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Velhos Bandidos: o “dream team” brasileiro se reúne

  • Foto do escritor: Aianne Amado
    Aianne Amado
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

O Oxente Pipoca acompanhou de perto a coletiva de imprensa do filme, na última quinta-feira (19).

Imagem: Aianne Amado
Imagem: Aianne Amado

Por volta das 12h30 do último dia 19, Fernanda Montenegro adentra a sala de conferência do hotel Fairmont Rio, em Copacabana, de braços dados com Vladimir Brichta, que, sorridente, lhe sussurra algo ao pé do ouvido. Logo atrás vêm Bruna Marquezine, Ary Fontoura e Lázaro Ramos, alinhando-se lado a lado. Dona Fernanda procura Lázaro com o olhar e chama por ele; fora de seu campo de visão, ele a tranquiliza: “estou aqui!”. Ela se dirige até ele para se posicionar para as fotos (mais tarde, iríamos entender mais sobre essa relação). Segundos depois, Cláudio Torres entra na sala, posiciona-se atrás do elenco e aponta, orgulhoso, para a mãe e para o “tio” — como chama Fontoura. Tem início a coletiva de imprensa de Velhos Bandidos, comédia nacional que estreia no próximo dia 26.

Encerrada a sessão de fotos, todos se acomodam em seus lugares devidamente marcados. Enquanto Dona Fernanda caminha até sua cadeira, alguns jornalistas ensaiam palmas tímidas. Ela para, encara a “plateia” e, abrindo os braços, decreta: “podem me aplaudir!”. Era exatamente a autorização que faltava para a chuva de aplausos que seguiria.

Duas coisas se tornam evidentes desde os primeiros minutos: (1) o peso simbólico daquelas figuras – não apenas algumas das personalidades mais conhecidas do país, mas também alguns dos nossos maiores artistas cênicos vivos; e (2) o afeto palpável que circula entre eles.


São essas duas esferas que dão o tom do Q&A que se estende pela próxima hora.


De imediato, Cláudio Torres já avisa: aquele elenco não foi feito para caber na tela do celular ou da televisão, urgindo que o público os assistam no cinema, em tela grande. Ao revelar sua estratégia para reunir o que chama de “dream team”, entrega o truque: “Foi só dizer que estava pensando em fazer um filme com a minha mãe que todo mundo falava ‘tô dentro!’”. Sem pudor, conclui que “foi uma carteirada”.


Para Fernanda Montenegro, no entanto, o filme está mais para um presente. “Ele sabe que eu gosto de comédia — fiz muita comédia na vida. E tem também o conjunto dos companheiros de cena… Tudo foi uma festa! Dava até pena quando o dia acabava”. Há, em sua fala, algo entre o entusiasmo de estreia e a serenidade de quem já viu (e fez) de tudo um pouco. “Há uma hora na vida em que a gente não tem mais futuro — sem morbidez”, diz ela, com leveza desarmante. E completa: “Eu acho que só tenho o presente. E, no presente, estar com essa família de opção e ter meu filho me dirigindo é um momento especial”. O tom é celebratório. 


Ainda nesse registro afetivo, Ary Fontoura relembra seus 50 anos de amizade com Fernanda, marcados por inúmeras parcerias no teatro e na televisão — mas nunca antes no cinema. Montenegro aproveita para destacar as participações da velha guarda teatral no longa, classificando-as como uma “gentileza” de um diretor criado entre coxias e bastidores. Também sobre essa gentileza entre colegas, destaca o quão raro é ter uma obra com cinco protagonistas, todos com igual destaque e “sem querer ganhar de ninguém”. 


A mais jovem do grupo, Bruna Marquezine, descreve a experiência como “divertidíssima e, ao mesmo tempo, um tremendo aprendizado”, celebrando a chance de contracenar com artistas que sempre admirou. “Para mim foi mágico. É um privilégio!”.


“Foi um encontro de felicidade e de vida”, resume Vladimir Brichta, antes de revelar que aquela versão polida diante das câmeras é mesmo uma versão. No set, garante, o clima era outro, bem mais bagunçado. “Era difícil parar de rir para dizer ‘ação’ e ‘corta’”, completa Cláudio.


Essa deixa altera o eixo da coletiva. O elenco relaxa, as histórias começam a surgir e, por alguns minutos, temos acesso a uma espécie de making of oral e improvisado. Bruna confessa que, em certos momentos, queria apenas uma pipoca para assistir às trocas entre Lázaro e Vladimir – uma intimidade construída ao longo de décadas de amizade. Brichta, por sua vez, conta episódios da curiosa inversão entre mãe e filho em cena: em determinado momento, sem um objeto de cena adequado, Cláudio simplesmente coloca um saco de cerca de 20 quilos no colo da mãe, avisando: “Vai pesar, mas a senhora aguenta”. Vladimir está inconformado, o resto do elenco ri, mas ela apenas dá os ombros – dando a entender que, se preciso fosse para garantir uma boa cena, aguentaria sim. “Eu sou uma vocacionada!”

Imagem: Aianne Amado
Imagem: Aianne Amado

Já Lázaro Ramos, que se autodeclara “irmão” de Cláudio e filho de Fernanda, a quem chama de “mamãe”, revela, com um leve constrangimento, que a fala “velha safada” surgiu no improviso. “Mamãe sabe que eu a amo e respeito”, apressa-se em dizer. Correspondendo o afeto, Montenegro pergunta há quanto tempo os dois “se cultuam”. “Desde que eu tinha 18 — quase 30 anos”, responde ele. Marquezine interrompe o diálogo para dizer que também está pleiteando essa certidão postiça.


Entre uma piada interna e outra, fica claro que o set foi, de fato, um espaço de convivência prazerosa, quase um encontro de amigos com câmera ligada. E talvez resida aí a lógica mais simples (e mais eficiente) do projeto: se quem faz está se divertindo, há uma boa chance de quem assiste embarcar junto, como lembra Ary Fontoura. Com a autoridade de quem sabe do que fala, ele decreta que “fazer chorar é fácil; fazer rir é um problema sério” — motivo pelo qual ele considera a comédia um gênero superior. Fernanda concorda: “Fazer comédia é muito difícil: ou você nasce com talento ou não dá conta”.


Na despedida, Cláudio Torres reireta: Velhos Bandidos foi pensado como entretenimento para toda a família, afinal, “o cinema nasceu nos parques de diversão”. E talvez seja essa a melhor síntese do que se viu ali: mais do que dirigir um filme, Torres parece ter orquestrado um ambiente em que o elenco pudesse se divertir sem freio – confiando que, em algum momento, essa alegria inevitavelmente transbordaria para a tela. Ao que tudo indica, transbordou.


Confira nossa crítica de Velhos Bandidos aqui



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