mais.


Também destaco o trabalho do Flávio Bauraqui e, principalmente, do Lázaro Ramos. Acho uma atuação muito corajosa, intensa e marcante. É um filme importante e que merece ser descoberto por mais gente.


Daniel Nolasco: Minha indicação é Zé Morais, do Geraldo Veloso. É um filme do começo dos anos 1980 que gosto muito e que, infelizmente, nunca foi restaurado. Hoje ele sobrevive praticamente por meio de cópias antigas, mas considero uma obra que merece muito mais reconhecimento.


Quanto ao que espero que o público leve da sessão, gostaria que as pessoas tivessem um prazer estético. Normalmente a conversa gira em torno da narrativa ou dos personagens, mas espero que elas também apreciem a construção visual do filme, a fotografia, a composição dos planos e a experiência estética como um todo. Esse seria o sentimento que mais gostaria de despertar.


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