Coluna | No Radar #02: É carnaval no Brasil, mas a temporada de prêmios segue forte
- Rafael Carvalho

- 2 de mar.
- 17 min de leitura
Segundo apanhado mensal sobre cinema, TV e os bastidores da indústria

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Chegamos à segunda edição da nossa coluna mensal: um espaço para reunir, a cada mês, tudo o que realmente movimentou o cinema e as séries para mim. Sem muita enrolação (porque a lista está grande), vamos ao que entrou no radar desta vez.
Cinema Brasileiro e suas misturas
Carnaval recheado de pernas cabeludas e agentes secretos

Uma das maiores expectativas deste ano era saber se os bonecos gigantes de Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho ficariam prontos para o Carnaval... E ELES FICARAM!
Ambos estrearam antes mesmo da semana oficial do feriado. No domingo (8), marcaram presença no primeiro desfile do Bloco do Cinema São Luiz, a primeira agremiação carnavalesca ligada a um cinema de rua no Brasil. Além dos artistas nordestinos, o cortejo contou também com o boneco gigante de Fernanda Torres, que fez sua estreia no ano passado, após sua histórica indicação ao Oscar 2025.
Sabe o melhor? Também tivemos a presença da ILUSTRE Perna Cabeluda. Ser brasileiro (e nordestino) é bom demais!

Crédito: Iris Costa/g1
Lançamentos comerciais:
Neste mês, quis olhar com mais atenção para a quantidade, ou quer dizer, a escassez, de estreias nacionais nas telonas. Foram apenas cinco filmes brasileiros lançados comercialmente, sendo um deles uma coprodução e outro um relançamento (que fiquei felizão em ver São Paulo S.A. na telona).
05/02:
• (Des)controle (Rosane Svartman, Carol Minêm)
• Zafari (Mariana Rondón) - Coprodução
26/02:
• São Paulo Sociedade Anônima (Luiz Sergio Person) - Relançamento
• A Miss (Daniel Porto)
• É Tempo de Amoras (Anahí Borges)
O número representa uma queda considerável em relação a 2025, quando 13 filmes nacionais estrearam no mesmo período. Algumas coisas ajudam a explicar esse cenário, mas os dois fatores principais parecem claros:
Carnaval, nem tem o que discutir;
Os filmes desta temporada de premiações estão tendo um bom fôlego nas bilheterias, comprimindo a janela para o cinema brasileiro. Mas será que isso é realmente algo que devemos deixar passar? Certeza de que vamos voltar para esse debate muito em breve!

Crédito: Divulgação/Cinemascópio
Na primeira semana de fevereiro, também tivemos a Semana do Cinema, com ingressos entre R$ 10 e R$ 12... Mesmo com as estreias do dia 05/02 e após 14 semanas em cartaz, O Agente Secreto foi o único filme brasileiro a se manter entre os 10 títulos mais consumidos do período. O longa voltou ao Top 5 dos filmes mais assistidos no Brasil, segundo dados da Comscore, e foi visto por 202 mil espectadores nas salas de cinema apenas neste último fim de semana, chegando à marca de 2 milhões de espectadores do país. No fim de fevereiro, já havia passado de 2,4 milhões em público no país, se tornando o 3º maior filme nacional da década, atrás apenas dos fenômenos Ainda Estou Aqui (5.83M) e O Auto da Compadecida 2 (4.28M).
A campanha de O Agente Secreto pré-Oscar:
Falando em OAS, o início do mês foi muito bom para ele. Diversas sessões de Perguntas e Respostas, com presença de Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura, aconteceram em Los Angeles como parte da campanha do filme. Porém, o destaque mesmo, para mim, foi a força do representante brasileiro nas premiações de críticos que aconteceram.

O Agente Secreto foi o filme mais premiado do 23º International Cinephile Society (ICS) Awards, vencendo seis categorias.
- Melhor Filme
- Melhor Direção (Kleber Mendonça Filho)
- Melhor Ator (Wagner Moura)
- Melhor Roteiro
- Melhor Elenco
- Melhor Atriz Coadjuvante (Tania Maria)
Antes que digam que é porque deve ter muitos brasileiros no corpo de votantes... não, apenas 7 de mais de 160 membros. Cansei dessa história de que o filme possa estar sendo beneficiado por conta disso. Vejo muita gente dizendo que O Agente Secreto só venceu o Globo de Ouro por causa dos votantes brasileiros, e isso me parece muito mais uma tentativa de descredibilizar o momento. Mesmo que os brasileiros representem 9% do corpo de votantes, isso está longe de explicar uma vitória desse tamanho. O que custa aceitar que o filme foi abraçado? Uma matéria sobre a jornada de O Agente Secreto já está sendo escrita. Sai em breve.
Na mesma semana, Wagner Moura saiu premiado como Melhor Ator no Paris Film Critics Association Awards 2026. No Latino Entertainment Journalists Association (LEJA), O Agente Secreto saiu com dois prêmios: Melhor Ator (Wagner Moura) e Filme Internacional.

No mês, Wagner Moura seguiu sendo capa de algumas revistas ao redor do mundo: nos EUA, apareceu na The Envelope, revista do Los Angeles Times dedicada à temporada de premiações; no México, na M Revista do Milenio, precedendo a estreia do longa nos cinemas do país.
Mas, em termos de Oscar, algumas informações são primordiais:
O filme de Kleber Mendonça Filho finalmente fez sua estreia nos cinemas britânicos, alguns dias depois do BAFTA (que vou abordar mais para frente), indicando que o filme foi bem aceito por lá. Com US$ 560 mil arrecadados (somando com pré-estreias), torna-se a 2ª maior estreia da história para um filme brasileiro nos cinemas britânicos, superando Cidade de Deus. Além disso, o filme também teve a maior estreia de um título em língua não inglesa da história da distribuidora MUBI no país, superando até os US$ 339 mil do vencedor do BAFTA ‘Sentimental Value’. O resultado reacende o fôlego do longa no país, que poderia ter se perdido após a demora na estreia e a clara preferência da distribuidora MUBI pelo filme norueguês.
Com o início da votação final para o Oscar 2026, em 26 de fevereiro, O Agente Secreto é um dos destaques representando o Brasil em quatro categorias, e a NEON aparenta estar dando uma atenção especial. Nos últimos dias, vários teasers e pôsteres For Your Consideration divulgados pela distribuidora borbulharam na internet, dando a entender que ela pode ter mudado de ideia. Será que o brasileiro passou a ser o favorito da empresa? Tudo ainda é especulação, mas não vou mentir: estou curtindo demais tudo o que está sendo divulgado. Ah, sem esquecer que a NEON disponibilizou gratuitamente em seu site oficial quatro curtas de Kleber Mendonça Filho. Campanha linda!
Berlinale 2026:
O Festival de Berlim aconteceu bem no Carnaval, durante os dias 12 a 22 de fevereiro, e tivemos uma enxurrada de nomes brasileiros por lá. Confira todos os filmes brasileiros selecionados para a edição aqui.
Na análise abaixo, fiz um panorama bem completo sobre a situação do evento e as polêmicas que aconteceram:
Além dos filmes, a série original Globoplay Emergência 53 foi a grande vencedora da primeira edição do Production Excellence Award, o primeiro prêmio para séries da Berlinale Series Market. Era o único representante brasileiro e concorria contra outras 17 séries do mundo todo.
A trama acompanha o cotidiano e os desafios de profissionais que trabalham em uma unidade especial do serviço móvel de urgência. Yara de Novaes, Fernanda Montenegro, Valentina Herszage, Heloísa Jorge, Ana Hikari, Raquel Villar, William Nascimento, Jaffar Bambirra e Emilio de Mello compõem o elenco.

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Vencedores do Prêmio Abraccine – Melhores do Ano
Na noite do dia 5 de fevereiro, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) revelou suas listas de melhores filmes lançados em 2025. Confira os vencedores do ano:
Melhor Longa-Metragem Brasileiro:
O Agente Secreto (Kleber Mendonça Filho)

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Completam o top 10:
• Baby (Marcelo Caetano)
• Os Enforcados (Fernando Coimbra)
• O Filho de Mil Homens (Daniel Rezende)
• Homem com H (Esmir Filho)
• Kasa Branca (Luciano Vidigal)
• Manas (Mariana Brennand)
• A Natureza das Coisas Invisíveis (Rafaela Camelo)
• Oeste Outra Vez (Erico Rassi)
• O Último Azul (Gabriel Mascaro)
Deu a lógica, apesar de achar que talvez eles reconhecessem Oeste Outra Vez, já que foi um consenso crítico da qualidade do longa. Mas também não discordo do resultado. A trajetória de O Agente Secreto merece ser celebrada também dentro de casa.
Fiquei refletindo quais filmes poderiam aparecer aqui e acabaram ficando de fora, e dois vieram em minha mente. Então deixo como dica:
Ainda Não É Amanhã, da pernambucana Milena Times: Janaína, jovem de 18 anos que mora com a mãe e a avó na periferia de Recife e, ao conquistar a oportunidade de estudar Direito, vê sua vida transformada, mas precisa lidar com uma gravidez inesperada que desafia seus planos e o futuro da família.
A Praia do Fim do Mundo, do cearense Petrus Cariry: Em Ciarema, o avanço do mar destrói casas e desabriga famílias. Alice, uma jovem ambientalista, mora com Helena, sua mãe doente, em uma casa constantemente castigada pelas ressacas. Alice quer ir embora, Helena quer permanecer em frente ao mar. No fim, as duas vão enfrentar seus destinos.
Melhor Curta-Metragem Brasileiro:
A Arte de Morrer ou Marta Díptero Braquícero (Rodolpho de Barros)

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Completam o top 10:
• Boiuna (Adriana de Faria)
• Casulo (Aline Flores)
• Como Nasce um Rio (Luma Flôres)
• E Seu Corpo é Belo (Yuri Costa)
• O Faz-Tudo (Fábio Leal)
• Laudelina e a Felicidade Guerreira (Milena Manfredini)
• O Mapa em Que Estão meus Pés (Luciano Pedro Jr.)
• O Rio de Janeiro Continua Lindo (Felipe Casanova)
• Samba Infinito (Leonardo Martinelli)
Não sei como funciona a elegibilidade para a categoria de curta no Prêmio Abraccine, mas, dos que não apareceram, recomendo esses dois filmes baianos, que merecem atenção e que, inclusive, foram os vencedores da categoria de Melhor Curta-Metragem no nosso Prêmio Arara do Audiovisual Brasileiro 2025:
O Céu Não Sabe Meu Nome, de Carol Aó: Uma neta ressignifica a morte de sua mais velha através das memórias antes não ditas.
Ataques Psicotrônicos, de Calebe Lopes: O filme acompanha a noite de um ex-pastor e de uma cientista em busca de solucionar um zumbido que atormenta a mente de Erick.
Melhor Longa-Metragem Internacional:
Uma Batalha Após a Outra (Paul Thomas Anderson)
Completam o top 10:
• Dreams (Dag Johan Haugerud)
• Foi Apenas um Acidente (Jafar Panahi)
• Levados pelas Marés (Jia Zhang-Ke)
• The Mastermind (Kelly Reichardt)
• Misericórdia (Alain Guiraudie)
• Pecadores (Ryan Coogler)
• A Semente do Fruto Sagrado (Mohammad Rasoulof)
• Sorry, Baby (Eva Victor)
• Valor Sentimental (Joachim Trier)
Mas nosso cinema não para por aí...
SXSW 2026:

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Na nova leva de filmes confirmados na edição deste ano do South By Southwest (SXSW) 2026, dois filmes brasileiros apareceram na lista: Corrida dos Bichos e Apolo.
O documentário brasileiro Apolo, dirigido por Tainá Müller e pela sergipana Isis Broken, acompanha a jornada de uma família onde o pai está dando à luz e a sociedade não está preparada para isso. Enquanto acompanhamos a gestação de Apolo, refletimos sobre os diferentes dramas de um casal transgênero.
Já Corrida dos Bichos, com direção de Ernesto Solis, Rodrigo Pesavento e Fernando Meirelles, é ambientada em um Rio de Janeiro distópico, onde o mar secou e a paisagem da cidade ganhou outra configuração. Dentro da nova realidade, um dos maiores entretenimentos da cidade é a Corrida dos Bichos, em que apostadores magnatas controlam pessoas de classes baixas, os Bichos, durante uma corrida em busca de um prêmio milionário. O filme acompanha um jovem corajoso na luta para salvar a vida de sua irmã. Matheus Abreu, Rodrigo Santoro, Isis Valverde, Anitta, Bruno Gagliasso, Grazi Massafera, Seu Jorge, Thainá Duarte, João Guilherme e Silvero Pereira estrelam.
Goya 2026:
Manas, de Marianna Brennand, concorreu ao prêmio de Melhor Filme Ibero-americano na premiação espanhola. O filme concorre com Belén 🇦🇷, La Misteriosa Mirada Del Flamenco 🇨🇱, La Piel Del Agua 🇨🇷 e Un Poeta 🇨🇴.

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Natália Maia e sua A Estranha Familiar:
O filme que marca a estreia na direção de longas de Natália Maia, premiada corroteirista de 'Pacarrete', A Estranha Familiar, foi filmado no Ceará.
Na trama, uma mulher retorna à sua cidade natal, no interior, para assumir o cargo de primeira juíza do lugar. Lá, ela se vê no centro de um conflito entre sua irmã, uma radialista que desafia poderosos, e a família da prefeita, com quem tem uma dívida de gratidão.
E pense num elenco sensacional?Georgina Castro, Geane Albuquerque, Fátima Macêdo, Nataly Rocha, Dipas, Ana Luiza Rios, David Santos, Demick Lopes, Robério Diógenes e Buda Lira participam.
Novo filme estrelado por Selton Mello:
Selton Mello estrelará o drama 'I Don’t Even Know Who I Was', de João Paulo Miranda Maria (Casa de Antiguidades).
Atualmente filmada em Paris em película 35mm, o filme foi descrito como "uma meditação sobre o luto" e exige que o ator brasileiro atue em quatro idiomas diferentes.
Estreia de O Quarto do Pânico direto no streaming

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A adaptação brasileira do longa original Panic Room, dirigido por David Fincher, estreou no Telecine Premium no sábado, dia 14 de fevereiro. Com direção de Gabriela Amaral Almeida, cineasta responsável por filmes como O Animal Cordial e A Sombra do Pai, que gosto bastante, O Quarto do Pânico é estrelado por Isis Valverde e Marco Pigossi e segue uma mulher e sua filha pré-adolescente sendo obrigadas a se refugiarem em um quarto secreto quando ladrões invadem sua residência.
Não vou entrar aqui no mérito da qualidade do filme, mas sim no modelo de produção. Produzido pela Floresta, o longa foi lançado diretamente no catálogo do streaming, um formato que já existia com o VOD, mas que vem se tornando cada vez mais comum no Brasil em produções que você imaginava que seriam lançadas diretamente no cinema. Nosso cinema está sendo absorvido pelo streaming e perdendo nosso espaço nas salas de projeção?
Gosto muito de uma fala do diretor Kleber Mendonça Filho sobre isso:
"O streaming é uma nova e espetacular forma de ver filmes, mas o streaming não pode ter o poder de acabar com a cultura da sala de cinema. São os cinemas que constroem o caráter e a história de um filme".
Elizabeth Teixeira eternizada

O assentamento Elizabeth Teixeira foi inaugurado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) no dia 5 de fevereiro, na Paraíba, em homenagem à militante das Ligas Camponesas na luta pela reforma agrária.
Teixeira foi tema do excelente documentário Cabra Marcado para Morrer, uma das obras-primas de Eduardo Coutinho. Nele, o diretor busca por Elizabeth Teixeira, que vivia escondida e separada dos filhos após o assassinato de seu marido, João Pedro Teixeira, líder do movimento.
Cabra Marcado para Morrer está disponível no Globoplay.
Premiações e Bastidores: O termômetro para o Oscar

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Em fevereiro, aconteceu o tradicional almoço da Academia para os indicados ao Oscar. Como neste ano estivemos uma chuva de brasileiros, Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura, Gabriel Domingues, Emilie Lesclaux e Adolpho Veloso estiveram presentes. E nos encheram de fotos do evento, como a gente gosta.
BAFTA 2026:
Na tarde de domingo, dia 22 de fevereiro, a Academia Britânica de Cinema e Televisão (BAFTA) entregou os prêmios da edição de 2026 do BAFTA, que, em muitas categorias, funciona como a principal premiação pré-Oscar, servindo como importante termômetro de tendências e previsões. Ambas as premiações são votadas por profissionais da indústria, e muitos membros do BAFTA também integram a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), responsável pelo Oscar, criando uma amostragem relevante de como os votantes britânicos presentes na Academia norte-americana podem se posicionar por lá.
Com seis vitórias ao todo, Uma Batalha Após a Outra foi o grande vencedor do dia e consolida seu favoritismo como o “filme a ser batido”, embora a noite também tenha trazido algumas baixas e surpresas em outras categorias. Vamos a alguns pontos:
Paul Thomas Anderson é inevitável

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Não há como não falar da dominância impressionante de Paul Thomas Anderson e seu Uma Batalha Após a Outra. O cineasta segue mostrando que este é, definitivamente, o seu grande ano, e merecido. Após várias temporadas de premiações batendo na porta, desta vez ele a escancarou e caminha para conquistar seu primeiro Oscar, após se tornar um dos poucos diretores com mais de dez indicações sem nunca ter vencido nenhum.
Ele já havia sido indicado a Melhor Direção por Sangue Negro (2007), Trama Fantasma (2017) e Licorice Pizza (2021). Agora, com seu novo longa, finalmente consegue sua merecida vitrine: conquistou seu primeiro BAFTA, venceu também o prêmio do Directors Guild of America e, ao que tudo indica, está prestes a completar a trinca com a estatueta da Academia. A esta altura, parece inevitável, tanto em Direção, quanto em Roteiro Adaptado.
Do lado das surpresas...
Pecadores é tido como o grande e provável vencedor da categoria no Oscar, com Autumn Durald Arkapaw, a primeira mulher negra indicada na categoria, vencendo mais de 30 prêmios pelo seu trabalho. Caso confirme o favoritismo, ela também se tornará a primeira mulher a vencer a categoria em 96 anos de história. Ainda assim, o resultado já não parece tão garantido quanto antes.

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Se já havia uma disputa consistente com o brasileiro Adolpho Veloso e seu queridinho da crítica Sonhos de Trem, agora o BAFTA recoloca Michael Bauman na corrida ao entregar o prêmio de Melhor Fotografia para o longa vencedor da noite, embaralhando novamente o cenário e tornando a disputa mais aberta do que parecia semanas atrás. Do jeito que gosto, rs. Mas, claro, adoraria ter visto o Adolpho subindo no palco e arranhando um pouco de português.
O Agente Secreto x Valor Sentimental
Não era surpresa alguma que Valor Sentimental era o grande favorito de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, afinal, foi indicado em seis categorias e foi o único título distribuído pela MUBI com campanha massiva. Ainda assim, a noite não foi tão boa quanto eles esperavam, já que o longa saiu com apenas um prêmio.
O filme de Joachim Trier tinha boas chances em algumas categorias, especialmente nas de atuações coadjuvantes, com Stellan Skarsgård e Inga Ibsdotter Lilleaas. No saldo geral, vejo como um resultado abaixo do esperado, considerando toda a força da campanha, parecia quase uma obrigação levar ao menos o prêmio internacional. A briga se mantém e vai para o tudo ou nada, onde realmente interessa: o Oscar. Pelo menos dá uma emoção extra.
Confira alguns dos vencedores da edição deste ano:
Melhor Filme: One Battle After Another
Melhor Direção: Paul Thomas Anderson (One Battle After Another)
Melhor Ator: Robert Aramayo (I Swear)
Melhor Atriz: Jessie Buckley (Hamnet)
Melhor Ator Coadjuvante: Sean Penn (One Battle After Another)
Melhor Atriz Coadjuvante: Wunmi Mosaku (Sinners)
Melhor Filme Britânico: Hamnet
Melhor Filme em Língua Não-Inglesa: Sentimental Value
Melhor Roteiro Original: Sinners
Melhor Roteiro Adaptado: One Battle After Another (Paul Thomas Anderson)
The Actor Awards (ex-SAG):
O prêmio do Sindicato dos Atores, agora intitulado The Actor Awards, aconteceu no domingo (01) e trouxe até que uma boa dose de “surpresas”. Surpresas entre aspas, porque eu já vinha cantando essa bola há um tempo. Inclusive, para quem se interessa, acertei 6/6 este ano nas categorias de cinema, hein?
Era aqui que Pecadores poderia conquistar seus principais prêmios da indústria e balançar ainda mais a corrida para o Oscar. O filme de Ryan Coogler venceu como Melhor Elenco em Filme e Melhor Ator em Filme (Michael B. Jordan), duas vitórias muito discutidas nas últimas semanas. Afinal, na categoria principal, tínhamos Uma Batalha Após a Outra vencendo praticamente todas as grandes premiações (e que também tem um elenco grandioso) e, na de atuação masculina, uma disputa aberta em quatro frentes.
De forma geral, o grande “perdedor” da noite não foi o filme de Paul Thomas Anderson, e sim Timothée Chalamet. Também era amplamente discutido o fato de que ele venceu o prêmio no ano passado e havia dúvidas se conseguiria repetir o feito, o que seria algo inédito na premiação. Agora, o protagonista de Marty Supreme não tem um BAFTA nem um Actor Awards para sustentar sua campanha ao Oscar. Temos uma corrida pessoal!
E digo mais: Wagner Moura e nosso O Agente Secreto seguem vivos na disputa!
Confira todos os vencedores aqui:
• Melhor Elenco em Filme: Sinners
• Melhor Atriz (Cinema): Jessie Buckley (Hamnet)
• Melhor Ator (Cinema): Michael B. Jordan (Sinners)
• Melhor Atriz Coadjuvante (Cinema): Amy Madigan (Weapons)
• Melhor Ator Coadjuvante (Cinema): Sean Penn (One Battle After Another)
• Melhor Equipe de Dublês em Filme: Mission: Impossible - The Final Reckoning
• Melhor Elenco em Série de Drama: The Pitt
• Melhor Atriz em Série de Drama: Keri Russell (The Diplomat)
• Melhor Ator em Série de Drama: Noah Wyle (The Pitt)
• Melhor Elenco em Série de Comédia: The Studio
• Melhor Atriz em Série de Comédia: Catherine O’Hara (The Studio)
• Melhor Ator em Série de Comédia: Seth Rogen (The Studio)
• Melhor Atriz em Telefilme ou Minissérie: Michelle Williams (Dying for Sex)
• Melhor Ator em Telefilme ou Minissérie: Owen Cooper (Adolescence)
• Melhor Equipe de Dublês em Série de TV: The Last of Us
Sindicato dos Diretores (DGA):

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E quem venceu como Melhor Direção em Filme no DGA (Directors Guild of America) Awards 2026, principal prévia da categoria no Oscar, foi… Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra). Completamente previsível e esperado. Até que enfim chegou o ano de PTA rapar todos esses prêmios. Merecido!
Na categoria de Melhor Direção de Estreia, Charlie Polinger (The Plague) foi o grande vencedor, desbancando a favorita dos críticos Eva Victor (Sorry, Baby).
Nas categorias de televisão, os vencedores foram…
• Direção em Série de Drama: Amanda Marsalis (The Pitt - “6:00 PM”)
• Direção em Série de Comédia: Seth Rogen e Evan Goldberg (O Estúdio - “The Oner”)
• Direção em Série Limitada: Shannon Murphy (Dying for Sex - “It’s Not That Serious”)
Protagonismo feminino atinge menor nível em 7 anos em Hollywood

Um estudo da USC Annenberg Inclusion Initiative revelou que 2025 registrou o menor número de protagonistas femininas entre os grandes lançamentos em sete anos: apenas 39 dos 100 filmes de maior bilheteria tiveram mulheres em papéis principais. Outro ponto que achei curioso do relatório é o fato de que uma possível fusão entre a Paramount e Warner Bros. (que, no momento, parece pender mais para uma aquisição pela Netflix) seria “altamente prejudicial”, já que as duas estão entre os estúdios com pior desempenho em representatividade feminina e racial.
“Esses dados indicam claramente o que uma fusão com a Warner Bros. significaria. Uma fusão entre a Paramount e a Warner Bros. oferece pouca esperança de uma programação de filmes que apresente mulheres e pessoas de cor em papéis principais significativos, condizentes com a população. Uma fusão entre a Netflix e a Warner Bros. resultaria em mais filmes com mulheres e pessoas de cor como protagonistas”, descreve o estudo.
Algumas notícias no mundo do cinema que quero que você saiba:

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• A Neon adquiriu os direitos de distribuição de All Of A Sudden, o novo filme de Ryusuke Hamaguch (Drive My Car), nos Estados Unidos. O projeto ainda conta com Virginie Efira e Tao Okamoto no elenco. Cannes? Sem dúvidas! Vem mais uma Palma de Ouro para a distribuidora aí.

• O cineasta sul-coreano Park Chan-Wook foi anunciado como o presidente do júri do Festival de Cannes 2026. Vem edição histórica aí!
• Aclamado no Festival de Sundance, Josephine, dirigido pela brasileira-estadunidense Beth de Araújo, foi adquirido pela Sumerian Pictures nos EUA.
Do ponto de vista da temporada de premiações de 2026/27, que aparentava ser o grande concorrente saído de Sundance, foi um passo arriscado, já que é uma nova distribuidora e não tem histórico quanto ao Oscar, mas não quero queimar a língua. Aparentemente foi um acordo caro, então eles têm dinheiro para gastar. Vamos descobrir em breve se o momentum se mantém.
Sériemania

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Podemos, de uma vez, voltar a ter séries lançadas anualmente?
Ninguém aguenta mais essa “nova” tendência de esperar 2 ou até 3 anos para o retorno de uma série de apenas 10 episódios. Quem reacendeu esse debate foi Vince Gilligan, criador de Pluribus, ao comentar em entrevista sobre o ritmo de produção da série:
"Estamos trabalhando duro. Leva muito tempo para criar esses episódios. Estamos mais avançados no processo do que eu gostaria, considerando o número reduzido de episódios que definimos. Mas leva tempo, assim como aconteceu na primeira temporada... Mas não vai ser como 'The Pitt', voltando todo ano. Eu gostaria que fosse, mas não será. Voltaremos no mesmo mês. A questão é descobrir em que ano."
Eu amei a primeira temporada de 'Pluribus', e amo o trabalho do Gilligan. Mas sigo sem comprar essas justificativas. Não entendo essas desculpas. Sei que indústrias mudam, e tudo mais. Mas... Enfim.
Também tivemos a notícia de que a A24 conseguiu os direitos da franquia O Massacre da Serra Elétrica e está desenvolvendo uma série de TV, com produção executiva de JT Mollner, Glen Powell e Roy Lee. Um filme também está em estágios iniciais de desenvolvimento.
Outro assunto que acho que merece a nossa atenção é que Danielle Deadwyler foi anunciada como a protagonista do reboot de Arquivo X, realizado pelo futuro vencedor do Oscar Ryan Coogler. Achava necessário? Não, mas se for pra ter, que seja com esses nomes envolvidos. Estou na expectativa!
E Industry, hein? A queridinha do OP foi renovada para sua quinta e última temporada. Quem ainda não assiste tá perdendo uma das melhores séries da atualidade.
Falando em HBO, o canal começou as filmagens da série First Day On Earth, criada por Michaela Coel, que também estrela ao lado de Ncuti Gatwa e Thandiwe Newton. Série mais esperada de 2027 por aqui!

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Para ficar de olho (versão nacional):
Foi divulgado o teaser oficial de Brasil 70 – A Saga do Tri, minissérie da Netflix sobre o tricampeonato da seleção brasileira. Estreia em 29 de maio.
Detalhes de Hilda Furacão: Foram revelados novos detalhes sobre a nova adaptação de "Hilda Furacão" pela Boutique Filmes, que terá entre 12 e 15 episódios e roteiro de Manuela Cantuária.
A escritora Socorro Acioli acaba de confirmar que o ator Antônio Pitanga entrou para o elenco da adaptação do livro 'A Cabeça do Santo'. A trama conta a história de um jovem que descobre possuir o fantástico dom de ouvir as preces das mulheres para santo Antônio.

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Notícias extras:

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• As gravações da 2ª temporada de Xógum: A Gloriosa Saga do Japão começaram oficialmente, enquanto a da última temporada de Hacks terminou.
• A produtora Fifth Studios vendeu os direitos da série Ruptura para o Apple Studios por uma bolada de US$ 70M. Segundo a matéria, a expectativa é que, com isso, a série dure ao menos quatro temporadas e possua spin-offs.
Em Memória

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Infelizmente, o mês também foi de despedidas. Perdemos algumas figuras conhecidas da televisão estadunidense. Aos 48 anos, James Van Der Beek, o eterno Dawson de ‘Dawson’s Creek’, e, aos 53 anos, Eric Dane, o eterno Mark Sloan. Que descansem em paz.
Tudo isso, claro, foi noticiado e acompanhado em tempo real no Oxente Pipoca, desde os anúncios até as estreias. Se você quer ficar por dentro de tudo, já sabe onde acompanhar.
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