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Resultados da busca por "Mostra SP 2026"

928 resultados encontrados para "Mostra SP 2026"

  • Filmes brasileiros que devem estrear nos cinemas em 2026

    em constante atualização com os longas nacionais que devem movimentar os cinemas e os festivais em 2026 extensa de longas brasileiros que devem estrear (ou pelo menos esperamos) em circuito comercial em 2026 exibições em festivais no fim do ano passado, mas devem estrear oficialmente nos cinemas apenas em 2026 Lázaro Ramos, Teca Pereira, Yuri Gomes e Carlos Francisco estrelam. • Doutor Monstro (Marcos Jorge) O não perder notícias de nenhum desses, basta acompanhar o Oxente Pipoca no site e nas redes sociais. 2026

  • Crítica | Razão e Sensibilidade (2026)

    Nova adaptação do clássico de Jane Austen aposta no sensível para revisitar dilemas amorosos e sociais que continuam atuais mais de 200 anos depois de sua publicação. Imagem: Divulgação ❝Por mais fascinante que seja a ideia de um único e constante amor e apesar de tudo que se possa dizer sobre a felicidade de alguém depender completamente de uma pessoa determinada, as coisas não devem ser assim, nem é adequado ou possível que o sejam.❞ Mais de dois séculos depois da publicação de Razão e Sensibilidade, em 1811, Jane Austen continua encontrando novas formas de conversar com o público. As adaptações de suas obras para o cinema e a televisão atravessam gerações justamente porque seus textos tratam de questões que permanecem atuais: as expectativas impostas às mulheres, as convenções sociais, a busca por autonomia e as contradições dos relacionamentos amorosos. Uma nova adaptação do clássico, dirigida por Georgia Oakley, chega aos cinemas brasileiros em 29 de outubro, reafirmando a permanência das histórias da escritora britânica. Seja na Inglaterra do período da Regência, em que Austen ambientou tantas de suas histórias, seja na contemporaneidade, seus personagens continuam despertando identificação porque os conflitos que enfrentam vão além de seu contexto histórico. O amor, a pressão para corresponder às expectativas alheias e a dificuldade de conciliar sentimentos e escolhas individuais não desapareceram com o passar dos séculos. É nessa permanência que a nova adaptação de Razão e Sensibilidade encontra sua força. A trama acompanha as irmãs Elinor e Marianne Dashwood, que, após a morte do pai, perdem a casa e enfrentam dificuldades financeiras ao lado da mãe e da irmã mais nova. Ao se mudarem para uma propriedade distante, elas também precisam lidar com as limitações sociais que afetam suas perspectivas de futuro e de casamento. Enquanto Elinor procura agir com prudência e manter os sentimentos sob controle, Marianne se entrega à intensidade das emoções e acredita na força do amor romântico. O contraste entre as duas conduz a narrativa e dá forma ao conflito central da história. Com uma direção sensível, Georgia Oakley demonstra compreender o material que tem em mãos. O roteiro respeita o texto de Austen e preserva as particularidades das protagonistas, sem transformar a oposição entre razão e sensibilidade em uma disputa simplista entre certo e errado. A adaptação entende que o amadurecimento das irmãs passa justamente pelo modo como cada uma precisa lidar com as próprias convicções, vulnerabilidades e expectativas. É possível que parte do público considere a narrativa lenta em determinados momentos. Ainda assim, o ritmo parece coerente com a proposta do filme, que privilegia o desenvolvimento das relações, os silêncios e os conflitos internos das personagens. Em vez de acelerar os acontecimentos para adequá-los a uma dinâmica mais imediata, a produção respeita o tempo necessário para que os sentimentos se construam e as tensões sociais sejam percebidas. É uma escolha que pode não funcionar para todos, mas demonstra compreensão sobre o que está sendo adaptado. As atuações também estão entre os pontos altos da produção, especialmente as de Daisy Edgar-Jones, como Elinor, e Esmé Creed-Miles, como Marianne. As atrizes constroem protagonistas distintas sem reduzi-las a estereótipos: enquanto a contenção de Elinor revela o esforço constante para não deixar transparecer o que sente, a expressividade de Marianne evidencia a dificuldade de esconder suas emoções. A dinâmica entre as duas sustenta boa parte do interesse da narrativa e reforça a importância do vínculo entre irmãs em meio às incertezas amorosas e financeiras. Imagem: Divulgação Um dos aspectos que prejudicam a experiência, porém, é a fotografia escura, que incomoda em determinados momentos da trama. Embora a estética contribua para a atmosfera de época, algumas cenas perdem legibilidade, tornando difícil apreciar plenamente os detalhes visuais. É um problema pontual, mas que afeta a imersão em uma produção cujo cuidado com a ambientação tem papel importante. No fim, Razão e Sensibilidade reafirma a capacidade de Jane Austen de criar histórias que continuam ressoando muito tempo depois de escritas. A autora não se limita a narrar romances ou a acompanhar a busca de suas protagonistas por um casamento: ela observa as estruturas sociais que condicionam suas escolhas e questiona o lugar reservado às mulheres dentro delas. Por isso, suas histórias seguem encontrando novas plateias, mesmo quando os costumes e os cenários mudam. A oposição entre Elinor e Marianne também permanece relevante porque nenhuma das duas oferece, isoladamente, uma resposta definitiva sobre como viver. A razão pode funcionar como proteção, mas também exigir que sentimentos sejam reprimidos; a sensibilidade permite reconhecer os próprios desejos, mas pode tornar as decepções mais dolorosas. Ao acompanhar as irmãs, o filme sugere que talvez seja necessário encontrar um equilíbrio entre essas duas dimensões, sem abrir mão da individualidade. Afinal, como lembra uma das frases mais famosas do livro, a felicidade não deve depender inteiramente de uma única pessoa. Em uma sociedade que ainda associa tantas vezes a realização feminina ao amor romântico, essa ideia continua tendo algo a dizer. Mais do que uma história de época, Razão e Sensibilidade é um lembrete de que as obras de Austen permanecem vivas porque suas perguntas sobre amor, liberdade e autonomia ainda não perderam a relevância. Nota: 4,5/5

  • Crítica | Resident Evil (2026)

    Em um universo povoado por monstros, zumbis e experimentos científicos fora de controle, seu personagem

  • Crítica | Frankie e os Monstros

    requenta alegorias para abordar temas como aceitação e codependência Foto: Reprodução Frankie e os Monstros laboratório no topo do castelo Grotteskew, o cientista louco faz testes para criar o seu mais novo monstro Stitch obedece a todas as ordens de seu mestre, mas é sempre rejeitado e pouco reconhecido, nunca recebendo O jovem divide seu tempo entre cuidar e manter o castelo seguro e deixar os outros monstros escondidos Frankie e os Monstros (2025) é uma produção europeia dirigida por Steve Hudson e baseada nos graphic

  • Crítica | Salón de Belleza (Festival de Veneza 2026)

    Apesar de uma fotografia competente, o longa de Nathalia Acevedo traz uma narrativa complexa e sem sentido Divulgação Nos primeiros momentos, a premissa de transformar um espaço dedicado à beleza e ao bem-estar em um lugar que lida com a morte é, no mínimo, intrigante. Sendo ainda uma coprodução entre México e França, seria possível esperar que o encontro entre diferentes tradições cinematográficas trouxesse um impacto significativo. Infelizmente, a combinação entre o olhar latino-americano e a experiência europeia nem sempre resulta em uma obra impactante. Em Salón de Belleza, o potencial da premissa parece, na maior parte do tempo, mais do que aquilo que o filme efetivamente consegue desenvolver. Em uma cidade que nunca é nomeada, um salão de beleza se transforma em um espaço de passagem para pessoas marcadas pelo abandono, onde beleza e morte passam a coexistir. No centro desse lugar está o Individuo, uma figura solitária que cuida do espaço enquanto testemunha a chegada e o desaparecimento daqueles que o atravessam. Entre rituais, lembranças e visões, o filme dissolve as fronteiras entre presente e passado, realidade e imaginação, transformando o salão em um território suspenso. Em uma sequência que parece interminável, nas profundezas de um aquário, o longa apresenta um personagem que nunca é nomeado, assim como a própria cidade onde a história se passa. Desde os primeiros momentos, fica evidente que há diferentes camadas em sua construção, fazendo com que o espectador tente compreender de onde partem suas motivações e o que o mantém preso àquele ambiente. O problema é que essas causas raramente são aprofundadas. A diretora introduz questões relacionadas à sexualidade e à maneira como o protagonista parece estar aprisionado por elas, mas as aborda de forma tão superficial que, ao final, pouco reverberam. O que inicialmente surge como uma dimensão importante para compreender o personagem termina sem força suficiente para se tornar, de fato, uma questão narrativa convincente. Questões relacionadas à desigualdade mexicana também vêm à tona e estão entre os pontos mais fortes do longa, ainda que sejam abordadas de maneira superficial. Revoltas populares, pessoas em situação de vulnerabilidade e minorias que passam pela falta de acolhimento e de espaços onde possam existir de fato. São questões que levam ao próprio espaço que dá nome ao longa, transformando o salão em um reflexo, ainda que fragmentado, das tensões que existem do lado de fora. Divulgação Outro ponto de destaque é a fotografia, profunda e carregada de textura, que encontra nos primeiros planos alguns de seus momentos mais fortes. O silêncio também ocupa um lugar central na narrativa. Mesmo quando a ausência de explicações pode afastar o espectador, a falta de diálogos funciona como uma extensão dos sentimentos do protagonista e das pessoas que estão ao redor. Mais do que explicar o que acontece, o filme usa a falta de diálogo como uma demonstração dos sentimentos dos protagonistas, e as sensações daqueles que tiveram um fim ao seu lado. A montagem, infelizmente, não acompanha a mesma força. As cenas transitam entre presente e passado e são intercaladas por momentos submersos, reforçando uma espécie de fixação do filme pelos espaços aquáticos, sobretudo pelo aquário, que ocupa um lugar na trajetória do protagonista. Embora essa escolha visual desperte curiosidade desde a primeira cena, é apenas próximo ao final que seu significado começa a se revelar. A demora em estabelecer essa conexão, junto aos fragmentos sem sentido, acaba tornando a narrativa confusa em vez de instigante, fazendo com que algumas das escolhas mais interessantes do longa pareçam menos orgânicas do que poderiam ser. No fim, Salón de Belleza é mais um filme com uma premissa e uma estética interessantes, mas que não consegue transformar seu potencial em uma experiência narrativa igualmente potente. Sem dúvidas a escolha de transformar um salão de beleza em um espaço entre a vida e a morte, assim como na tentativa de aproximar questões de sexualidade, desigualdade e vulnerabilidade de uma narrativa tão abstrata é uma escolha interessante. A fotografia e o uso do silêncio resultaram em momentos bonitos mas não são suficientes para compensar uma montagem que frequentemente dificulta a compreensão de personagens cujas motivações permanecem pouco exploradas. O filme termina deixando mais perguntas do que respostas, o que não seria necessariamente um problema, se suas perguntas encontrassem maior força ao longo do caminho. Nota: 2/5

  • Crítica | All of a Sudden (TIFF 2026)

    Ryusuke Hamaguchi transforma uma longa conversa sobre capitalismo, cuidado e morte em uma emocionante reflexão sobre a importância das relações humanas. Divulgação Depois de passar horas sentado em uma sala de cinema, assistindo a filmes que parecem disputar quem consegue ser mais barulhento, chocante ou grandioso, entrar em uma sessão de All of a Sudden é quase como diminuir o volume do mundo. Durante 196 minutos, Ryusuke Hamaguchi pede apenas que sentemos e escutemos seus personagens conversarem. E, apesar da duração, é impressionante como o tempo passa quando encontramos alguém disposto a realmente nos ouvir. O filme acompanha Marie-Lou (Virginie Efira), responsável por uma instituição para idosos nos arredores de Paris. Tentando melhorar a qualidade de vida dos pacientes, ela busca implementar uma técnica de cuidado conhecida como “Humanitude”, mas encontra resistência dos funcionários e das limitações financeiras impostas pela administração. Em um lugar criado para cuidar de pessoas em seus últimos anos de vida, o dinheiro acaba se tornando uma das maiores barreiras para oferecer dignidade. É nesse ambiente que Marie-Lou conhece Mari (Tao Okamoto), uma dramaturga japonesa que está em Paris para apresentar uma peça e que também enfrenta uma doença terminal. O encontro entre as duas rapidamente se transforma em uma amizade inesperada. Caminhando pelas ruas durante a noite, elas conversam sobre suas vidas, seus medos e, eventualmente, sobre questões muito maiores do que elas mesmas. A partir dessa relação, Hamaguchi constrói uma narrativa que parece estar constantemente procurando uma resposta para uma pergunta simples: como podemos cuidar uns dos outros? Assim como em Drive My Car, o diretor demonstra uma enorme confiança no poder dos diálogos. Aqui, ele leva essa característica ainda mais longe. Grande parte do filme é composta por personagens conversando, explicando suas ideias e tentando entender o mundo ao redor. Em determinado momento, inclusive, um personagem pega um quadro branco para explicar literalmente como o capitalismo funciona. É uma cena que poderia facilmente transformar o filme em uma palestra de quase três horas, mas Hamaguchi consegue encontrar humor e humanidade mesmo nos momentos mais discursivos. O aspecto mais interessante da obra é justamente a maneira como esses grandes temas são apresentados através de relações pessoais. O problema do capitalismo não está apenas em uma teoria explicada em um quadro branco, mas na maneira como ele interfere na vida dessas pessoas. Uma instituição que deveria priorizar seus pacientes precisa se preocupar com orçamento. Uma mulher que está morrendo precisa continuar trabalhando. E duas desconhecidas encontram, em uma longa conversa durante a noite, um tipo de conforto que nenhuma estrutura institucional consegue oferecer. Visualmente, o filme acompanha essa proposta. Hamaguchi não procura transformar Paris em um cartão-postal, mas utiliza seus espaços e principalmente a natureza para criar momentos de tranquilidade. As caminhadas de Marie-Lou e Mari lembram, em alguns momentos, comédias românticas que se passam na França, mas aqui não existe necessariamente uma história de amor. Existe algo igualmente poderoso: duas pessoas encontrando uma conexão profunda em um momento inesperado de suas vidas. E é justamente nessas pequenas interações que o filme mais me conquistou. Uma conversa, um gesto de carinho, uma cena envolvendo bonecos de dedo ou até uma sequência aparentemente simples de cuidado físico conseguem transmitir mais emoção do que os grandes discursos. Hamaguchi parece acreditar que a empatia também pode ser uma forma de resistência. Apesar disso, nem tudo funciona perfeitamente. Com 196 minutos, All of a Sudden exige bastante do espectador. Algumas das discussões filosóficas acabam se prolongando mais do que deveriam, e há momentos em que a narrativa parece perder o ritmo construído entre Marie-Lou e Mari. Para quem não tem paciência para filmes essencialmente baseados em diálogos, a experiência pode ser especialmente desafiadora. Ainda assim, o filme nunca deixa de ser interessante porque Hamaguchi entende que seu maior trunfo não está nas respostas que oferece, mas nas perguntas que seus personagens fazem. Em vez de transformar a discussão sobre envelhecimento, morte e capitalismo em algo puramente pessimista, ele encontra espaço para falar sobre amizade, compaixão e a capacidade que temos de cuidar uns dos outros. O mais bonito de All of a Sudden é que, depois de quase três horas e vinte minutos, o filme não termina com uma grande conclusão sobre como consertar a sociedade. Ele termina com a ideia de que talvez ainda exista esperança enquanto continuarmos cuidando uns dos outros. Apesar de sua duração e de alguns momentos excessivamente discursivos, All of a Sudden é um drama delicado e profundamente humano, sustentado pelas excelentes atuações de Virginie Efira e Tao Okamoto e pela sensibilidade de Hamaguchi. Um filme que começa falando sobre instituições, capitalismo e morte, mas que, no fim, está muito mais interessado em falar sobre pessoas. Nota: 4/5

  • Crítica | Fernanda (Festival do Rio 2026)

    boa parte de sua duração à relação da atriz com as câmeras, ao acompanhar os bastidores de Vitória (2025 ), drama dirigido por Andrucha Waddington, e Velhos Bandidos (2026), comédia de Cláudio Torres, e dos

  • Crítica | Medley (Festival do Rio 2026)

    Visto no Festival do Rio 2026, Medley encontra na trajetória de sua protagonista uma maneira delicada Com estreia nos cinemas brasileiros marcada para 29 de outubro de 2026, o longa tem potencial para dialogar

  • O Brasil tem um nome para o Oscar 2026: e é O Agente Secreto

    especulações sobre a possibilidade de uma surpresa na escolha do representante brasileiro para o Oscar 2026 Mas é de conhecimento geral que O Agente Secreto é o grande nome do cinema brasileiro em 2025.

  • Crítica | Santo (Festival do Rio 2026)

    Narrativa intensa e carregada de sentimento é ilustrada com requinte visual cheio de texturas, e elenco vibrante. Imagem: Divulgação Um acidente de trânsito aproxima dois jovens entregadores em São Paulo. Yuri (Pedro Tófani), descolado e provocativo, e Davi (João Pedro Mariano), um evangélico trabalhador, se costuram entre os extremos da religião e da liberdade que a rua traz. Em um curta-metragem, mais do que em qualquer outro tipo de produto audiovisual, cada segundo é caríssimo. Por isso, o apelo visual precisa ser tão instigante quanto a história que se pretende contar, sem depender exclusivamente do texto para conduzir o espectador. Em “Santo”, porém, imagem e palavra caminham juntas. A narrativa estrutura um universo visual cheio de personalidade, no qual as texturas, as cores e os enquadramentos não servem apenas de ornamento, mas ajudam a dar forma aos sentimentos e às contradições dos protagonistas. A escolha por filmar em película Kodak 16 mm acrescenta organicidade a essa construção, com uma paleta de tons claros e cores tórridas, cuidadosamente desenhadas. Há uma materialidade nas imagens que aproxima o espectador daquele universo e torna a experiência diegética ainda mais sensorial. No roteiro, a religião permeia a narrativa e orienta a maneira como Davi enxerga o mundo, até culminar em um apocalipse que encerra a vida dos personagens como eles a conhecem. Não por acaso, o final também funciona como começo dessa história, ou pelo menos de um novo momento. O fim dos tempos chegou e, seja de maneira metafórica ou não, representa tanto uma ruptura quanto a possibilidade de um novo início. João Pedro Mariano é um dos nomes em ascensão no cinema brasileiro e vem construindo, em pouco tempo, uma filmografia variada e marcante, sem passar despercebido pela crítica e pelo público. Aqui, seu personagem, em constante transformação, conduz o enredo entre momentos de incerteza e demonstrações de coragem. Pedro Tófani é uma revelação primorosa. Yuri parece mais autoconsciente e bem resolvido do que Davi, e Pedro transmite essa segurança no olhar e na fala, com uma naturalidade de quem tem muitos anos na carreira de ator profissional. Talvez o que faça falta seja mais momentos de intimidade entre os dois protagonistas, com diálogos que aprofundem a relação para além do momento-chave no closet. Algumas falas parecem cumprir a função de apresentar as nuances desses personagens, mas nem sempre encontram espaço para aproximá-los ou dar um acabamento melhor a seus percursos. Ou talvez seja apenas eu querendo mais. A diretora Malu Alves tem experiência notável com trabalhos curtos no audiovisual, mas torço para que em breve ela direcione seu leme para médios e/ou longas-metragens porque seu talento, criatividade e desenvoltura técnica estão clamando por uma durações maiores, e eu também. Estarei acompanhando atentamente. Nota: 4,5/5

  • Crítica | Um Zé Ninguém Contra Putin (Oscar 2026)

    O registro clandestino de um professor russo cria um documento histórico que não sabe o tamanho de si mesmo. Imagem: Divulgação “Acho que o que você fez terá um grande impacto”. Essa é uma das últimas frases de Um Zé Ninguém Contra Putin. Ela aparece em uma mensagem de voz enviada por um dos produtores a Pavel Talankin enquanto ele fugia da Rússia, após passar dois anos gravando secretamente uma denúncia explícita contra o país. Só que essas gravações não começaram clandestinamente – muito pelo contrário: eram, antes de tudo, resultado do trabalho cotidiano de Talankin, cujo apelido, Pasha, também lhe servia como uma espécie de persona alternativa. É com Pasha que começamos o filme. Professor querido e cinegrafista de eventos escolares, ele trabalha na mesma escola onde ele próprio estudou na infância, que também é o local de trabalho de sua mãe. Para ele, aquelas salas de aula e corredores não representam apenas um emprego, constituem o microcosmo de toda a sua vida. Ela está situada numa pequena cidade no interior da Rússia, conhecida por ostentar o título nada invejável de cidade mais poluída do mundo. A expectativa de vida média de seus moradores é de impressionantes 40 anos. Pasha, no entanto, parece não se deixar abalar por esse cenário, e genuinamente ama o que faz e o lugar onde trabalha. As diversidades que poderiam ser motivos de desânimo para muitos se tornam, para ele, uma missão. Ciente das dificuldades que seus alunos provavelmente enfrentarão na vida adulta, Pasha tenta oferecer leveza enquanto pode. Responsável pelas filmagens da escola, dedica-se a registrar momentos de alegria daquelas infâncias e adolescências. Oferece acolhimento em conversas informais pelos corredores ou recebendo grupos de alunos em sua pequena sala — um espaço decorado por ele próprio, que destoa tanto da arquitetura soviética desbotada dos prédios locais quanto da cinzenta névoa industrial que paira sobre a cidade. Ali, Pasha é feliz e faz seus alunks felizes. Até que esse microcosmo começa a ruir. Imagem: Divulgação A quilômetros dali, em seu gabinete em Moscou, Vladimir Putin declara guerra à Ucrânia e inicia uma ofensiva propagandística em toda Rússia. O patriotismo exacerbado e a demonização do “inimigo” tornam-se instrumentos centrais para convencer a população a apoiar o inaceitável. E, como frequentemente acontece em regimes autoritários, a doutrinação começa cedo. É então que o trabalho de Pasha muda de natureza. Suas filmagens deixam de ser simples registros das atividades escolares e passam a funcionar como documentação oficial que comprova a implementação das novas diretrizes governamentais para a educação. Pouco a pouco, ferramentas de doutrinação vão sendo incorporadas ao currículo: professores passam a repetir discursos padronizados; cerimônias patrióticas e marchas se tornam obrigatórias; aulas de instrução militar são introduzidas; crianças empunham armas que quase equivalem com sua própria altura. Cada novo absurdo parece normalizar o absurdo anterior. Nesse processo, Pasha começa a desaparecer – e dá lugar a Pavel Talankin. Talankin é um defensor do retorno da democracia na Rússia e um dos raros cidadãos de sua cidade a expressar oposição à guerra. Idealista, sempre depositou suas esperanças na juventude. As transformações que testemunha, no entanto, abalam profundamente essa crença. Seus pupilos entram em conflito: não sabem se acreditam nos professores que repetem o discurso oficial ou na dor concreta de perder amigos e familiares nos campos de batalha. Com medo de serem associados a um “traidor da pátria”, os alunos deixam de frequentar sua salinha. Frustrado, Talankin passa a gravar depoimentos próprios em casa. Ele envia essas gravações, junto com as imagens feitas na escola, para a Dinamarca, onde reside o cineasta David Borenstein, com quem viria a dividir a direção do documentário. Juntos, constroem a tese central do filme: mesmo em contextos de extrema impotência, é possível surgir a resistência. Talankin, porém, parece dividido entre a modéstia e o orgulho diante da própria coragem. Em alguns momentos, engrandece (com todo mérito) seus feitos; mas em outros, procura suavizá-los. Essa indecisão transparece na própria linguagem do filme. A narração, a trilha e as inserções de arte assumem um tom frequentemente descontraído, que funciona nos primeiros momentos, mas logo passa a destoar da seriedade da história que se desenrola. Há ali um certo maniqueísmo ingênuo e um didatismo por vezes simplificador que acabam reduzindo a complexidade das questões sugeridas pelas próprias imagens. Cabe ao espectador captar as camadas mais densas do que está em jogo — entre elas, talvez a mais reveladora seja a percepção de que a guerra se manifesta também nas esferas aparentemente mais banais da vida social. Ao alternar as imagens captadas por Talankin, que oferecem uma rara visão do cotidiano russo, com registros midiáticos sobre o conflito, Um Zé Ninguém Contra Putin constrói um contraste constante entre o macro e o micro. O resultado é a constatação de que até os espaços mais improváveis são atravessados pela guerra. A trincheira não está apenas na linha de frente dos campos de batalha – ela também atravessa a sala de aula do ensino infantil. O soldado que morre no combate é também o irmão do aluno que, no dia seguinte, já não consegue se concentrar para a próxima prova. O aluno que hoje aprende como usar uma granada pode ser o “herói” da pátria no futuro, ou pelo menos o cidadão que apoiará a continuidade da chacina. A coragem extraordinária dos diretores ao tornar públicas imagens que jamais deveriam deixar de ser confidenciais não encontra uma equivalência no engenho narrativo empregado para tratar essa história com toda a dimensão que ela merece. Isso compromete o ritmo e a densidade do longa enquanto obra artística — mas jamais enquanto documento histórico. Concorrendo ao Oscar de Melhor Documentário e vencedor do BAFTA de Melhor Documentário, o filme inspira, choca, emociona e causa revolta. Como previsto antes do seu exílio, o que Pasha/Talankin fez, de fato, teve grande impacto. Nota: 3,5/5

  • Crítica | Destruição Final 2 (2026)

    Então o primeiro Destruição Final (2020) fez direito o arroz com feijão e passou por média nos meus critérios

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